Uma proposta de educação
ambiental para áreas verdes: o exemplo do Bosque John Kennedy, Araguari/MG
Daniela Vieira Marques[1]
O presente trabalho tem como objetivo compreender a Educação Ambiental inserida no espaço urbano com a finalidade de despertar a tomada de consciência frente ao meio ambiente e especificamente a dinâmica do Bosque John Kennedy, em Araguari.
A cidade de Araguari, localiza-se no Triângulo Mineiro, no Estado de Minas Gerais e, constitui-se como uma cidade de médio porte, apoiando-se economicamente nas atividades agropecuárias.
O Bosque em Araguari constitui-se
como um celeiro, um grande espaço para a implementação e divulgação de projetos
de Educação Ambiental, uma vez que representa uma área verde protegida dentro
do espaço urbano, fazendo parte, assim, da vida da comunidade em geral.
A
Educação Ambiental, constitui-se como uma arma na defesa do meio natural, e
ajuda a reaproximar o homem da natureza, garantindo um futuro com mais
qualidade de vida para todos.
A Educação Ambiental quando
associada a uma área verde, desperta essa tomada de consciência frente ao meio
natural, proporcionando uma maior responsabilidade e respeito para com o Bosque
e, a partir daí, disseminando essas atitudes para outros lugares em geral.
Assim, este trabalho procura
associar Educação Ambiental a área verde de Araguari, o Bosque John Kennedy, na
tentativa de melhor preservar essa área e proporcionar uma tomada de
consciência frente a esse espaço natural.
1 - Justificativa e
procedimentos metodológicos
Um
dos temas mais tratados atualmente pelos diversos setores da sociedade,
principalmente nos meios de comunicação que possuem maior repercussão,
refere-se ao meio ambiente. A atuação do homem frente a esse meio, também, tem
sido muito discutida e, aspectos como preservação e destruição do meio natural,
apresentam-se como de suma importância nessas discussões.
A
escolha desse tema justifica-se pela necessidade em se compreender uma área
verde inserida dentro do perímetro urbano, além de apontar o melhor
aproveitamento dessa área através da educação e principalmente a educação
voltada para o meio ambiente, buscando uma interação harmônica do homem com
essa natureza ainda preservada e localizada numa área urbana, no caso Araguari.
A
escolha da área, o Bosque John Kennedy em Araguari, se deve ao fato dessa área
verde apresentar-se como uma área bem localizada, próxima ao centro da cidade,
revelando uma característica importante, pois a torna de fácil acesso à
população, propiciando maior conforto na sua visitação. Outra característica
importante, é o fato de nesse espaço serem conservadas espécies típicas da
região de cerrado onde a cidade de Araguari se insere.
Assim,
a metodologia empregada levou em consideração o material disponível na
Prefeitura, restrito a alguns folders e um trabalho científico, além de
entrevistas com os responsáveis pelo Bosque, e aplicação de questionários junto
aos visitantes.
Após
aplicação dos questionários os mesmos foram tabulados e analisados e incorporam
o texto deste trabalho. Também foram confeccionados mapas que, retratam a
cidade de Araguari, e a inserção do Bosque na mesma, bem como, detalhes do
Bosque.
Finalizando,
temos ainda a elaboração de placas educativas, além da elaboração de folheto
referente ao Bosque e a Educação Ambiental, visando atrair um público maior e
mais consciente frente às questões ambientais.
2 - Breves Considerações sobre Educação Ambiental
2.1- A questão ambiental: entendendo a Educação Ambiental
A questão ambiental, no Brasil e no mundo, vem ganhando um enfoque cada vez maior no decorrer das últimas décadas. Este enfoque tem sido demonstrado por várias ações, que um certo número de países estão tomando em favor do meio ambiente, como a criação de leis severas de proteção ao meio ambiente.
No entanto essa questão, de maneira geral, vem percorrendo caminhos tortuosos no que diz respeito à relação homem-natureza. Isso se deve à forma de apropriação do homem frente à natureza, principalmente quanto à exploração dos recursos naturais que ocorre em ritmo acelerado e de modo predatório, ficando essa relação em desequilíbrio e, com total prejuízo à natureza.
A
preocupação com a questão ambiental é melhor observada a partir da Revolução
Industrial, quando a exploração dos recursos naturais aumenta, visando
abastecer a indústria nascente e atender os interesses capitalistas. Portanto,
a tomada de consciência frente ao meio ambiente acontece a partir do momento em
que o homem percebe que a sua sobrevivência depende da manutenção do meio em
que vive e que os problemas ambientais são uma ameaça constante à espécie
humana.
