EDU 01-05
QUALIDADE DA AVALIAÇÃO DA DISCIPLINA SEMINÁRIO DOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO: CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, MG
Joelma Aparecida Zobole1
Aurora Ribeiro de Goicochea2
1. INTRODUÇÃO
As técnicas de ensino socializado ou de grupos, para VEIGA (1995), já há alguns anos, vêm sendo largamente utilizadas por professores em substituição às aulas expositivas, que são muito criticadas pela pouca participação do aluno no processo ensino-aprendizagem.
BALZAN (1980), acrescenta:
5.0pt;
Introduzida com certa ansiedade na década de 50 – altas expectativas em torno de seus resultados, mesclados com fortes temores em relação a mudanças de procedimentos estruturados – desenvolvidas com certa parcimônia no início dos anos sessenta, alguns anos depois passou a caracterizar um dos modismos vigentes na Educação Renovada. Lamentavelmente, o trabalho de grupo estruturou-se antes que fosse mais bem fundamentado, questionado e revisto por parte dos educadores.
Segundo OLIVEIRA (1972), no ensino socializado “procura-se tirar partido da interação mental e social, inerente às situações em que, duas ou mais pessoas estão em contato social, agem em função de um fim comum”, bem como unida por um consumo ético, formal ou informal, que caracteriza e define a dinâmica e a estrutura do grupo de trabalho associativo e do ensino-aprendizagem socializado.
Para que o trabalho em grupo seja aplicado às atividades escolares, tem que ser fundamentado nas técnicas propostas e sistematizadas pela dinâmica de grupo, que segundo CARVALHO (1979),
Ensaiam-se, assim, nas salas de aulas, sem muito maior freqüência do que outrora, modalidades de agrupamento, e forma de organização das atividades de ensino e de aprendizagem, inspiradas nas técnicas que a dinâmica de grupo havia sistematizado; a discussão em pequenos grupos; os grupos de cochicho; a discussão 66 ou Phillips 66 (fracionamento do grupo em pequenos grupos de seis, que discutem um assunto durante seis minutos); o simpósio; os painéis; as comissões; o diálogo; a entrevista; a discussão livre; as conferências; as oficinas (workshop); os seminários etc.
Entre as técnicas citadas anteriormente, optou-se pelo seminário, por ser uma técnica de ensino mais utilizada e que requer exposição oral, discussão e debate.
Etmologicamente, a palavra seminário origina do termo semente, que transportado, pode ser encarado como uma ocasião de semear idéias ou de favorecer sua germinação (HOLANDA, 1986).
No sentido amplo, para Arrayo, citado por LAKATOS e MARCONI (1983), seminário é uma técnica de estudo em grupo, que representa excelente recurso de interação social, não só como instrumentalização, mas sobretudo enquanto formação pessoal, científica e profissional. Sua dinâmica consta de pesquisa, reflexão e debate, podendo possibilitar aos estudantes a elaboração mais clara e acessível de trabalhos científicos, cuja preparação exige amplas leituras e elaboração de estudos recapitulativos.
No sentido restrito, para VEIGA (1995), “é o grupo de estudos em que se discute e se debate um ou mais temas apresentados por um ou vários alunos, sob a direção do professor responsável pela disciplina ou curso”.
Segundo VEIGA (1995), é possível desenvolver uma disciplina ou curso de pós-graduação somente com a técnica seminário.
O emprego do seminário nas disciplinas de graduação e pós-graduação implica em três etapas: a primeira é a preparação que envolve encargos, tanto para o professor quanto para o aluno; a segunda é a apresentação do tema e a discussão do mesmo, por meio das técnicas de exposição oral, do debate e da discussão e; a terceira é a apreciação final sobre o trabalho realizado por meio de nota ou menção (VEIGA, 1995).
A apreciação do seminário é uma etapa difícil que requer muita observação por parte do professor, uma vez que pontos das outras etapas variam muito de indivíduo para indivíduo (por exemplo, muitas pessoas têm dificuldade de falar em público) e muitos pontos devem ser analisados na hora da avaliação.
