A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES: UMA EXPERIÊNCIA COM O CURSO TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE

 

 

Maria Elizabete Souza Couto

UESC/UFSCar

Jeanes Martins Larchert

UESC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São Carlos – São Paulo – Brasil

Agosto / 2001

 

 

 

 A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES: UMA EXPERIÊNCIA COM O CURSO TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE

 

 

Maria Elizabete Souza Couto[1]

Jeanes Martins Larchert[2]

 

 

Introdução

 

O curso TV na Escola e os desafios de hoje é um curso de extensão a distância, modalidade de ensino que vem se configurando com o suporte e a presença dos meios tecnológicos e comunicacionais (televisão, vídeo, fax, telefone, computador/internet) estabelecendo a interação entre professores e alunos para compreender a dimensão, as possibilidades e os limites dessa forma de lidar com o ensino e a aprendizagem, como mais uma oportunidade de democratização do conhecimento, bem como a formação continuada dos professores.

Para compreender o surgimento desse curso é preciso fazer uma contextualização e retrospectiva histórica. Sendo assim, no final de 1999, professores de dezoito universidades reuniram-se na Universidade de Brasília/UnB, para discutir sobre a melhoria do ensino público, através da Educação a distância. Criaram a Universidade Virtual Pública do Brasil[3], para dar a esse novo projeto a idéia de uma universidade em rede e o primeiro programa a ser desenvolvido seria o de Formação de Professores em Nível Superior, para atender à Lei de Diretrizes e Bases nº. 9394/96, que determina que até o ano 2006 todos os professores do ensino básico brasileiro deverão ter formação em nível superior.

O segundo programa foi o curso de extensão TV na Escola e os Desafios de Hoje coordenado pela UnB e com a participação de dez universidades do consórcio, com o objetivo de atender os professores do ensino básico (fundamental e médio) e melhorar o seu desempenho em sala de aula, "utilizando as novas tecnologias educacionais, especialmente os diversos meios audiovisuais que já estão disponíveis para eles" (Guia do curso, 2000:10). Essa idéia cresceu e se consolidou tendo como suporte o considerável acervo de filmes do Programa TV Escola que desde 1996 está em funcionamento, podendo ser explorado em quatro grandes áreas: "1- para seu próprio desenvolvimento profissional; 2- em sala de aula, para enriquecer as atividades e a aprendizagem dos alunos e até mesmo a recuperação e a aceleração de estudos; 3- na gestão da escola; 4- na articulação entre escola e comunidade" (Guia do Curso, 2000: 13-14). O item um é a referência para esse trabalho, considerando a formação continuada dos professores.

O curso de extensão TV na Escola e os Desafios de Hoje é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação - SEED/MEC, a Universidade Virtual Pública do Brasil/UniRede e muitas universidades brasileiras. Nesse caso específico foi com a Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC/Bahia.

 

Paralelo ao período destinado às negociações entre as universidades MEC/UniRede, (durante o mês de agosto de 2000) veiculou em canais da televisão de circuito aberto[4], a propaganda do curso e o convite para que os professores se inscrevessem.

Após a assinatura do consórcio com a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação/SEED/MEC e a UniRede, recebemos o material do curso, fomos estudar e analisar as nossas possibilidades, limites, estrutura física e organizacional na Universidade para abraçar tal causa. Achamos que era possível ousar e começar a construir as nossas próprias experiências a partir da proposta do governo, mas sem endeusá-la. Criamos as nossas alternativas, mesmo sabendo que estávamos nos debruçando num caminho cheio de incertezas, mas era preciso conquistar a credibilidade de muitos dos nossos pares, tanto na Universidade quanto em relação aos cursistas para que eles permanecessem no curso e começassem a pensar que na modalidade não-presencial, também, se têm chances de ensinar, aprender e democratizar os conhecimentos.

A seguir, recebemos do MEC, via site (http://www.mec.gov.br, no link Educação a distância), a lista dos inscritos no Estado da Bahia. A primeira turma do curso tem sua sede na Universidade Estadual de Santa Cruz/UESC, localizada no eixo Ilhéus - Itabuna, que recebeu 2.772 alunos/professores inscritos de 137 municípios baianos. Como perfil dos cursistas[5], constatamos que 5% têm cursos de especialização, 25% são graduados e 70% ensino médio.