A questão ambiental, e especificamente a Educação Ambiental, vem evoluindo, no decorrer da história, no que diz respeito aos conceitos e aplicação, e principalmente, quanto a importância que as mesmas assumiram, atualmente, frente a sociedade, cada vez mais globalizada.
Junto a toda essa problemática ambiental, a Educação Ambiental surge como um dos artifícios na luta em favor da tomada de consciência frente às questões ambientais, pois "a educação para o meio ambiente é (...) uma das estratégias para deter o processo de degradação e propiciar condições para a conservação da natureza" (COLESANTI, 1994: 132)
A
partir disso, podemos entender a Educação Ambiental como:
"sendo elemento integrador de
sistemas educativos que dispõe a sociedade para fazer com que a comunidade tome
consciência do fenômeno do desenvolvimento e de suas implicações ambientais.
Para tanto, deverá servir não só para transmitir conhecimentos, mas também para
desenvolver habilidades e atitudes que permitam ao homem atuar efetivamente no
processo de manutenção do equilíbrio ambiental, de modo a garantir uma
qualidade de vida condizente com suas necessidades e aspirações."
(KRASILCHIK, apud COLESANTI, 1994: 29)
A Educação Ambiental surge dessa necessidade de uma maior integração entre o homem e o meio que o cerca, visando mostrar o quão importante é a relação homem-natureza e a continuidade desse equilíbrio.
Outra
necessidade, é apresentar que a qualidade de vida depende de uma maior
conservação do meio ambiente, promovido pelo cuidado de todos, e, que cada
sociedade possui um grau diferente de exigência frente a natureza, ou seja,
cada sociedade tem um ritmo de crescimento, de desenvolvimento próprio e por
conseguinte diferentes maneiras de usufruto da mesma.
Contudo, apesar dos diferentes usos, a idéia de cuidados com a natureza deve estar presente em todas as sociedades, pois toda e qualquer ação do homem no meio refletir-se-á para as gerações futuras.
2.2 - Educação Ambiental: alguns antecedentes
A partir das conferências internacionais, a Educação Ambiental, começa a ganhar um formato, com parâmetros, princípios, objetivos, metas, dentre outros, como foi o caso da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo (Dinamarca), em 1972, onde "a Educação Ambiental passou a ser considerada campo da ação pedagógica, adquirindo relevância e vigência internacional" (SECRETARIA DA EDUCAÇÃO, 1998: 14).
Também a Carta de Belgrado, produzida em 1975, promoveu diversas discussões sobre Educação Ambiental, onde diversos especialistas do tema no mundo definiram como meta desenvolver um cidadão consciente do "ambiente total", ou seja, além de estar ciente dos problemas ambientais, também promova ações, individuais e/ou coletivas, para solucionar problemas atuais e prevenir futuros.
Outra conferência internacional que deu
continuidade às discussões sobre Educação Ambiental, foi a Conferência da ONU
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento ocorrida em Tibilissi, na Geórgia, em
1977 que estabeleceu como objetivo fundamental:
"fazer com que os indivíduos e as coletividades compreendam a
natureza complexa tanto do meio ambiente natural como do criado pelo homem -
resultante da integração de seus aspectos biológicos, físicos, sociais,
econômicos e culturais - e adquiram os conhecimentos, os comportamentos e as
habilidades, práticas para participar responsável e eficazmente da preservação
e da solução dos problemas ambientais." (ZAJACZKOWSKI, 1998:documento2)
Esses foram alguns antecedentes internacionais que serviram para abrir os olhos de vários países do mundo, inclusive o Brasil, para a questão do meio ambiente, e a importância de sua manutenção.
Quanto aos antecedentes nacionais, com relação ao meio ambiente, eles só se tornam claros a partir da criação de algumas leis como a Lei 6.938/81, de 31/08/81, criando a Política Nacional do Meio Ambiente, onde a Educação Ambiental está contemplada, mas que no entanto só foi regulamentada em 1990. Desse modo, só efetivamente a partir da Constituição de 1988 é que o meio ambiente e a Educação Ambiental são contemplados com uma lei que "impõe ao Poder Público e à coletividade: promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente." (ASSUNÇÃO, 1995: 74)
A Educação Ambiental vem se colocar como uma formadora de valores, promovendo junto e a partir dos indivíduos ações em favor da natureza e por conseguinte do próprio homem. A relação existente entre Educação Ambiental e o indivíduo, nos remete a entender a organização onde o mesmo se encontra, no caso, as cidades, bem como a natureza inserida nesse meio ambiente urbano representado pelas áreas verdes, tema esse abordado no próximo capítulo.