Sendo o Seminário um dentre vários métodos científicos para o ensino de graduação e pós-graduação, muito utilizado como disciplina aberta ao público na pós-graduação, muitos são os fatores a serem observados nesse evento, que podem alterar o processo de avaliação do prelecionista pelo professor e, ou participantes.
Daí a necessidade de se analisar como se dá a avaliação do mesmo, a fim de desenvolver critérios e instrumento que, realmente, vão auxiliar as críticas e avaliações justas do seminário, pelo seu coordenador e,ou participantes, sem prejuízos para o prelecionista, no sentido de não lhe deixar barreiras psicológicas.
Desta forma, o presente estudo objetiva analisar a qualidade da avaliação do coordenador da disciplina seminário, nos programas de mestrado stricto sensu da UFV, de forma a constatar a sua abrangência em extensão e em compreensão; bem como se os fatores que afetam, de modo positivo e,ou negativamente, a qualidade da apresentação do seminário desse estudante foram contemplados.
Especificamente pretende-se:
- Identificar o instrumento e os critérios utilizados pelos coordenadores da disciplina para pós-graduandos do mestrado strictu sensu, ao avaliá-lo.
- Verificar se os professores estão cientes quanto à compreensão e à extensão do processo de avaliação da disciplina seminário da pós-graduação.
- Averiguar se a avaliação do seminário dos pós-graduados é feita, em sua maioria, dentro da tendência qualitativa e,ou quantitativa, e quais suas limitações.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
A preocupação do homem com a avaliação, segundo Alencar, citado por SANTANA et all (1999), vem desde tempos primitivos, surgindo de uma forma assistêmica. Diante das transformações históricas da vida em sociedade e, conseqüentemente, com a complexidade desta, o planejamento passou a ser uma necessidade, de forma sistematizada, a fim de garantir as suas qualidade e aplicabilidade a diferentes setores, projetos, programas, atividades sociais e humanas.
Para Moacir Godotti, citado por DEMO (1987), a avaliação constitui um processo intencional, que busca auxílio para várias ciências e que se aplica a qualquer prática, seja nas diversas atividades profissionais, empresariais, e políticas, etc.
Conforme REYZÄBAL (1999), a avaliação possui duas funções: uma formativa e a outra somatória.
A avaliação formativa pretende avaliar os processos nos quais tem lugar o fato educativo, incorporando-se a eles, desde o começo até o fim. Essa avaliação caracteriza-se por continuidade, rigor e sistematização no recolhimento dos dados, flexibilidade no planejamento e interpretação qualitativa para ser adaptada às diferenças de cada estudante.
A avaliação somatória é válida para a valoração de produtos concluídos, não modificáveis, e úteis para decidir a seleção ou qualificação positiva ou negativa em um momento determinado. Essa avaliação caracteriza-se por ser pontual, final, quantitativa e classificatória.
Para esse mesmo autor, os modelos de avaliação descritos são úteis para valorar qualquer processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com AGUILLAR (1994), avaliação é um processo que serve para estimular, apreciar e calcular o mérito ou o valor de algo, de maneira justificável.
Sendo assim, DÍAZ BORDENAVE e PEREIRA (1984), focalizam a avaliação como
Segundo AGUILLAR (1994), existem várias maneiras e vários instrumentos que auxiliam na avaliação do seminário de pós-graduação, porém em cada momento ou em cada processo deve ser escolhido e,ou experimentado o melhor instrumento.
Para contemplar todos esses pontos relevantes, conforme SALOMON (1972), deve-se avaliar de maneira racional, defendendo uma avaliação de qualidade.
De acordo com FERREIRA (1986), qualidade é uma propriedade, um atributo subjetivo que, numa escala de valores, permite avaliar e, conseqüentemente, aprovar, aceitar ou recusar alguma coisa desejada.
Essa qualidade, afirma REYZÁBEL (1999), deve estar unida ao processo de avaliação, principalmente no que diz respeito à avaliação da expressão oral, que tem pouca tradição didática e, por isso, menos pontos de referência para sua interpretação.
