Este trabalho é
o resultado parcial da pesquisa monográfica de conclusão do Curso de
Especialização em “Arte Educação Infantil” da Universidade Federal de Juiz de
Fora, realizado no período de setembro de 2000 a setembro de 2001.
Através de minha
experiência profissional, observo as dificuldades enfrentadas pelas crianças
portadoras de necessidades especiais e de suas famílias para derrubarem as
barreiras da inserção no contexto social, educacional e profissional.Com o
aprofundamento de meus estudos, encontrei, na leitura sobre o paradigma da
inclusão, respostas para muitas questões incompreensíveis em meu raciocínio. Ao
apresentá-lo, direciono meu olhar para o futuro com a certeza de que as pessoas
deficientes terão oportunidades iguais por direito de cidadania.
II - OBJETIVO
Nesse momento
desejo mostrar a importância da educação infantil inclusiva para o pleno
desenvolvimento das potencialidades cognitivas, emocionais e sociais das
crianças portadoras de necessidades especiais, assim como demonstrar a
ocorrência do deslocamento de sentidos e da própria prática social do paradigma
da exclusão para a inclusão.
III – METODOLOGIA
Trabalhei com a
abordagem qualitativa de pesquisa em sua modalidade de estudo de caso. Segundo
LÜDKE e ANDRÉ (1986, p.17)
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Aluna do curso de Especialização “Arte Educação Infantil” da Universidade
Federal de Juiz de Fora e professora da rede Estadual de Ensino.
A pesquisa qualitativa ou naturalista, segundo
Bogdan e Biklen (1982), envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no
contato direto do pesquisador com situação estudada, enfatiza mais o processo
do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes.
As autoras também discorrem
sobre o estudo de caso esclarecendo que (1986, p.17)
O estudo de caso é o estudo de um caso, seja ele simples e específico (...) O caso é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. O caso pode ser similar a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular. Segundo Goode e Hatt (1986), o caso se destaca por se constituir numa unidade dentro de um sistema mais amplo.
O
trabalho vem sendo desenvolvido junto às três instituições especializadas com o
maior número de matrículas e/ou atendimentos no município de Juiz de Fora. Além
da coleta de dados, serão realizadas entrevistas semi estruturadas sobre o
número de crianças deficientes matriculadas nas creches e escolas de educação
infantil da rede pública de Juiz de Fora.
IV - DESENVOLVIMENTO
O paradigma da
inclusão começou na segunda metade da década de 80, constituindo-se hoje, um movimento
mundial, caracterizando-se como um processo irreversível de mudanças éticas,
sociais e educacionais.
Na década de 70,
muitos alunos deficientes foram integrados nas escolas regulares, o que
caracterizou um momento de mudanças; e a partir de 1980 houve um maior impulso
com o surgimento das lutas pelos direitos das pessoas portadoras de
deficiência. Ao recuarmos às décadas de 50 e 60, observamos que já nessa época,
nos EEUU, os alunos começaram a ser aceitos, nas escolas regulares, pelo menos
por meio turno devido ao esforço de alguns pais, que se organizaram em
associações iniciando ações legais e reivindicando a educação de seus filhos.
Também um grupo de líderes da educação especial começou a defender o direito,
dos alunos com deficiência, de freqüentarem ambientes escolares mais
normalizados com seu pares. Vimos nessa trajetória que o processo de inserção
do portador de deficiência percorreu um caminho onde as pequenas conquistas
alcançadas tornaram-se importantes medidas para as mudanças atuais. Na década
de 90, porém, o movimento de inclusão tomou um grande impulso. Um marco
importante para esse avanço foi a realização da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, em
Salamanca, na Espanha, em 1994, quando se reafirmou o compromisso com a
Educação para Todos, reconhecendo-se a necessidade e urgência, entre outros
direitos, do princípio de uma educação inclusiva, em forma de lei ou de
política, matriculando todas as crianças, independentes de suas diferenças, em
escolas regulares. SASSAKI (1999, p.41) conceitua a inclusão social
como o processo pelo qual a sociedade se adapta para
poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades
especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade.
A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual, as pessoas,
ainda excluídas e a sociedade buscam, em parceria equacionar problemas, decidir
sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos.
Com o avanço nas
pesquisas das práticas inclusivas, observa-se a necessidade do encaminhamento
da criança portadora de necessidades especiais para a estimulação essencial
desde o seu nascimento, para que não haja prejuízos mais graves no seu
desenvolvimento e também para que sua matrícula seja garantida na rede regular
de ensino, a fim de que seu processo educacional possa iniciar sem nenhum
retrocesso.
Como enfatiza
Sassaki, a inclusão social é um processo bilateral no qual todas as pessoas se
beneficiam, através da diversidade de experiências, enriquecendo o cotidiano e
oportunizando variadas situações nas aprendizagens.
Temos hoje dados coletados junto às três instituições especializadas e à rede municipal de ensino regular, os quais nos revelam algumas considerações importantes, tais como:
- nos anos de
1999 e 2000, não foi atendida nenhuma criança na faixa etária de 0 a 3 anos de
idade e o número de alunos de 4 a 6 anos atendidos nas instituições
especializadas é muito pequeno.
- na rede municipal de ensino regular,
observamos uma demanda bastante significativa de matrículas na faixa etária de
0 a 6 anos, demonstrados através de gráficos (em anexo), evidenciando um
deslocamento do paradigma da exclusão para o da inclusão.
VI – CONSIDERAÕES PRELIMINARES
No início da
pesquisa era esperado um número elevado de atendimentos às crianças de 0 a 6
anos de idade com algum tipo de deficiência nas instituições especializadas. A
constatação de uma demanda maior na rede municipal de ensino regular é motivo
de alegria e esperança de que a sociedade de forma geral vem incorporando os
preceitos da inclusão, que são na prática, os pilares da construção de uma nova
sociedade, na qual o reconhecimento e o respeito pela diversidade humana constituirão
a base de uma vida mais justa, mais solidária, livre da moldura do preconceito
e da discriminação que privilegia alguns e marginalizam outros.
VII - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CYRANCA,
Lúcia Furtado de Mendonça, e SOUZA, Vânia Pinheiro de. Orientação para
Normalização de Trabalhos Acadêmicos. 5 ed. Juiz de Fora: EDUF JF, 1998. 81.p
SASSAKI,
Romeu Kazumi. Inclusão construindo uma sociedade para todos.3 ed. Rio de
Janeiro: WVA, 1999. 174p.
LUDKE, Menga
e ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação: Abordagens Qualitativas. s.ed. São
Paulo: E.P.U., 1986. 99p.