 Iniciamos o trabalho listando o número de cursistas por municípios/ regiões, sendo este o primeiro critério de organização dos núcleos e das atividades com os tutores[6]. Os coordenadores do curso, em cada universidade, conforme suas concepções sobre o ensino a distância e a formação continuada dos professores listaram as atribuições dos tutores que também coincidem com os estudos de Litwin (2001). Para atender ao total de inscritos, formamos 29 núcleos.                                                           

Nesse momento chegou a hora e a vez do trâmite burocrático na Universidade que não nos cabia decidir. Abrimos o edital para inscrição dos tutores. Para nós, deveriam inscrever-se profissionais da educação que já tinham experiência com a utilização dos recursos tecnológicos na prática pedagógica. Porém nos deparamos com o período eleitoral! Tivemos que repensar e, entre muitas discussões e possibilidades, decidimos que seriam alunos que estariam no último ano da graduação de todas as licenciaturas.  Abrimos 29 vagas e se inscreveram 31 alunos. Dentre esses, selecionamos 27 tutores. Tivemos que refazer os núcleos, ficando uma média de 100 a 120 cursistas por núcleo. Isso dependia também da quantidade de inscritos em cada município. 

Para inscrição dos tutores os requisitos eram: estar cursando o último ano de licenciatura; - apresentar bom desempenho acadêmico; - não possuir vínculo empregatício; - não possuir outra modalidade de bolsa.

A opção por aluno no último ano da graduação deu-se por entendermos que nesse momento da sua formação já possui conhecimentos dos conteúdos, das disciplinas didático-pedagógicas necessários às orientações acadêmicas do curso. Houve também a análise do curriculum / histórico escolar e entrevista. Selecionados os tutores começamos o curso no início do mês de novembro de 2000.

No início era como se não soubéssemos por onde caminhar! Muitos erros e muitos acertos também. No primeiro momento apresentamos aos tutores a organização do curso e as nossas tímidas condições e estrutura (um coordenador geral, dois coordenadores adjuntos, uma secretária e vinte e sete tutores), mas que em contrapartida estávamos dispostos, juntamente com eles, a vivenciar esse momento de construção e socialização de conhecimento com outros pares. Começamos apresentando o objeto de estudo que é a formação continuada dos professores via tecnologia (TV e vídeo/kit tecnológico) e o seu uso na sala de aula e o objetivo geral do curso: "capacitar profissionais de instituições públicas de ensino fundamental e médio para o melhor uso no cotidiano escolar dos recursos proporcionados pelas tecnologias da informação e da comunicação, com ênfase na comunicação audiovisual (TV Escola)” (Guia do curso, 2000:17), sem descartar o material impresso: livros didáticos, jornais, revistas e outras mídias, seguindo  alguns objetivos específicos tais como:

1-               Identificar aspectos básicos teóricos e práticos dos meios de comunicação no contexto das novas tecnologias de comunicação, informação e multimídia (uso integrado de várias linguagens de comunicação: sonoras, visuais, audiovisuais, informáticas), destacando os mais úteis aos processos ensino-aprendizagem.

2-               Familiarizar-se com as tecnologias da informação e da comunicação e sua utilização pedagógica.

3-               Compreender as capacidades perceptivas, emocionais, cognitivas e comunicativas do homem, por meio das contribuições científicas.

4-               Explorar o potencial de recursos da TV Escola no projeto político-pedagógico da escola, sua gestão no cotidiano escolar e sua disponibilização à comunidade.

5-               Elaborar propostas concretas para utilizar o acervo da TV Escola no desenvolvimento de atividades curriculares nas diferentes áreas do conhecimento, assim como outras tecnologias da informação e da comunicação. (Guia do curso, 2000:17-18).