Para SAUL (1998), todas as avaliações, principalmente a da expressão oral, devem ser uma atitude associada à experiência cotidiana do ser humano, onde o avaliador aprecia a adequação, eficácia e eficiência de ações e experiências humanas e deve conhecer, muito bem, o processo e os métodos de avaliação. Pois, segundo DEMO (1987), avaliar com responsabilidade é “pesquisar, refletir, analisar, comparar e criticar construtivamente, a partir de informações qualitativas e,ou quantitativas, a fim de verificar e estabelecer objetivos ou méritos para qualquer prática”. Portanto, só pessoas que tenham essa prática e experiência devem avaliar.
Dentro das várias modalidades de eventos que utilizam a expressão oral em seu processo, uma das mais usadas é o seminário.
Segundo GIL (1991), o seminário é considerado como uma categoria de evento de grande relevância, para a valorização e o incentivo à pesquisa científica, principalmente por tratar-se de um instrumento efetivo de divulgação das informações e saberes científicos.
GIL (1994) deixa claro que o seminário constitui uma estratégia adequada aos objetivos do ensino superior. Nos cursos de pós-graduação, muitas disciplinas podem ser desenvolvidas inteiramente sob essa forma.
A avaliação, segundo BASTOS (1978), “é uma atividade que coleta e combina dados relativos ao desempenho do conjunto sistematizado” de critérios ou procedimentos didático-científicos do aluno.
Portanto para RIBEIRO DE GOICOCHEA (1998), o seminário requer: a apresentação do título, do(s) autor(es) e o título de cada capítulo acompanhado de sua sinopse ou esquema, a partir da citação do sobrenome do autor se for o caso. A linguagem, usada nas ilustrações e explicações adicionais, o tom de voz, a postura corporal perante o público, o atendimento do tempo previsto para apresentação, o domínio do assunto, a viabilização de debate posterior à apresentação, o grau de experiência em apresentação pública, a preparação para a apresentação e o uso de recursos multi-sensoriais de qualidade pelo expositor, são condições fundamentais para o seu sucesso, que pode variar e interferir nos processos de comunicação do apresentador e de avaliação do coordenador do evento.
Para REY (1993), o autor deve apresentar ao público, e, para que não se perca durante sua fala, desviando-se para outros temas ou para que não perca o domínio sobre a extensão e o tempo que irá gastar para cada parte da exposição, os capítulos do seminário em forma de esquemas relativos a cada um deles. NÉRICI (1981) completa tal pensamento, afirmando que é de suma importância que o seminarista apresente a temática do seminário, assimilada em grandes linhas, em várias etapas do texto estudado. Não se trata de apresentar um resumo, uma síntese lógica do raciocínio, mas simplesmente de enunciar os vários assuntos abordados na unidade exposta, sendo mais indicativa do que explicativa.
Durante a apresentação de trabalhos científicos, o seminarista deverá assumir uma linguagem relativa ao interesse e importância do tema para o auditório que se vai apresentar o trabalho, pois a situação se diferencia quando se destina a um grupo de colegas ou quando se está diante de um público variado, como num congresso de grande amplitude (REY, 1993).
Segundo HINDLER (1999), o tom e o volume da voz são pontos cruciais em uma apresentação. Para se transmitir uma mensagem correta, deve-se usar cuidadosamente a entonação e a altura da voz.
REY (1993) coloca que, durante o seminários, o tempo, de que o autor dispõe para falar, é fixado previamente, portanto o assunto deve ser dimensionado para não exceder esse limite, e mesmo que não haja um tempo limite, ele considerar que ser breve é extremamente importante, se se quiser manter a atenção dos ouvintes. Cada termo, cada expressão, cada tempo de verbo deve ser escolhido cuidadosamente para que signifique exatamente o que o autor pretende, de forma clara e objetiva.
O fato de alguém estar trabalhando há muito tempo sobre determinado tema não quer dizer que o indivíduo saiba tudo sobre o assunto. Por isso, o prelecionista deve atualizar-se sobre o tema, pesquisar e ser um profundo conhecedor do mesmo (REY, 1993).
Para GIL (1994), o seminário é mais fonte de idéias do que meio de informação. Mais importante que expor o tema é criar condições para a sua discussão. Uma discussão bem sucedida pode ser bastante agradável tanto para o público como para o prelecionista, constituindo uma das mais importantes estratégias de ensino.