2.3 – A percepção ambiental: uma breve caracterização
Ao tratar a temática ambiental, vê-se a necessidade de abordar a questão da percepção em relação ao ambiente que a cerca. A percepção insere-se na linha temática da topofilia, que é a ligação afetiva entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico.
Tal percepção advém dos cinco sentidos humanos, que ajudam a sentir e entender o mundo que rodeia. Partindo disso, observa-se que cada indivíduo irá perceber o meio em questão de formas diferenciadas, proporcionando também, reações diversas, referentes ao mesmo espaço. O meio ambiente está intrinsecamente ligado à topofilia. E esta, ao influenciar a percepção do meio gera diferentes formas desse indivíduo interagir, desfrutar e cuidar desse espaço.
A percepção ambiental ocorre a partir do
conhecimento e do entendimento do indivíduo em relação ao meio em que está
inserido, sofrendo influências das esferas sociais e culturais. De forma geral,
a percepção está presente todo o tempo na vida do homem, pois este está sempre
buscando entender o mundo que o cerca e na medida desse entendimento, interagir
com ele.
A esfera perceptiva
é influenciada pelo meio em geral, apontando a possibilidade de modificar essa
percepção, para melhor ou para pior, para gostar ou não, etc. Através da
percepção tem-se a formação do conhecimento em relação a determinado meio ou
espaço. É necessário estar sempre modificando, ampliando, aprofundando esse
conhecimento, para aí sim, criar um sentimento topofílico, seja de afeto,
cuidado, e/ou preservação. É
necessário aliar Educação Ambiental com a percepção do indivíduo em relação a
natureza para que objetivos preservacionistas, conservacionistas, dentre
outros, sejam alcançados e durem por várias gerações.
3 - Áreas verdes e Espaços
Públicos
3.1 - Meio Ambiente Urbano
A questão ambiental dentro da cidade vem sendo muito discutida, pois, a mesma está sempre associada a qualidade de vida, algo bastante valorizado nos dias atuais.
A partir disso, "a questão ambiental deve ser compreendida como um produto da intervenção da sociedade sobre a natureza" (RODRIGUES, 1998:13), ou seja, é o próprio homem que determina a manutenção ou não do meio natural nas cidades resultando numa maior ou menor qualidade de vida.
Observando-se
a questão ambiental e a produção da cidade, nota-se o grau de importância que o
espaço assume frente as transformações que esse meio constantemente sofre,
promovido pelo processo de acumulação de capital, isso se deve ao fato de toda
a (re)organização processada na cidade envolver um espaço que, muitas vezes era
ocupado por um meio natural, daí a necessidade de cada vez mais levar em
consideração a questão ambiental.
O meio ambiente urbano, sendo o "conjunto das edificações, com suas características construtivas, sua história e memória, seus espaços segregado, a infra-estrutura e os equipamentos de consumo coletivo" (RODRIGUES, 1998: 104), precisa estar atento a todas essas categorias para que o mesmo não termine apenas em concreto.
A natureza está inserida em diversos momentos do meio ambiente urbano, seja fazendo parte, como as áreas verdes, seja sendo excluído para dar lugar ao concreto. Cada vez mais, o meio natural vem fazendo parte apenas da história e em alguns casos da memória da cidade ou sendo relegada apenas aos espaços segregados com benefícios de poucos.
Esse meio ambiente urbano está em contínua transformação, (re)organização, mutação, sempre buscando um maior desenvolvimento. Isso é conseguido, mudando populações de lugar, levando-as para novos espaços incorporados à cidade, também, retirando o meio natural existente no meio urbano, promovendo uma urbanização.
Segundo RODRIGUES (1998), a cidade possui toda uma dinâmica, todo um ritmo de transformações e destruições que se traduzem no meio ambiente urbano, pois o mesmo caracteriza-se pelas ações promovidas na cidade. E, em muitas dessas ações o meio natural acaba por ser banido, sendo substituído pelas formas concretas de desenvolvimento, como a construção de prédios, ruas, impermeabilização de determinadas áreas (calçadas, terrenos, etc.), dentre outras formas. RODRIGUES mostra que:
"o meio ambiente natural tem sido
(re)incorporado como demonstrativo de qualidade de vida que pode ser comprada
como: o 'ar puro' e/ou a possibilidade de morar próximo ao 'verde', ao sossego,
etc. dos loteamentos 'modernos' ou ao lazer dos parques públicos ou de prédios
inteligentes." (1998: 106-107)
Nota-se,
a partir disso, a capitalização do meio natural presente ou produzido na
cidade. Ao tornar-se mercadoria, a natureza localizada no meio ambiente urbano,
passa a figurar no interesse de todos, com diversas finalidades, sejam aqueles
governantes, empresários, produtores imobiliários, comunidade em geral, etc.
