CCMS 22

“CALABAR - O ELOGIO DA TRAIÇÃO”:
PERSPECTIVAS DE DEBATE HISTORIOGRÁFICO NO TRABALHO DE FRANCISCO BUARQUE DE HOLANDA E RUY GUERRA

O TEATRO NOS ANOS 70 DENTRO DA PERSPECTIVA DE ODUVALDO VIANNA FILHO


“CALABAR - O ELOGIO DA TRAIÇÃO”:
PERSPECTIVAS DE DEBATE HISTORIOGRÁFICO NO TRABALHO DE FRANCISCO BUARQUE DE HOLANDA E RUY GUERRA

Refletir sobre as atividades artísticas tem se mostrado como um grande desafio aos historiadores devido ao vasto campo de investigação e de objetos de análise propostos pela chamada Nova História ou História Cultural. Estes desafios são trabalhados por Adalberto Marson1 ao propor uma reflexão sobre os procedimentos aos quais o pesquisador deve se mostrar atento ao realizar uma pesquisa.

Desta forma, discutir sobre teatro significa considerá-lo como elemento constitutivo de um processo artístico, cultural e histórico no qual estamos inseridos, utilizando-nos do mesmo como espaço de discussão sobre os debates travados no social. Esta “função social” designada ao teatro foi expressa por Fernando Peixoto2 ao discutir a utilização dos palcos na reflexão sobre o desenvolvimento de uma dramaturgia nacional.

Assim, a peça teatral Calabar - O elogio da traição, eleita como nosso objeto de pesquisa insere-se no universo dessas discussões por ter sido escrita (ano de 1973) em meio à efervescência social, política e cultural pela qual passava o Brasil desde o golpe instaurado pelos militares em 1964. Naquele momento intelectuais e artistas tiveram que repensar o seu papel profissional e social, já que o silêncio impunha limites à essas manifestações.

Refletir sobre o trabalho de Chico e Ruy apresenta-se como possibilidade de retomar aqueles acontecimentos e de discutir sobre as transformações vivenciadas, principalmente pela classe teatral. É importante lembrar que o tema que permeia toda a trama desenvolvida na peça é a traição, que os autores recuperam através da personagem histórica Domingos Fernandes Calabar e levam para o presente dos anos 70, discutindo conceitos como traição, pátria e fidelidade. Utilizando-se de uma linguagem metafórica era possível, ao mesmo tempo, questionar a repressão à qual estavam submetidos e propor debates que permeavam a sociedade.

Como já havia ocorrido com um número significativo de peças, Calabar foi proibida de ser encenada e só seria liberada na década de 80, com a chamada “abertura política”.

Assim, é nosso objetivo fazer discussões que possibilitem identificar as propostas de Chico e Ruy. Um debate interdisciplinar entre História e Teatro que resgate o processo de luta política e social vivenciado pelos autores.

Para que isso seja possível alguns caminhos deverão ser percorridos, tais como, a realização de leituras que nos permitam uma melhor compreensão da atividade teatral e que são contemporâneas à peça Calabar, além de consulta à documentação sobre os dois momentos históricos presentes na mesma, ou seja, o século XVII, período no qual holandeses e portugueses lutavam entre si pela colonização do Brasil e o pós 64, onde estiveram em debate os rumos políticos da nação e as implicações dessas mudanças na sociedade. A bibliografia especializada sobre os dois períodos tem fundamental importância na análise desse processo.

No que se refere às atitudes tomadas por intelectuais e artistas nas décadas posteriores à 1964, utilizaremos também as interpretações de críticos teatrais como Yan Michalski3, que teve papel importante nos encaminhamentos das discussões sobre os rumos do teatro. Os discursos de dramaturgos, diretores e atores também serão essenciais à nossa reflexão, além de uma investigação sobre o papel de Chico e Ruy enquanto profissionais envolvidos nesse processo.4

Os primeiros passos rumo a esse objetivo foram leituras de obras especializadas, embora escritas em momentos distintos, mas que tinham como temática comum o teatro enquanto representação artística e cultural de uma época, procurando identificar a metodologia utilizada pelos autores na análise de seus objetos e verificando em que medida contribuem para os debates propostos por Chico e Ruy na montagem de Calabar.