HINDLE (1999) afirma que uma boa preparação é a chave para o sucesso na hora da apresentação. Por isso, é necessário que o apresentador, antes de mais nada, defina o que quer dizer a seu público e qual a melhor forma de se comunicar com ele. Que se prepare ensaiando diante de um espelho e, se possível, no lugar da apresentação, assegurando de que tudo que tem a dizer é relevante. A checagem dos aparelhos a serem utilizados é outro ponto importante e decisivo na hora da apresentação.
Com vistas a tornar a comunicação mais clara e concisa, segundo GIL (1994), com freqüência cada vez maior, vem sendo lançada mão dos recursos audiovisuais, que vão desde simples desenhos ou diagramas até os mais sofisticados equipamentos de multimídia.
Entretanto, REY (1993) chama atenção para a preparação e a utilização desses meios, lembrando alguns cuidados, para que se evitem problemas como: ilustrações mal feitas, quanto a sua legibilidade ou complexidade; projeção com longas frases ou textos tornando a apresentação monótona; projeção fora de foco destorcendo a imagem; aparelho não apropriado à sala, muitas vezes clara de mais; ilustrações fora de ordem, invertida.
Para o mesmo autor, devem ser evitadas imagens ou temas repetitivos, casos e exemplos semelhantes. Continua afirmando que o número de recursos e o tempo requerido para isso devem ser equilibrados com a duração total da apresentação do seminário.
Chama, ainda, atenção para a escolha do recurso, que depende muito da ocasião, do lugar, etc. Por exemplo, entre a escolha de uma transparência e de um diapositivo existem muitas diferenças. As primeiras são mais econômicas, fáceis de preparar e de modificar, segundo as necessidades do autor, e não exigem escurecimento completo da sala; enquanto os diapositivos proporcionam imagens mais brilhantes, mais ricas de detalhes e uma descrição fotográfica dos fatos observados, das estruturas complexas, dos seres vivos, dos lugares e das paisagens.
Especificamente, outros pontos a serem observados, segundo RIBEIRO DE GOICOCHEA (1988), são: a postura corporal, a tensão, a timidez, o olhar e o estado de saúde.
Para HINDLE (1999), dois terços da comunicação humana é não verbal, transmitida por meio de gestos de mão, expressões faciais ou outras formas de linguagem. A boa imagem corporal começa com o modo de a pessoa se posicionar. Manter-se ereto não é apenas bom para a saúde, como também dá maior clareza a voz, realçando o discurso.
Para o mesmo autor, é importante que medos e ansiedades sejam resolvidos antes da apresentação, usando técnicas, discursando previamente diante de um espelho, fazendo anotações claras para eventuais consultas, dentre outros. Prossegue dizendo que o seminarista deve estar sempre entusiasmado, e sempre olhar nos olhos do público para que ele não perca interesse, evitando, assim, conversas paralelas.
3. METODOLOGIA
A Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), criada em 1922 pelo governo do estado de Minas Gerais, foi o núcleo original da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG) em 1948, que, por sua vez, expandiu-se em todos os setores, sendo incorporada à Universidade Federal de Viçosa (UFV) em julho de 1969, por decreto do então Presidente Artur da Costa e Silva. Desde seus primórdios, a UFV tem como funções básicas a pesquisa, o ensino e a extensão, “que formam a base de sua filosofia de trabalho”.
Atualmente, apresenta quatro (4) centros ou áreas distintas, a saber: Centro de Ciências Agrárias, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, e Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, os quais comportam 28 departamentos, 34 cursos de graduação, 4 de especialização, 20 de mestrado e 13 de doutorado.
Decidiu-se, intencionalmente, pelo estudo dos cursos de mestrado stricto sensu da UFV, por serem as habilitações em maior número, além de terem em suas grades curriculares a disciplina seminário, a saber: Agroquímica, Bioquímica Agrícola, Botânica, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Ciência Florestal, Economia Doméstica, Economia Rural, Engenharia Agrícola, Engenharia Civil, Entomologia, Extensão Rural, Fisiologia Vegetal, Fitopatologia, Fitotecnia, Genética e melhoramento, Medicina Veterinária, Meteorologia Agrícola, Microbiologia Agrícola, Solo e Nutrição de Plantas e Zootecnia.