Mediante a todos esses interesses,
"(...) a qualidade ambiental urbana
requer sistemas de política e gestão do meio ambiente extremamente informados,
apoiados na pesquisa contínua, nos estudos e relatórios de impacto ambiental e
de vizinhança, na participação plena dos usuários urbanos, dos cidadãos, quanto
às decisões a serem tomadas." (QUESTÃO AMBIENTAL URBANA, 1993: 512).
A natureza fazendo parte do desenvolvimento do ambiente urbano, cria a necessidade de uma gestão da mesma, onde as decisões a esse respeito sejam tomadas por todas as partes envolvidas ressaltando o interesse coletivo.
Planejar se torna uma via indispensável ao processo de urbanização e ao desenvolvimento do meio urbano, envolvendo além dos pesquisadores, também as autoridades e a comunidade para que as ações propostas, realmente sejam aplicadas e surtam um resultado bom para todos. Ao se pensar na organização da cidade, promovida através de um planejamento envolvido pelas questões sociais, políticas, econômicas e naturais, chega-se ao desenvolvimento com mais qualidade de vida.
Seguindo essa lógica, vê-se, como a partir da problemática ambiental, e todos os interesses envolvidos, o Estado novamente assume sua função e o espaço ganha importância materializado na disputa pelo território.
Então, mais uma vez é demonstrada a importância dos vários segmentos que compõem a sociedade, na produção e (re)organização do meio ambiente urbano, onde cada qual exerce uma função, importante, no desenvolvimento da cidade.
O meio ambiente urbano está recheado de problemáticas, solúveis ou não, que estão constituídos por interesses diferenciados os quais terminam por traçar os rumos e a configuração desse meio.
Por isso, o meio ambiente urbano, e especificamente a constituição das áreas verdes para a conseqüente melhoria da qualidade ambiental e de vida, ficam sujeitados à vontade de particulares, como por exemplo no caso da especulação imobiliária e dos loteamentos desordenados.
3.2 - Áreas verdes e espaços públicos
A qualidade de vida, é uma procura constante dentro da cidade, e as autoridades, em geral, procuram promover o aumento dessa qualidade através de vários artifícios, como as leis de proteção ao meio natural. Essa qualidade, geralmente está associada dentro do meio ambiente urbano, à presença da natureza, do meio natural.
Por
isso, cria-se a necessidade de implementação de espaços verdes na cidade para
um conseqüente aumento na qualidade de vida urbana.
O
meio ambiente urbano, não é constituído apenas das edificações, do concreto,
mas possui toda uma configuração, que envolve todo um caráter social de memória
e história, além da infra-estrutura, dos espaços segregados e dos equipamentos
de uso coletivo, onde se insere o meio natural, a natureza propriamente dita.
Assim, é necessário deixar claro que o bem coletivo deve estar acima do bem individual, pois
"a compreensão da natureza como um bem público constitui uma etapa
indispensável à superação das intervenções predatórias sobre o meio ambiente e
à identificação e controle dos grupos sociais que operam estas mudanças" (BRESSAN, 1996: 77).
Ao
analisar a formação dos equipamentos coletivos proporcionados e de
responsabilidade do poder público tem-se como resposta os espaços livres. E,
segundo COLESANTI (1994:65), tem-se que
"(...) o espaço livre de edificação,
como um dos elementos básicos da configuração do desenho da paisagem urbana, é
freqüentemente associado a função de lazer e entendido como praça, jardim ou
parque, e deve ser analisado em face das atividades e necessidades do homem
urbano."
Entendendo a paisagem urbana como algo do cotidiano do homem nas cidades, ou seja, o espaço onde o mesmo está inserido, nota-se a importância assumida por esses espaços e a função que os mesmos exercem no viver diário de cada habitante, que na atualidade, tais espaços, praças, jardins, parques, enfim, qualquer área verde, assume um grande valor frente as atividades e pressões exercidas pelo e no homem moderno.
Esses espaços, ainda podem ser classificados como destinados a recreação ou como conservador de algum recurso natural, e nesse caso com acesso restrito da população como é o caso das Reservas Naturais.
O poder público é o grande responsável pela gestão e acesso a qualquer área livre presente no meio urbano e, consequentemente, pela seu destino, apontando qual será o uso daquela área, bem como, sua conservação.