 

A partir da discussão do objeto do estudo e objetivo do curso, tentamos desenvolver o trabalho realizando a capacitação com os tutores para que estes fossem familiarizando com os conceitos e pressupostos de um curso na modalidade a distância e sentissem segurança  para discutir e buscar soluções para as possíveis dúvidas com seus cursistas.

Essa discussão já fazia parte dos momentos de capacitação e estudo com os tutores para que eles compreendessem e entendessem a dinâmica, o objetivo e o objeto de estudo do curso, a sua importância e, principalmente, a formação continuada dos professores na modalidade não-presencial, bem como a sua formação para lidar com essa modalidade de ensino e aprendizagem[7].

A capacitação era semanal e a programação era pautada em três momentos: a - informes gerais sobre o curso; b - exposição oral pelos coordenadores sobre a temática do módulo que naquele momento estava em estudo; c - leitura coletiva do módulo escrito, questionamentos e atividades para serem realizadas pelos tutores e discutidas no encontro seguinte.

Quanto à estrutura física, começamos o trabalho na Universidade com: um kit tecnológico (televisão, vídeo e antena parabólica), três linhas telefônicas (0800), uma linha telefônica fixa, um fax e um micro computador com acesso a Internet. Cada tutor tinha um e-mail com o número do seu núcleo (exemplo: canaltv1@uesc.br). O telefone e o correio foram os meios de comunicação mais eficientes.

A aceitação do curso pelos cursistas e a procura do curso por outros professores de diversos municípios foram consideráveis, confirmando os dados apresentados no guia do curso que justifica a sua necessidade:

O curso foi organizado em resposta às solicitações de educadores entrevistados em pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Estudos e Políticas Públicas da Unicamp, em 1999, sobre o trabalho que a TV Escola vem realizando em todo o país. Essa pesquisa revelou que, dos professores entrevistados 86% declararam querer capacitar-se para melhor utilizar a TV Escola (Guia do Curso, 2000:15).

 

Mas entendemos também que não é só a aceitação e a procura pelo curso que o faz eficiente. É preciso que um curso a distância revele conteúdos atualizados e enfoques novos, discutindo conceitos relevantes de um determinado campo de estudo (neste caso específico, as tecnologias na educação) e suscite polêmicas e reflexões entre seus pares.

 

 Referencial teórico

 

Os pressupostos teóricos que estudamos para garantir o andamento do curso e compreender os limites e as possibilidades de um curso de formação a distância baseiam-se em estudiosos da educação e da comunicação tais como: Kenski (2000), Babin (1989), Pretto (1996), Penteado (1991), Ferrés (1996), Moran (1991), Belloni (2000), Imbernón (2000), Litwin (1997, 2001), Lévy (1993) etc., para que os envolvidos nesse estudo (coordenadores, tutores e cursistas) compreendam a mixagem entre som/texto/imagem e tenham a oportunidade de familiarizar-se com o uso dessas tecnologias na prática pedagógica e na formação continuada.

Na sociedade cada vez mais tecnológica em que vivemos, um dos papéis fundamentais da escola/universidade deve ser a desmitificação das tecnologias e educar seus alunos para o domínio, o manuseio, a interpretação e a criação de novas linguagens e formas de comunicação sendo, portanto, necessário à formação continuada também dos seus professores. Este é um dos objetivos do curso de extensão TV na Escola e os desafios de hoje, que dentre outros considera fundamental que o professor domine o seu fazer diante de todas possibilidades que lhe é oferecida, com um olhar reflexivo, crítico, não-neutro e com autonomia em relação aos aparatos tecnológicos já existentes na escola e àqueles que estão presentes na sociedade, para que possam promover aos alunos o domínio e manejo das máquinas que hoje se fazem cada vez mais presentes no nosso cotidiano.

A educação a distância é uma modalidade de ensino que se caracteriza pela sua flexibilidade. Atualmente, com o avanço e desenvolvimento das tecnologias da comunicação, as interações entre professores e alunos são favorecidas, diminuindo as distâncias e as fronteiras entre as pessoas.

É uma modalidade de ensino que vem criando um espaço para gerar, promover e implementar situações de aprendizagens não convencionais, ou seja, em espaços (distância) e tempos (não simultâneo) que não se compartilham, o que acrescenta complexidade ao já complexo processo de ensino e aprendizagem.