Em uma segunda etapa, foram identificados previamente todos os docentes coordenadores das respectivas disciplinas, dos diferentes cursos, num total de 20 coordenadores, que constituiram a população do presente estudo, uma vez que, são os coordenadores da disciplina que avaliam o seminário sobre a dissertação ou tese de mestrado dos alunos de pós-graduação.
Os dados deste trabalho foram coletados por meio de entrevista acompanhada de questionário estruturado, contendo questões objetivas e subjetivas que contemplam todos os critérios consideráveis em uma avaliação de seminário, abrangendo desde o processo até o produto da aprendizagem.
As informações assim coletadas foram tabuladas manualmente, condicionadas mecanicamente em gráficos percentuais e submetidas à análise descritiva de conteúdo.
4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Quanto ao uso ou não uso de instrumento auxiliar pelos docentes coordenadores da disciplina seminário, ao avaliarem os estudantes prelecionistas, obteve-se o seguinte resultado: 93% dos entrevistados usam um instrumento para auxiliar na avaliação e 7% não usam nenhum tipo (GRÁFICO 1).

Desse modo, percebe-se que a maioria dos docentes coordenadores buscam o auxílio de um instrumento estruturado para avaliar o seminário do aluno de pós-graduação. Provavelmente, isso se deve à preocupação desses docentes em avaliar de maneira justa e eficaz, indo de encontro com as palavras de DÍAZ BORDENAVE e PEREIRA (1984), quando afirmam que a avaliação é uma atividade que julga o mérito ou o valor de alguma coisa ou alguém, precisando assim que envolva no seu processo o uso de critérios e padrões para determinar em que medida um objeto é preciso, exato e satisfatório. Uma minoria não se preocupa com essa avaliação ou transfere a responsabilidade para o orientador do aluno.
No que se refere ao tipo de instrumento utilizado para auxiliar na avaliação do seminário (GRÁFICO 2), 100% dos entrevistados usam uma ficha de avaliação.

Nota-se que todos aqueles que utilizam um instrumento auxiliar ao avaliarem o seminário do estudante de pós-graduação usam apenas uma ficha, contendo os pontos relevantes a serem observados durante a sua preleção. Possivelmente, a opção por uma ficha de avaliação, está ligada à sua praticidade, flexibilidade de mudanças e facilidade de compreensão. Uma vez que, segundo AGUILLAR (1994), existem várias maneiras e vários instrumentos que auxiliam na avaliação do seminário de pós-graduação, porém em cada momento ou em cada processo deve ser escolhido e,ou experimentado o melhor instrumento e se este satisfaz a necessidade em questão.
No que diz respeito ao porquê do uso da ficha de avaliação (GRÁFICO 3), 54% afirmaram que já existia essa ficha e acharam relevantes os pontos nela conferidos; 30% não responderam; 8% afirmaram que quando entraram na coordenação já existia uma ficha e eles apenas aperfeiçoaram-na; e 8% elaborou sua ficha com base nas normas da pós-graduação, da ABNT e de sua experiência como coordenador, sempre deixando-a bem flexível às mudanças.

Observa-se que a maioria dos docentes coordenadores usa uma ficha de avaliação que já existia, deixada por outros coordenadores, certamente pela escassez de tempo e falta de estímulo econômico para buscar métodos novos e inovar o processo de ensino-aprendizagem. O que fere os princípios de SALOMON (1972), quando defende uma avaliação de qualidade e de VEIGA (1995), quando diz que “a apreciação do seminário é uma etapa muito difícil, que requer muita observação por parte do professor, uma vez que pontos das outras etapas variam de indivíduo para indivíduo e muitos pontos devem ser analisados na hora da avaliação.”

No que concerne ao número de docentes e,ou discentes, que avaliam o seminário de pós-graduação (GRÁFICO 4), 28% usam três pessoas, escolhidas aleatoriamente, que não fazem parte da equipe de pesquisa, e não sejam estudantes; 15% usam todos os presentes no seminário, para fazer a avaliação e, no final, é tirada uma média ponderada; 15% não responderam; 7% usam cinco estudantes de áreas variadas, que estejam presentes; 7% duas pessoas que podem ser estudantes e,ou professores do doutorado; 7% só o coordenador da disciplina; 7% só o orientador da pesquisa e 7% três pessoas, geralmente alunos que são escolhidos aleatoriamente.