Foram consultados trabalhos de autores como Regina Horta Duarte5 em que ela discute sobre os espetáculos de circo e teatro em Minas Gerais no século XIX, refletindo acerca da influência destas atividades no cotidiano social das localidades mineiras daquele período.

Propondo discutir a movimentação de artistas, ambulantes, ciganos, vagabundos, dentre outros, Regina Horta traz à luz de sua análise o discurso racionalista da burguesia oitocentista o qual implicava na integração ou na marginalização destas atividades no seio da sociedade em plena modernização.

A autora mostra-nos a inserção dos espetáculos circenses que se caracterizavam justamente pelo sedentarismo, e as relações nem sempre harmoniosas destes com o social, já que eram encarados, não raras vezes, como algo à margem desse universo. Por outro lado, as atividades teatrais, diferentemente da atividade circense sofreram a influência do discurso civilizatório que procurava moldá-las aos interesses da classe dominante.

É possível, acredita a autora, identificar as estratégias de dominação destas atividades na constituição de uma imagem conservadora e moralizadora da Minas Gerais do século XIX, além das características heterogêneas daquela sociedade. Os relatos de viajantes contemporâneos àqueles acontecimentos em muito contribuíram para essa identificação.

Regina mostra como foi imputado ao teatro o papel de “educador” e “moralizador social”, e por esse motivo havia uma constante preocupação com o estilo e com o nível de representação dos espetáculos. Através das discussões propostas pela autora podemos identificar as transformações sofridas por essas atividades e, ao mesmo tempo, relacioná-las com a movimentação do todo social.

Essas implicações foram verificadas também por Fernando Antônio Mencarelli6 que, numa outra perspectiva de análise reflete sobre o teatro através da obra de Arthur Azevedo, representante de um estilo de espetáculo que se consagrou no final do século XIX: as revistas de ano, especialmente na cidade do Rio de Janeiro.

A revista do ano de 1886 intitulada O Bilontra é o caminho a partir do qual Mencarelli analisa as relações da sociedade carioca com as representações que eram levadas aos palcos. Em sua maioria serviam como espaço para debates de temas sobre o cotidiano da população.

Mencarelli busca, na obra de Azevedo, discussões acerca do desenvolvimento do teatro nacional e das implicações do estilo revisteiro no andamento de questões referentes à cultura. Fazendo isso, mostra-nos as mudanças ocorridas no cenário teatral e as reflexões feitas pela historiografia acerca desse assunto.

O autor avalia que o trabalho de Azevedo possibilita-nos compreender os discursos em torno do desenvolvimento de um teatro voltado aos interesses da burguesia e que, por essa razão, a trama central de O bilontra, ou seja, as bilontragens do jovem Faustino eram vistas como transgressão aos valores morais e como uma ameaça à modernização e à racionalização social.

Em O bilontra há uma constante disputa entre o moral e o imoral, entre o ser bom e virtuoso ou malandro e pecaminoso.

Segundo Mencarelli as ambiguidades presentes na obra de Azevedo permite-nos verificar a heterogeneidade social com a qual se convivia naquele momento, além da possibilidade de análise sobre a cultura nacional da qual o teatro era elemento constitutivo.

A discussão acerca do teatro remeteu-nos também às reflexões feitas por Rosângela Patriota7 no intuito de analisar as atividades artísticas, no caso, o teatro, como campo de ação dos indivíduos. A autora buscou, na obra de Oduvaldo Vianna Filho, discussões acerca do engajamento de artistas em projetos sociais e na luta pela instituição de um teatro voltado às causas nacionais.