Os espaços livres, mesmo os destinados apenas à recreação, precisam conter vegetação devido a necessidade que o homem tem de estar em contato com a natureza, mesmo pouco representativa, como no caso das praças, por exemplo.
As áreas verdes, que apresentam um número maior e mais diversificado de vegetação, estão muitas vezes nos espaços livres e de responsabilidade do poder público. Assim sendo, um espaço público, precisa ser acessível a toda comunidade indistintamente, pois segundo CANEPA e ELY apud BRESSAN (1996), o bem público é caracterizado pela não exclusão e pela não rivalidade, além de ser originário de processo público e não através de mercado.
Espaços públicos, como as áreas verdes, necessitam de conservação, de cuidados, de manutenção, e tudo isso precisa contar com a promoção do Poder Público que aliado à comunidade, em geral, alcançará melhores resultados, em qualquer ação.
Contudo, nem sempre estas ações são implementadas e o que ocorre é uma degradação da área e até sua extinção, acarretando uma perda da qualidade ambiental e de vida da sociedade.
As áreas verdes não se
restringem única e exclusivamente aos espaços públicos, mas as que estão
inseridas nele devem estar livres ao acesso da população. Apesar de algumas
áreas verdes estarem sob a responsabilidade de particulares, as mesmas estão
sujeitas a leis que regem cada categoria de área verde.
O meio ambiente urbano apresenta um cenário complexo, onde a atuação de cada personagem é de fundamental importância para o seu entendimento. Cada personagem tem seu papel e, contribui na constante (re)organização desse meio urbano, onde é de fundamental importância observar a memória e a história para que essas transformações apresentem resultados satisfatórios para todos os lados envolvidos.
Na questão do meio natural, dentro do meio ambiente urbano, o papel do poder público é bastante relevante quanto a gestão destes espaços e também como mediador dos interesses inerentes aos espaços livres e as áreas verdes constantes no meio urbano.
4 – Araguari: um breve histórico
Fundada
em 1888, a partir de uma vila iniciada nas proximidades da Igreja do Senhor Bom
Jesus da Cana Verde, a cidade de Araguari origina-se, segundo FERREIRA (1999),
assim como toda a região do Triângulo Mineiro, com as expedições dos jesuítas e
bandeirantes, e posteriormente com as expedições de exploração de ouro que
contribuíram para a criação de arraiais.
“O município de Araguari encontra-se na
Microrregião de Uberlândia e localiza-se na porção nordeste do Triângulo
Mineiro, possui quatro distritos (Amanhece, Florestina, Piracaíba e Santo
Antônio) e sua sede municipal está situada a 18º 31’ 59” de latitude sul e 48º
11’ 35” de longitude oeste de Grenwich (Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da
Cana Verde), encontrando-se a 941 metros de altitude, na antiga Estação
Ferroviária.” (FERREIRA, 1999: 17)
A cidade de Araguari teve seu início
em meados do século XIX, a partir da doação de terras à Igreja. A partir daí,
foi construída a Igreja do Senhor
Bom Jesus da Cana Verde e em suas imediações foi fundado o povoado, denominado
primeiramente de “Arraial da Ventania”, em 1854, pertencente ao distrito de
Bagagem (Estrela do Sul). Mais tarde, em 1882 o distrito passou a ser
considerado município, com o nome de Brejo Alegre (ainda pertencendo a comarca
de Bagagem) e, em 28 de agosto de 1888, é elevada a categoria de cidade com o
nome de Araguari.
Araguari apresenta características
de cidade de pequeno porte, com uma população total de 95.403 hab. O município
abrange uma área total de 2745,85 km2 e localiza-se no Planalto
Central.
As características naturais da
cidade, apontam-na como sendo típica da região do cerrado brasileiro, com uma
vegetação predominantemente de cerrado, e onde os chapadões são as formas de
relevo mais encontradas, além de temperaturas médias variando entre 18 e 28º C.
Situada na Bacia do rio Paranaíba, a
cidade de Araguari conta com alguns rios de importância regional, como o Rio
Araguari e o Rio Jordão, que se somam a alguns cursos importantes para a cidade
como o Ribeirão Piçarrão, Ribeirão das Araras, Ribeirão Mata Boi e o Córrego
Brejo Alegre que cruza o perímetro urbano e recebe o esgoto da cidade,
inclusive clandestino.
Economicamente,
a cidade apoia-se na agricultura e pecuária, destacando-se a bovinocultura e o
café, como as atividades mais representativas, além de hortaliças (tomate) e
grãos (soja e milho).