Percebe-se que o número e a qualificação dos avaliadores é variada, não apresentando, muitas vezes, nenhum conhecimento da temática e prática em avaliação, pois são indicados aleatoriamente. Talvez, isso se deve ao fato de os coordenadores serem adeptos de avaliação participativa. Sendo assim, esse fato fere as palavras de SAUL (1998), quando afirma que a avaliação deve ser uma atitude associada à experiência cotidiana do ser humano, onde o avaliador aprecia a adequação, eficácia e eficiência de ações e experiências humanas e este deve conhecer, muito bem, o processo e os métodos de avaliação.
Quanto ao parecer dos coordenadores sobre a confiabilidade de seu instrumento de avaliação (GRÁFICO 5), 100% dos entrevistados julgam seu instrumento confiável.

Todos os docentes coordenadores confiam no seu instrumento. Isto se deve, possivelmente, porque acreditam que avalia o processo sem prejudicar o estudante, verificando de maneira crítica todos os pontos relevantes durante o processo de estruturação e da apresentação do seminário. O que está de acordo com as palavras de DEMO (1987), ao afirmar que avaliar com responsabilidade é “pesquisar, refletir, analisar, comparar e criticar construtivamente, a partir de informações qualitativas e,ou quantitativas, a fim de verificar e estabelecer objetivos ou méritos para qualquer prática”.
As razões que levam os docentes coordenadores a confiar no seu instrumento são as seguintes: 38% disseram que sempre foi assim e nunca tiveram problemas; 15% porque o instrumento abrange todos os pontos, que geralmente são empregados em entrevistas de trabalho além de confiarem em quem está avaliando; 15% porque a avaliação tem como objetivo principal a orientação do estudante, apontando aspectos que poderão ser melhor aproveitados em outras ocasiões; 8% julga sua avaliação pontual, isto é, está avaliando pontos que o aluno construiu ao longo do curso; 8% porque a avaliação é repassada para o aluno, ao término da apresentação, e dá abertura para o aluno questionar, se for o caso; 8% sua avaliação é simbólica, somente para cumprir formalidade; e 8% porque sua avaliação é baseada em modelos científicos atuais, principalmente nas normas das revistas científicas do assunto afim (GRÁFICO 6).

Nota-se que os docentes coordenadores têm razões variadas para confiarem no seu instrumento de avaliação, distinguindo-se três grupos principais, ou seja, aqueles que nunca tiveram maiores problemas; aqueles que têm como objetivo para o seminário apenas treinamento em comunicação oral da pesquisa e aqueles que considerou o seminário da pós-graduação como uma preparação para uma entrevista de trabalho. Sendo assim, o primeiro grupo é acomodado e não se preocupa se os objetivos do evento estão sendo atendidos ou não. Enquanto os grupos seguintes utilizam um instrumento de avaliação que desconsideram o objetivo essencial do seminário, ou seja, informar à comunidade universitária sobre as pesquisas que estão sendo ou irão ser produzidas nos cursos afins. Discordando assim das palavras de GIL (1991), quando afirma que o seminário é uma categoria de evento de grande relevância, para a valorização e o incentivo à pesquisa científica, principalmente por tratar-se de um instrumento efetivo de divulgação das informações e saberes científicos.