Esta reflexão levou-nos ao contexto das décadas de 60,70 e 80 do século XX onde Patriota analisa o estabelecimento do teatro como palco de debates das questões suscitadas naquele momento e nas quais Vianinha se inseria. A luta do dramaturgo em torno da resistência ao regime militar e em favor de um engajamento contra as desigualdades sociais permeia suas reflexões.

A profunda análise da peça Rasga Coração visou levantar essas questões, suscitando os debates acerca da contribuição do teatro para a cultura do país em seus mais diversos momentos históricos.

Desta forma, e tendo em vista as questões levantadas anteriormente, voltamos nossa atenção para a identificação das propostas de Chico e Ruy na trama da peça Calabar, as quais deverão ser refletidas ao longo de nossas pesquisas.

De início consideramos necessário realizar o mapeamento da mesma através do qual observamos a estrutura de montagem. Elencamos alguns tópicos a serem trabalhados, como a presença de rubricas, a composição das personagens em cada situação, os recursos de iluminação e sonoplastia utilizados pela equipe de produção, o trabalho de figuração, além da análise em torno dos diálogos que se dão entre as diversas personagens no desenrolar da trama.

Nesse exercício sentimos a necessidade de transcrevê-los, alguns de forma literal por considerarmos que eles têm importância significativa na compreensão das situações apresentadas pelos autores na construção dramática da peça.

Uma reflexão sistemática sobre as propostas estéticas e/ou políticas, bem como as perspectivas de debate historiográfico que se estabelecem no trabalho de Chico e Ruy estarão sendo desenvolvidas no decorrer de nossa pesquisa.

Esperamos, desta forma, contribuir para as discussões acerca da utilização de atividades artísticas na análise histórica, afirmando a importância da cultura na constituição do universo social.

Notas

1 MARSON, Adalberto. Reflexões sobre o procedimento histórico. In: SILVA, M. A.da (org.) Repensando a história. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1984. voltar

2 PEIXOTO, Fernando. O que é teatro? São Paulo: Brasiliense, 1980. voltar

3 MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão - uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985. voltar

4 Consideramos que o livro de Adélia Bezerra de Menezes Desenho mágico – poesia e política em Chico Buarque. São Paulo: Hucitec, 1982, muito nos beneficiará para desenvolver tal discussão. voltar

5 DUARTE, Regina Horta. Noites circenses: espetáculos de circo e teatro em Minas Gerais no século XIX. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1995. voltar

6 MENCARELLI, Fernando Antônio. Cena aberta: a absolvição de um bilontra e o teatro de revista de Arthur Azevedo. Campinas: Editora da Unicamp, Centro de Pesquisa em História Social da Cultura, 1999. voltar

7 PATRIOTA, Rosângela. Vianinha: um dramaturgo no coração de seu tempo. São Paulo: Hucitec, 1999. voltar

Referências Bibliográficas

DUARTE, Regina Horta. Noites circenses: espetáculos de circo e teatro em Minas Gerais no século XIX. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1995.

MARSON, Adalberto. Reflexões sobre o procedimento histórico. In: SILVA, M. A. da (org.). Repensando a história. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1984.

MENCARELLI, Fernando Antônio. Cena aberta: a absolvição de um bilontra e o teatro de revista de Arthur Azevedo. Campinas, SP: Editora da Unicamp, Centro de Pesquisa em História Social da Cultura, 1999.

MENEZES, Adélia Bezerra de. Desenho mágico – poesia e política em Chico Buarque. São Paulo: Hucitec, 1982.

MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão – uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

PATRIOTA, Rosângela. Vianinha: um dramaturgo no coração de seu tempo. São Paulo: Hucitec, 1999.

PEIXOTO, Fernando. O que é teatro? São Paulo: Brasiliense, 1980.

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O TEATRO NOS ANOS 70 DENTRO DA PERSPECTIVA DE ODUVALDO VIANNA FILHO

SANDRA RODART ARAÚJO

O presente trabalho tem como proposta discutir o Teatro brasileiro no período que compreende principalmente a década de 70.