A
cidade não conta com um parque industrial forte, mas existem algumas indústrias
importantes para a economia municipal, tais como indústrias de suco de frutas,
industrialização de tripas, adubos, manufaturas de maquinários para
frigoríficos e laticínios, etc.
Na
área dos transportes, a cidade está bem servida nos seguintes setores:
rodoviário, com a BR 050, MG 223, MG 413 e MG 414; ferroviário com as estações
de ferro Vitória-Minas (CVRD) e FEPASA, que constituem o corredor de exportação
para Vitória e Santos; e o aéreo, com o aeroporto Santos Dumont para aviões de
pequeno porte que sedia o Aeroclube de Araguari.
A
cidade de Araguari apesar de contar com toda essa infra-estrutura, e
características, ainda apresenta-se como uma cidade de pequeno porte e com
poucos atrativos econômicos. Em contrapartida possui um patrimônio natural de
suma importância, que conserva espécies típicas do cerrado, que é o Bosque John
Kennedy, que se constitui como um atrativo tanto para as pessoas da cidade,
quanto para as cidades vizinhas, além de se localizar próximo a área central.
5 – O Bosque John Kennedy
5.1 – Caracterizando o Bosque John Kennedy
O Bosque John Kennedy, encontra-se localizado na área urbana do município de Araguari (48º11’19” W e 18º38’35” S) e configura-se como um patrimônio natural, abrigando diversas espécies vegetais, bem como pássaros e outros pequenos animais, segundo afirma ARAÚJO, et ali (1995).
A primeira
referência sobre o bosque é de 3 de novembro de 1899, quando é criada a Lei nº
73 autorizando a sua conservação pelo executivo. Constituindo-se de uma área de
11,2 ha, o bosque recebeu três nomes, ao longo de sua história, Capão, quando
da sua criação; Parque Siqueira Campos e atualmente é chamado Bosque John
Kennedy.
Na
década de 70, o bosque ganhou calçamento nas alamedas, um coreto-palco,
aviários e jaulas para animais selvagens. Atualmente o bosque conta com toda
uma infra-estrutura já montada, com depósito, palanque, restaurante, dois
sanitários, viveiro de pássaros, playground, pombal, capela. Conta também com
um orquidário, uma sala de aula ao ar livre, existe uma identificação das
árvores ao longo do caminho, um guarda-corpo para idosos e deficientes físicos.
Outra mudança
foi a retirada, em 1997, dos animais que haviam no bosque, devido a
inviabilidade em se manter os mesmos no local, pois a infra-estrutura existente
não é adequada a manutenção de animais.
O
bosque, ao longo de sua história, foi e continua sendo de grande importância
para a sociedade araguarina, pois, no passado era palco dos passeios de toda
população. Em determinadas épocas de sua história, o bosque foi o ponto dos
serões na cidade onde ocorriam apresentações em seus coretos, que na sua
maioria eram bandas musicais.
Atualmente, essa tradições vem sendo perdida, e não acontece mais com tanta freqüência as apresentações de bandas e nem outra atividade cultural. As vezes, uma ou outra atividade são realizadas como as comemorações do dia do Meio Ambiente e o dia do Exército.
Em relação ao acervo natural presente no parque, este é composto por matas mesófilas semi-decíduas, características da região de cerrado do Brasil Central.
O
patrimônio natural encontrado no Bosque John Kennedy, é conhecido popularmente
como “capões de mato”, isso, segundo ARAÚJO, et ali, que realizou um estudo das
características fitogenéticas do local, onde se constatou que
“foram encontradas 113 espécies arbóreas
nativas, representadas por 1523 árvores por hectare, não fazendo parte do
estudo as arbustivas, herbáceas, epífitas e lianas (cipós), que, em
levantamento total poderia chegar a mais de 300 espécies. Esses números indicam
que o Bosque de Araguari, embora seja uma mata urbana, apresenta acentuada
riqueza e diversidade de espécies, como outras matas nativas da região.”
(1995:12)
Desta
forma, temos um panorama da riqueza natural que a cidade de Araguari guarda em
seu meio urbano, mostrando a necessidade em se conservar e preservar esse
espaço.
Algumas
espécies conhecidas da população podem ser encontradas na mata como: Peroba;
Jacarandá, Ipê-amarelo; Ipê; Cedro; Gameleira; Pitanga; Jequitibá; Tento;
dentre outras.
Assim,
após conhecer essa diversidade fitogenética, o Bosque John Kennedy assume
diversas finalidades, como, patrimônio natural, atrativo para o turismo
ecológico, fonte de pesquisa, espaço público e um local de lazer para a
população, dentre outras.