No que diz respeito aos critérios que compõe o instrumento de avaliação, 15% disseram que seu instrumento compreende título e qualidade do resumo, postura diante do público, vocabulário e linguagem, entonação de voz, seqüência na apresentação, nível e conhecimento aparente do assunto, capacidade didática, recursos audiovisuais, tempo de apresentação e habilidade de responder perguntas; 15% apresentação, seqüência, conteúdo, nível técnico, recursos audiovisuais, capacidade de síntese, domínio do assunto e motivação; 15% introdução ao tema abordado, seqüência, domínio do conteúdo, conclusões adequadas ao objetivo proposto, utilização dos recursos audiovisuais, tempo de apresentação adequado, habilidade ao responder perguntas e resumo apresentado; 15% apresentação, conhecimento do assunto, capacidade de síntese, qualidade do resumo, nível técnico, organização, uso de termos técnicos e recursos audiovisuais; 8% apresentação, seqüência, clareza, recursos utilizados, postura, linguagem e domínio do assunto; 8% conteúdo, organização, apresentação, visual e resposta à perguntas; 8% normatização, redação e nível técnico, dicção, dinâmica, uso de linguagem técnica, recursos audiovisuais, motivação despertada, seqüência e nível técnico, tempo previsto, habilidade em responder perguntas e conhecimento aparente do assunto; 8% título adequado, apresentação de objetivos, material e método concisos, tópico objetivo e claro, discussão bem apresentada, postura e linguagem, qualidade dos recursos audiovisuais, seqüência, nível técnico da apresentação, conhecimento aparente do assunto, respostas às perguntas; e 8% resumo, recursos audiovisuais, habilidade em manter o interesse da audiência, clareza de apresentação, bom uso da língua portuguesa, conhecimento do assunto e dosagem de tempo.
Detectou-se que todos os coordenadores consideram somente a apresentação do seminário, isto é, o produto. Deduz-se daí que há descaso, talvez pela não consciência dos objetivos e da importância do seminário de pós-graduação, por parte dos docentes coordenadores. O que não está de acordo com as palavras de GIL (1991), quando deixa claro que o seminário constitui estratégias das mais adequadas aos objetivos do ensino superior, sendo que nos cursos de pós-graduação muitas disciplinas podem ser desenvolvidas inteiramente sobre esta forma e, como todo método de ensino-aprendizagem, todo o processo e o produto passam por uma avaliação.
Quanto aos valores dos respectivos critérios (GRÁFICO 8), 23% dos docentes coordenadores usam conceito de 0 a 10; 23% satisfatório e não satisfatório; 15% conceitos A, B,C, D e E; 15% muito bom, bom, ruim e muito ruim; 15% excelente, bom, regular e reprovado e 8% suficiente, precisa melhorar e não suficiente.

A grande maioria dos professores coordenadores atribuem valores numéricos ou letras aos critérios que observam no momento da avaliação. Eles fazem isso para sistematizar o instrumento de medida do desempenho do aluno ou instrumento de avaliação com o qual objetivam padronização dos critérios da avaliação, a fim de facilitar a operacionalização do processo e de evitar críticas, notas ou conceitos injustos. O que concorda com as palavras de BASTOS (1978), quando diz que a avaliação “é uma atividade que coleta e combina dados relativos ao desempenho do conjunto sistematizado” de critérios ou procedimentos didáticos-científicos do aluno, caso de trabalhos escritos e,ou orais, para obter avaliações comparativas, numéricas ou conceitos.
No que se refere às razões que levaram os docentes coordenadores a usarem tais valores ( GRÁFICO 9), 15 % dos entrevistados disseram que os valores dados revelam a preparação do estudante para a apresentação do trabalho, assim como sua qualidade técnica, 15% porque sempre foi assim; 15% porque acham que os conceitos são auto-explicativos, não prejudicando o aluno; 15% porque com sua experiência, acharam que deveria ser assim; 8% não responderam; 8% porque sempre é discutido em assembléia e os próprios estudantes optaram por esses valores; 8% porque assim corrigem-se os defeitos e apresentam-se novas sugestões para as próximas apresentações do aluno e 8% porque são os pontos mais relevantes a serem considerados na hora de uma avaliação de seminário.

Pelos resultados obtidos, registra-se o nível de preocupação dos docentes coordenadores com a qualidade da avaliação e o saber técnico e científico dos mesmos sobre avaliação do seminário. Pode-se atribuir tais resultados à escassez de tempo, motivação e conhecimento do professor, para desenvolver e atualizar participativamente um instrumento de avaliação capaz de abranger do processo ao produto do ensino-aprendizagem; uma vez que, com base em REIZABAL (1999); DÍAZ BORDNAVE e PEREIRA (1984), a avaliação do seminário tem dupla função: formativa e somatória. A primeira busca avaliar os processos durante os quais tem lugar o fato educativo, incorporando-se a ele desde o começo até o fim. A segunda é válida para valorização do seminário, sendo útil para decidir a qualificação positiva ou negativa do prelecionista. Toda avaliação deve ser realizada de forma que seja o mais justa possível, uma vez que esta é um processo que serve para estimular, apreciar e calcular o mérito ou o valor de algo de maneira justificável.