A flexibilidade é uma característica que se refere a “ágeis mecanismos de inscrição; distribuição eficiente dos materiais de estudo; informação precisa, eliminando muitas barreiras burocráticas do ensino convencional; atenção e orientação aos alunos, tanto no período inicial do estudo como no seu transcurso” (Litwin, 2001:14).

A autonomia é outra característica da educação a distância em relação à escolha de espaços e tempos para o estudo. O estudante, nessa modalidade de ensino, é o sujeito abstrato da educação convencional, imaginados em diferentes locais e distâncias. No ensino a distância o enfoque está no “como” e não no “por quê” ou o “quê”. Vale destacar “que a autonomia não deve ser confundida com o autodidatismo, pois um autodidata é o estudante que seleciona os conteúdos e não conta com uma proposta pedagógica e didática para o estudo” (Litwin, 2001:14).

Os encontros, as interações entre tutores e cursistas se realizam por meio do suporte das tecnologias da comunicação: telefone, fax e correio eletrônico e também o correio convencional[8]. Estas tecnologias cumprem algumas funções importantes ao andamento do curso e irão continuar insubstituíveis para:

a-          Informar o aluno sobre os conteúdos científicos e técnicos, técnicas de trabalho intelectual, o andamento de seus estudos e sua compreensão das matérias.

b-         Motivar os alunos para continuar estudando, apesar das dificuldades de todo tipo que possam surgir.

c-          Possibilitar o conhecimento do aluno por parte dos professores, de forma direta pelos professores tutores e, através de seus relatórios, pelos da sede central, permitindo assim uma avaliação final mais correta e o necessário controle das dificuldades que possam ser colocadas pelos materiais didáticos utilizados (Litwin, 2001: 96, apud UNED, 1988/1989, p.18-19).

 

Nesses contatos os tutores passavam aos cursistas todas as informações necessárias ao andamento do curso, como: técnicas de estudo (estudo em grupo, datas, dias da semana e horários dos vídeos, as atividades que deveriam fazer e a data da entrega do memorial, além de motivar, estimular e tirar dúvidas).

Os alunos que participam de curso a distância são adultos, que em geral trabalham[9] e estudam em tempo parcial. Assim, a educação a distância passa a ter um enfoque de

formação ao longo da vida[10] como caminho para alcançar ou manter condições de competitividade  em nível individual ou nacional numa economia globalizada altamente tecnologizada. (...) prover oportunidades de formação continuada tanto para atender às necessidades do sistema econômico, quanto para oferecer ao indivíduo oportunidades de desenvolver suas competências como trabalhador e cidadão, capaz de viver na sociedade de incertezas do século XXI. (Belloni, 1999: 42-43).

 

A competitividade e a qualificação para o trabalho se colocam em todos os níveis, não sendo apenas “necessário oferecer à força de trabalho oportunidade de formação contínua de atualização e retreinamento exigidas pelas mudanças econômicas e tecnológicas, como também será imprescindível elevar o nível de educação básica dos trabalhadores” (Belloni, 1999:43).

Nas práticas e no processo ensino-aprendizagem na educação a distância participam pessoas com diferentes níveis de compreensão a respeito de um determinado campo de conhecimento. Mas é preciso que estas pessoas queiram aprender, construir novos conhecimentos (cursistas) e que outras queiram compartilhar, ensinar, construir conhecimentos (tutores, coordenadores, etc.). Dessa forma, ensinar e aprender são tarefas mais complexas do que simplesmente transmitir conhecimentos de forma linear e tradicional. E a linguagem escrita continua sendo um dos meios mais importantes de comunicação entre os tutores e os cursistas, quer seja via correio convencional quer via e-mail. Em nenhum momento existe a possibilidade de descartar e desconsiderar a leitura, a escrita e a interpretação, porque a linguagem é um instrumento do pensamento.

Os aparatos tecnológicos auxiliam e agilizam as formas de comunicação como oportunidades para discussões e reflexões do campo de estudo, tendo como finalidade novas formas de pensar conjuntamente e meios de montagem de andaimes[11] dos processos de construção e socialização dos conhecimentos entre seus pares.