5.2 – Análise crítica dos dados obtidos
A aplicação de questionários como metodologia de trabalho visa conhecer melhor os visitantes do Bosque John Kennedy de Araguari, bem como suas expectativas diante do mesmo. Para tanto foi aplicado um total de 20 questionários que perfazem 10% do total/semanal de visitantes do parque.
A partir do gráfico 1 abaixo, tem-se as percepções das pessoas frente ao Bosque. Vários motivos são apontados para explicar o porquê da vinda ao Bosque, os mais citados foram passear (20%) e por causa das crianças (20%), outro também lembrado foi a tranqüilidade/paz (15%). Isso demonstra que o Bosque ainda representa uma opção de lazer tanto para os araguarinos quanto para a cidade de Uberlândia. E no caso dos araguarinos, talvez a única, resposta essa citada por 10% dos entrevistados.

Fonte: Pesquisa direta, 2000
A
metade dos visitantes entrevistados preferem vir ao Bosque com a família (50%)
e 30% preferem estar sozinho nas suas visitas. Esses dados mostram um retrato
dos visitantes, onde se observa muitas famílias no local e, em contraposição,
algumas pessoas sozinhas, conforme gráfico 2.

Fonte:
Pesquisa direta, 2000
Ao
identificar o que mais chama a atenção no Bosque, três itens, que estão
relacionados entre si, foram mais citados, a natureza/verde, as árvores, e o ar
puro/silêncio, mostrando a importância da vegetação presente ali, bem como sua
preservação, números apresentados no gráfico 3.

Fonte: Pesquisa direta, 2000

Dentro do Bosque não existem
atividades recreativas preparadas para a população por isso, passear (com cerca
de 35%) e fazer caminhada (quase 30%) sejam as atividades mais citadas pelos
visitantes, conforme gráfico 4.
Fonte: Pesquisa direta, 2000
Dentre
as modificações mais pedidas está a volta dos animais, com 37% dos pedidos.
Essa modificação, em especial, se deve ao fato de a alguns anos atrás existirem
algumas espécies no local e , foram retirados devido a falta de condições
oferecidas pelo lugar. Em torno de 25% dos entrevistados pensam que não devem
ocorrer modificações no Bosque.
Outras
modificações colocadas foram a maior limpeza do local, colocação de mais
atrações, ser aberto à noite e mais segurança. Isso mostra que apesar da paz e
tranqüilidade buscada pelos visitantes, eles também querem mais atrações, mais
atividades, enfim, querem algo mais além da natureza para observar. (Veja gráfico
5)

Fonte: Pesquisa direta, 2000
Os questionários apontam a necessidade de mudança em relação ao bosque visando tanto sua conservação quanto a melhor utilização, proporcionando para a população, mais um lugar de lazer, investido de um cunho educativo e de preservação.
5.3
– Proposta de Educação Ambiental para o Bosque John Kennedy
Pensar propostas em educação e, principalmente, com a temática ambiental, pode se tornar uma tarefa difícil quando a população não está envolvida, engajada no processo.
Para
tanto, conhecer e diagnosticar o que a população pensa do local em questão é
muito importante, para que os esforços em propor atividades educativas surtam
os efeitos esperados.
O Bosque John Kennedy, atualmente, vem sendo sub-utilizado, apresentando raras atividades, isso vem desestimular a população, a qual deixa de freqüentar com maior assiduidade o local, conforme comprovado nas pesquisas do item anterior.
Existem algumas deficiências no bosque, como a falta de placas educativas nos caminhos, maior número de lixeiras e mais visíveis e, o mais pedido pelos visitantes, atividades em geral.
Assim, a partir deste momento, serão colocadas algumas propostas envolvendo Educação Ambiental, visando um melhor aproveitamento das dependências do Bosque J.K., bem como sua preservação, promovendo assim, nos visitantes, uma tomada de consciência frente as questões ambientais.
A
primeira proposta, diz respeito as placas educativas que devem constar nos
caminhos do bosque. Essas placas fazem-se necessárias pois um ambiente
envolvido por verde de todos os lados, coloca-se como um excelente local para
divulgar os cuidados que se deve ter com a natureza, como a preservação, além
de incitar o afeto a essa natureza. Alguns exemplos de placas educativas, com
tema referente ao meio ambiente, podem ser vistas a seguir.
Ajude a natureza sempre que puder. Cuide das árvores! Conserve
e proteja os recursos que você compartilha com outras pessoas, como:
recicle papel, vidro e latas.