5. RESUMO E CONCLUSÕES
O seminário ocupa lugar de destaque entre as opções de aula no ensino universitário, tanto a nível de graduação, como de pós-graduação. Pois, apresenta obviamente uma série de vantagens em relação a aula expositiva, para o aluno e professor e,ou coordenador de evento técnico – científico (HOLANDA, 1996; LAKATOS e MARCONI, 1983; VEIGA, 1995).
Contudo, a sua avaliação não é das mais fáceis, visto que envolve sérios encargos para o aluno e professor, desde a preparação até a apreciação final do estudo realizado pelo aluno e da sua apresentação (VEIGA, 1995).
Sendo assim, o processo de avaliação de seminário, quer seja formativa ou somativa envolvendo o uso de critérios e padrões precisos, exatos e satisfatórios, pois trata-se de um julgamento do mérito ou valor do seminário e do prelecionista (DIAZ BORDENAVE e PEREIRA, 1984). Daí a necessidade que ela seja racional e de qualidade (SALOMON, 1972), isto é, instrumento de valorização, de incentivação da educação pela pesquisa, de divulgação das informações e saberes científicos e da produção acadêmica em pesquisa, ensino e extensão (DEMO, 1987 e GIL, 1991).
Para tanto, a construção de um instrumento para avaliação de seminário exige que se contemple a totalidade do seu processo de produção, não apenas o produto; bem como seja submetido à testagem e atualização contínuas na prática.
Nessas condições, os componentes gerais do instrumento são aqueles que dizem respeito à preparação (resumo para o público, recurso multi-sensorial e ensaio prévio), à apresentação (autores, título do trabalho, título de cada capítulo seguido de esquema ou sinopse, quadro ou tabela; bem como a linguagem, dicção, tom de voz, olhar, postura corporal, atendimento ao tempo estipulado para apresentação, domínio do assunto, qualidade do uso dos recursos) e ao debate (habilidade em manter o interesse e responder perguntas).
Tendo em vista as considerações teóricas acima, detectou-se que 92% dos coordenadores adotam um instrumento de avaliação. Porém, se preocupam mais com a qualidade da apresentação, em seguida com a qualidade do assunto apresentado. Merece ressaltar que identificou-se um coordenador que usa avaliação participativa.
Indiretamente, tudo indica que eles reconhecem a importância e necessidade do seminário e da sua avaliação, mas não demonstraram preocupação em avaliar não apenas a apresentação e sim todo o processo dessa disciplina. Pois, alegaram falta de estímulo financeiro, pouca valorização do trabalho do coordenador por parte da instituição e falta de tempo. O que denota a baixa consciência dos coordenadores sobre o valor da disciplina seminário, para o aluno; de forma a motivar o professor a buscar instrumentos mais completos e padronizados para todos os cursos de pós-graduação. Embora, acreditam plenamente nos critérios que atualmente adotam e que eles aplicam uma avaliação precisa.
Entre as limitações deste estudo destacam-se a ausência de uma revisão exaustiva da literatura existente e colher informações junto aos estudantes e de todos os docentes coordenadores do mestrado strito sensu da UFV, uma vez que somente 80% destes foram entrevistados.
Tendo em vista tais limitações, recomenda-se a coleta de dados junto a uma amostra de estudantes de pós-graduação, a fim de sugerir padronização do instrumento na UFV e sobretudo, construir e testar um instrumento que favoreça uma avaliação de todas as potencialidades de educação pela disciplina seminário.
Notas
1 Ex-bolsista do grupo PET/ECD/UFV e estudante de mestrado do curso de Economia Doméstica/UFV. voltar
2 Professora e tutora do grupo PET/ECD/UFV. voltar
Referências Bibliográficas
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DÍAZ BORDENAVE, J. & PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. 6ª ed. Petrópolis: Vozes, 1984. 311p.
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