Nessa modalidade de ensino, “nada é fixo, mas não reina a desordem nem o relativismo absoluto, porque os atos são coordenados e avaliados em tempo real” (Kenski, 1997:93). De acordo com critérios estabelecidos, constantemente as atividades são reavaliadas conforme o contexto. Para Penteado (1999), essa nova realidade social e escolar requer um “trabalho mais dinâmico, mas é mais cansativo também”, o que, muitas vezes, abala a ‘zona de segurança’ dos seus pares. A mudança dessa prática de ensinar e aprender implica em desinstalar modos de fazer já arraigados.

Para desinstalar tais práticas uma das nossas sugestões para organização do estudo entre os cursistas foi a criação de grupos, supondo uma formação continuada que desenvolva processos de ajuda e colaboração para o desenvolvimento do estudo dos envolvidos, fundamentando-se em alguns princípios que segundo Imbernón contribuirão para

-             Aprender continuamente de forma colaborativa, participativa, isto é, analisar, experimentar, avaliar, modificar etc. juntamente com os colegas ou membros da comunidade.

-             Ligar os conhecimentos derivados da socialização comum com novas informações em um processo coerente de formação (adequação das modalidades à finalidade formativa) para rejeitar ou aceitar os conhecimentos em função do contexto.

-             Aprender mediante a reflexão individual e coletiva e a resolução de situações problemáticas da prática. Ou seja, partir da prática do professor, realizar um processo de prática teórica.

-             Aprender em um ambiente formativo de colaboração e de interação social: compartilhar problemas, fracassos e sucessos com os colegas. 

-             (...). (Imbernón, 2000: 69-70).

 

No trabalho em grupo pressupomos que haverá: o abandono do estudo individual na cultura profissional do professor; a predisposição a revisão crítica da sua própria pedagógica; a experimentação do estudo na modalidade não-presencial; a busca de significado das ações educativas de forma compartilhada com seus pares levando em conta a realidade social do seu entorno, além da formação continuada em seu próprio local de trabalho, ou seja, na escola.

Para Imbernón, tudo isso concorre a uma “revisão crítica dos conteúdos e dos processos da formação permanente do professor para que gerem um conhecimento profissional ativo e não passivo e não dependente nem subordinado a um conhecimento externo” (2000:70).

A formação continuada dos professores no seu local de trabalho atualmente constitui em uma proposta de qualificação profissional levando em consideração a formação de grupos, a colaboração entre os pares, a reflexão, a discussão, a socialização dos conhecimentos e experiências para melhoria da sua prática pedagógica e do outro.

 A metodologia do curso acontece na modalidade não-presencial possibilitando aos coordenadores, aos tutores e aos cursistas uma nova dimensão da educação. Esta se baseia na auto-aprendizagem dos cursistas, na interação entre tutor – cursista ocorre de modo indireto no espaço (distância) e com prazos (tempo) definidos para a entrega das atividades via correio e através das tecnologias da comunicação: telefone, fax e e-mail e na construção da autonomia do cursista.

 O curso é organizado em três módulos de 60 horas. Em cada módulo estudamos uma temática: I - Tecnologias e educação: desafios e a TV Escola; II – Usos da TV e o vídeo na escola; III - Experimentação: planejando, produzindo, analisando. São propostas atividades aos cursistas como forma de analisar e refletir sua prática pedagógica com o uso dessas tecnologias.

  As fontes de estudo e análise são os filmes transmitidos através da TV Escola (canal fechado), em dias pré-estabelecidos pela SEED e reprisados, posteriormente, para que todos tenham oportunidade de acompanhar o curso, o material impresso (distribuído pelo MEC) e o memorial dos cursistas (trabalho realizado no final de cada módulo relatando, descrevendo e analisando suas experiências, descobertas, dúvidas, etc.).

 

Resultados preliminares

 

No momento atual estamos finalizando as atividades do terceiro módulo e iniciando as negociações para uma segunda turma que, certamente, terá outro encaminhamento, organização e acompanhamento, considerando que cada experiência é única, mas certamente, dará suporte a outras.