Para a delimitação do tema foi feita a escolha de uma peça teatral: Corpo a Corpo de Oduvaldo Vianna Filho, onde pretende-se dar o contexto histórico do momento e dialogar com Vianinha sobre suas escolhas no Teatro e dentro do Partido Comunista Brasileiro.

A escolha pelo tema nasce da vontade de trabalhar com a arte, trabalhar com esta arte engajada que no Brasil verifica-se principalmente nos anos 60 e70. Esta escolha está permeada pela admiração pessoal que tenho pelos espetáculos e textos teatrais e também pela curiosidade em relação à esquerda brasileira , saber o que definia suas discussões neste momento tão delicado da história brasileira. Neste sentido alguns artistas deste período são essenciais para entendermos o processo já que suas obras eram engajadas e na maioria das vezes eram filiados ao Partido Comunista Brasileiro.

Para um melhor enfoque no período a análise será sobre uma das peças teatrais do artista, ator e dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, autor de incontestável importância no âmbito da dramaturgia brasileira. A peça escolhida é Corpo a Corpo.

Vianinha morre prematuramente em 1974 aos 37 anos, mas sua contribuição para o teatro brasileiro é considerável , dentre suas obras destacam-se: Chapetuba Futebol Clube, A Mais Valia Vai Acabar Seu Edgar, A Longa Noite de Cristal, Corpo a Corpo, Se Correr o Bicho pega se Ficar o Bicho Come, Papa Highirte e Rasga Coração dentre outras. Sendo que a Rasga Coração é considerada pelos críticos a obra-prima de Vianinha, a peça teve grande repercussão, foi sua última obra escrita já no leito de morte, e só pôde ser encenada em 1979, devido a censura. Durante este tempo a sua liberação foi tema vastamente discutido pelos críticos.

Os primeiros trabalhos de Vianinha foram no teatro de Arena em São Paulo e alguns anos depois ele junto a outros militantes fundam o CPC da UNE no Rio de Janeiro, em busca de um teatro mais engajado com as questões políticas e também em busca de maior proximidade com a cultura popular, a intenção era um teatro voltado para um publico mais pobre, o teatro deveria ser informativo e despertar consciência.

Vianinha em suas peças traz para a cena as mazelas da sociedade, discute os problemas sociais da sua época, conclamando para uma tomada de opinião.

É preciso ressaltar que Vianinha esteve sempre ligado às questões políticas, foi militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro), e sua obra é toda circunstanciada pela arte engajada, por um teatro preocupado com questões sociais, na suas próprias palavras:

“Um teatro brasileiro que faça viver o homem, o sentido de sua responsabilidade na criação dos valores a que se encontra submetido, não é um teatro político – é um teatro que vai ter que se incluir na mediação que o homem tem da realidade concreta, para poder aguçá-la, e permitir uma intervenção precisa. O problema brasileiro é de cultura – política e teatro ganham fenomenal importância. As condições estão dadas para a modificação. É preciso que isto ganhe a consciência. Esta é nossa tarefa. Que só poderá ser realizada com a disciplina e o estudo que os que procuram sua liberdade precisam ter...”1.

Dentro deste contexto a escolha da peça Corpo a Corpo nasce da necessidade de fazer este diálogo entre arte e política. Corpo a Corpo é escrita em 1969 e encenada pela primeira vez em 1971 sob a direção de Antunes Filho e interpretação de Juca de Oliveira. A peça, um monólogo, evidencia os dramas de um publicitário Vivacqua (o personagem da peça) que passa uma noite angustiante pensando sobre suas posições sociais. A propósito da peça Vianinha faz considerações sobre o personagem:

“Eu não sei o que faria se estivesse no lugar de Vivacqua, a personagem de Corpo a Corpo . A sua falta de saída é objetiva, seja ele bom, mau, médio caráter. As armas que ele sabe usar bem, as armas que lhe dão objetividade no mundo, que lhe dão referências, as armas que ele utiliza e através das quais ele é ser humano, é ser social, são as armas de um jogo que ele detesta. Agora, o que é mais importante é que as coisas são assim, mas com mil camadas intermediárias que possibilitam a liberdade humana, as decisões e aí sim, as avaliações da personalidade. Mas o quadro em que ele existe é esse. Vivacqua, porém, não esta no teatro de “vanguarda” onde as coisas só existem nos seus limites abstratos ele está no teatro brasileiro que longamente tem perseguido a percepção dessas mediações, os claro – escuros da realidade e nesse campo, Vivacqua decide, muda de opinião, decide de novo. redecide, revoluteia, pensa, pensa, pensa ...”2.

A Segunda encenação da peça foi em 1975 sendo a primeira obra a ser encenada após a morte de Vianinha dirigida por Aderbal Jr. e encenada por Gracindo Jr. a terceira encenação aconteceu a 1995 pelo grupo Tapa com direção de Eduardo Tolentino e interpretação do ator Zé Carlos.

Para o estudo de Corpo a Corpo algumas questões serão abordadas, como a crítica a indústria cultural, que na peça é o drama vivido por Vivacqua, ou seja participar desta indústria de sonhos que nunca se realizam, e o teatro como arte engajada na denuncia das mazelas sociais.

No que se refere a indústria cultural levar em conta a opção defendida por Vianna de um teatro nacional. Verificar ate que ponto este teatro foi viabilizado. E neste sentido até que ponto a opção pela resistência democrática tornou isto possível?

Corpo a corpo nos traz também uma idéia muito instigante no sentido que o autor considera os dramas individuais em detrimento do coletivo, ou seja, os dramas de Vivacqua estão dentro de um contexto maior e Vianinha percebe isto de forma bastante inspiradora. Os dramas do personagem vão de encontro com uma sociedade que nos reprime a todo momento, nos cobra incessantemente que sejamos enquadrados dentro deste capitalismo selvagem, e a tomada de decisão de Vivacqua é exatamente o enquadrar-se nesta sociedade. O interessante é que Vianna consegue escrever sobre esta tomada de decisão sem fazer um julgamento do seu personagem, o monólogo trata de forma clara as angústias do personagem mas sem julgá-lo.

Desta maneira o presente trabalho tem por objetivo a discussão entre Teatro e História, tendo como base a interdisciplinaridade e não a dissociação. Para tanto é preciso ressaltar a importância de se trabalhar com arte enquanto documento, e no caso específico do trabalho a peça teatral como documento histórico.

Antônio Cândido no primeiro capítulo de seu livro Literatura e Sociedade assim se referiu à ligação entre obra e contexto social:

“...antes procurava-se mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou-se a posição oposta, procurando-se mostrar que a matéria de uma obra é secundária , e que a sua importância deriva das operações formais postas em jogo, conferindo-lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de quaisquer condicionamentos , sobretudo social, considerando inoperante como elemento de compreensão.

Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas: e que só podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explica pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo...”3.

Para o estudo da peça enquanto documento, algumas premissas devem ser observadas tais como a contribuição da arte engajada para a relação homem e sociedade.

A contextualização da obra é de fundamental importância, pois, não pretende aqui o estudo da arte pela arte, ou seja, este documento tem historicidade e precisa ser contextualizado.

Notas

1 PEIXOTO, F. Vianinha Teatro Televisão e Política. São Paulo: Brasiliense, 1983, p 79. voltar

2 O teatro visto por um autor: Oduvaldo Vianna Filho. A Gazeta de São Paulo. São Paulo, 21/11/1971. voltar

3 CANDIDO, A. Literatura e Sociedade. São Paulo/SP: Publifolha, 2000. p 05. voltar

Referências Bibliográficas

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GINZBURG, Carlo. O Queijo e os Vermes - o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

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PEIXOTO, F. Vianinha Teatro, Televisão e Política. São Paulo: Brasiliense, 1983.

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