Figura 1: Exemplos de placas
educativas
Aliado às placas educativas, está o folder que ajuda na divulgação do Bosque J.K. para a população araguarina e também para outras cidades. Outra função do folder é também divulgar a educação ambiental realizada no parque.
Outra proposta que está muito relacionada com esse ambiente natural é a que trata do lixo e seus destinos. Desse modo, nada melhor que começar uma prática educativa, como a Coleta Seletiva de Lixo, num local onde a natureza está preservada, e mais, inserida no meio urbano.
A Coleta Seletiva traz uma mudança de comportamento frente a separação do lixo e também ao seu destino ou reciclagem. A partir dessa coleta várias atividades podem começar, como oficinas que trabalhem artesanatos feitos do lixo, dentre outras oficinas.
Essa
prática só torna-se possível com a colocação de lixeiras para a separação do
lixo em pontos estratégicos do parque, cobrindo toda sua extensão, e a realização
de trabalhos educativos, onde a população participe e coopere com a coleta
seletiva. As lixeiras compreendem 4 recipientes, um para: metal (amarelo),
vidro (verde), papel (azul), e plásticos (vermelho), conforme exemplo da figura
2.




Figura 2: Exemplos de containers de
lixo usados na coleta seletiva
Quanto as atividades recreativas, estas podem envolver as oficinas de reciclagem do lixo, bem como festivais musicais, exposições em geral, visitas escolares, aproveitando a sala de aula ao ar livre, concursos, como a eleição do símbolo do Bosque J.K., passeios temáticos. Também a criação de alguns projetos, como ampliação do orquidário, até mesmo abrigando outras espécies de plantas; o Domingo no Parque, com gincanas e apresentações diversas. A Feira de Artesanatos, contribuiria muito com as atividades realizadas no domingo, oferecendo outra forma de entretenimento à comunidade, além de valorizar os produtos confeccionados e produzidos na cidade.
As flores deveriam ser mais valorizadas com a implementação de jardins, contemplando diversas espécies, melhorando assim o aspecto paisagístico do local. Outra sugestão é a criação de um Museu com a história da cidade e do próprio Bosque, oferecendo à população uma alternativa para visitação.
Para facilitar e melhor aproveitar o Bosque, a colocação de monitores no local, servindo como guias, ajudaria os visitantes, tornando sua visitação mais educativa. A criação de uma capela ecumênica, seria outra sugestão voltada para o aspecto contemplativo e de meditação, que atrairia um público mais voltado para esses aspectos.
O mais importante nessas atividades e em quaisquer outras, é a mensagem educativa de preservação do meio ambiente e principalmente desse local que representa muito para a cidade de Araguari.
Durante
o trabalho vimos o quão importante é a Educação Ambiental para o meio ambiente.
A associação educação-meio ambiente é bem promissora, na medida que promove uma
interação entre o homem e o meio natural e com isso sente-se maior interesse em
manter a natureza inserida no meio urbano e principalmente, cuidar dela.
Na
medida em que o homem percebe a natureza, e se vê como parte dela, fica mais
fácil preservar para que as gerações futuras conheçam estes exemplares da natureza
bem perto de nós.
As áreas verdes devem estar presentes na vida de uma cidade, cada vez mais, pois são um importante instrumento na luta contra o concreto e a favor do aumento da qualidade de vida.
Para
tanto, é preciso explicar à população o porquê dessas áreas verdes no meio
urbano, ressaltando os benefícios para a vida de cada um dos habitantes desse
meio. E aí, nada melhor do que a educação voltada para o meio ambiente atuando
na frente dessa luta. Atuação essa que deve se dar de forma interdisciplinar,
resultando assim em melhores
resultados.
E,
para que isso aconteça e os resultados sejam alcançados, a participação da
população em todo o processo, levando em consideração suas expectativas, seus
anseios, etc., é de fundamental importância, pois tudo que é feito, é na busca
da maior interação entre o homem e a natureza, buscando a harmonia nessa
convivência.
Assim, o Bosque representa um papel muito importante nessa tomada de consciência, visando uma nova atitude do homem frente ao meio natural.
Essa
tomada de consciência traz benefícios para a natureza, como a conservação de
uma grande diversidade de exemplares da vegetação nativa de cerrado, mas,
principalmente, oferece ao homem a oportunidade de viver melhor e ter maior
contato com meio natural.
Concluindo, o Bosque representa muito como patrimônio natural para a cidade e, por isso, deve-se começar ali esse trabalho de Educação Ambiental, que muito contribui na aproximação e na melhor interação entre o homem e a natureza, e fazendo com que a natureza não fique oculta, no espaço urbano, pelo concreto das construções.
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