            Consideramos que o eixo norteador para o desenvolvimento do curso tem como referencial que a tecnologia está à disposição do homem e também do profissional em educação, não é o início e o fim de um bom trabalho, mas, nesse momento, está assegurando a formação continuada dos professores.

Durante o curso, os aspectos motivadores do sucesso dos cursistas foram: a autodisciplina, a autonomia e o estudo em grupo. Nos grupos as pessoas se interagiam, se organizavam e se apoiavam mutuamente, com determinados objetivos. Todos aprendiam com o conhecimento de todos.

As discussões em grupos foram momentos enriquecedores da aprendizagem. Mas, a sistematização da atividade/memorial foi realizada individualmente.

Os grupos foram organizados por cursistas de uma escola ou de diferentes escolas e tinha um representante para: - ser mediador entre os cursistas e o núcleo/UESC; - estabelecer contato com o tutor, sendo um elo de ligação com o grupo; - reunir o grupo para estudo e discussão das atividades propostas; - sistematizar em relatório, oral e/ou escrito, as atividades do grupo; - comunicar as dificuldades existentes no grupo; - comunicar possíveis desistências; - enviar via sedex as atividades do grupo.

Os contatos durante as unidades (forma como está seqüenciado cada módulo) serviram como condição para a avaliação.

Quanto aos cursistas, dos 2772 inscritos, alguns se inscreveram mas não responderam aos primeiros contatos e houve desistências. Consideramos desistente o cursista que respondeu aos contatos, mas não entregou as atividades. Nos municípios com só um cursista, a desistência foi representativa. A presença e o estímulo do grupo (colegas, Diretoria Regional de Educação/DIREC e Secretaria Municipal de Educação) foram fundamentais para que os cursistas continuassem no curso. Quando o cursista não tinha acesso a TV Escola no seu local de trabalho nem na sua residência, sugerimos que eles procurassem outra escola do seu município e as DIRECs também foram mobilizadas para gravar os vídeos e assessorar os professores.

No momento atual podemos constatar que há muitos vícios do ensino presencial também presentes no ensino não presencial, bem como os preconceitos, a dificuldade de organizar o tempo para estudo e algumas dificuldades de aprendizagem: a compreensão e interpretação das atividades; compreensão da linguagem tecnológica e seus conceitos, etc. Entendemos que este é um grande desafio para os coordenadores do curso, tutores, cursistas e a Universidade.

Quanto às dificuldades de aprendizagem percebemos que a cultura escolar acredita ainda na educação na modalidade presencial. Talvez seja esse um dos motivos que levaram os professores a ter dificuldades na organização do seu tempo e espaço para estudo, na compreensão do processo de autonomia e da aprendizagem continuada além das muitas desistências.

Dentre as dificuldades de aprendizagens apresentadas pelos cursistas, destacamos: - a interpretação e compreensão das atividades; - habilidade de manusear o kit tecnológico; - compreensão dos conceitos: imagem e som, justaposição e complementação;  - relação teoria e prática (relato de experiências); - produção de texto;  - elaboração de um planejamento utilizando o vídeo na sala de aula.

Considerando que a escolaridade da maioria dos cursistas é o ensino médio, é compreensível que tais dificuldades surjam no decorrer do estudo. Todavia, os cursistas, no decorrer do curso, vêm despertando o interesse e um novo olhar para assistir, ensinar e aprender com os programas televisivos e os filmes.

Acompanhamos também os tutores e a sua formação e acreditamos que a contribuição do curso na sua formação profissional pode ser registrada conforme os seguintes aspectos:

a-                          momentos de reflexão sobre a presença das tecnologias no cotidiano e a relação com a formação dos educadores;

b-                         relação e reflexão sobre o fazer pedagógico e a presença das tecnologias na educação e na vida do homem;

c-                          riqueza, flexibilidade e autonomia do trabalho a distância;

d-                         ampliação e socialização dos conhecimentos;

e-                          troca de experiência entre tutores - cursistas e a coordenação;

f-                           reflexão teoria e prática.

Nesse instante, percebemos que as tecnologias (televisão, vídeo, computador, telefone, fax, etc.) são possibilidades de enriquecimento e de mediação pedagógica na produção de novos conhecimentos e mais uma oportunidade de acreditar que a educação a distância é possível.

O papel do tutor foi de fundamental importância para a realização do curso, oferecendo aos cursistas suportes afetivo e teórico, estimulando e organizando os cursistas nos seus estudos. Consideramos favorável a interação entre tutores e cursistas no tocante aos aspectos afetivos e pedagógicos.

Para os tutores acompanharem as atividades dos cursistas foram estabelecidos os seguintes critérios de avaliação: - data da entrega das atividades; - envolvimento do cursista no curso; - espontaneidade, autenticidade dos testemunhos apresentados; - reflexão sobre sua prática; - habilidade para analisar e fazer críticas; - clareza e objetividade no relato das experiências e vivências.

Em relação ao Material didático impresso (o módulo), consideramos que o texto impresso apresenta excelente qualidade gráfica, clareza na descrição do conteúdo, objetividade quanto aos conceitos teóricos, linguagem acessível mesmo sabendo que muitos cursistas tiveram dificuldade em compreendê-la.

A forma de apresentar o conteúdo, dividida em unidades e tópicos, possibilitou uma construção gradativa do tema em estudo.

Alguns conceitos como linguagem tecnológica e a justaposição da imagem não foram de fácil compreensão pelos cursistas quem têm como escolaridade o nível médio. Estes precisariam de um referencial complementar para que pudessem entendê-los e assim compreender a dinâmica e a presença da tecnologia no nosso entorno.

Os pressupostos teóricos – metodológicos são apresentados no decorrer dos módulos e se coadunam com os conteúdos e com a proposta de aprendizagem que está presente nas discussões atuais e também nos documentos oficiais (como exemplo os Parâmetros Curriculares Nacionais). Há em cada módulo as instruções necessárias para que os cursistas compreendam a dinâmica do curso, um quadro (grade) de veiculação da reprise dos vídeos por módulos via TV Escola e uma ficha de avaliação dos vídeos e dos módulos para que os cursistas respondam, enviem ao seu tutor e este enviará à coordenação da SEED/MEC.

 Faremos aqui um breve comentário de cada módulo[12]:

O Módulo I discute as noções básicas sobre as tecnologias e sua presença em nosso cotidiano, não apenas em forma de suporte, mas de cultura, colocando desafios para o professor. As tecnologias exercem influência sobre nossos comportamentos individuais e sociais, modificando as concepções e o papel dos professores no processo de ensino-aprendizagem. Propondo momentos de reflexão sobre as características da comunicação desenvolvida pela televisão e outros meios, considerando que a imagem televisiva superpõe linguagens e mensagens, somando-as, sem, entretanto, separá-las. A todo instante somos tocados pela comunicação televisiva sensorial, emocional e racional. Sua linguagem poderosa, dinâmica, responde tanto à sensibilidade das crianças e dos jovens quanto à dos adultos, interferindo nas atividades perceptivas, imaginativas e comportamentais. Essas são situações que os cursistas podem experimentar, simultaneamente teoria e prática, observando a coerência ou eventuais inconsistências entre elas.

 O Módulo II discute a presença da televisão/vídeo na comunicação educativa, suas concepções e funções do ponto de vista de um processo de ensino e aprendizagem, entendendo como comunicação, diálogo, interação, construção de conhecimentos, sugerindo momentos para conhecê-la e analisá-la criticamente, estudando a televisão em três perspectivas: educação para uso seletivo da TV; educação com a TV; e educação pela TV. No estudo entre TV e educação a concepção de educativo amplia-se, abre-se às dimensões do imaginário, as pluralidades e ao desafio de preparar cidadãos para enfrentar o cotidiano. Todo esse estudo não oferece receitas prontas e não se esgota simplesmente nesse módulo e curso. Na escola todos os pares são convidados a viabilizar o acesso aos programas, a gravação, a catalogação e o empréstimo, bem como a instalação e manutenção dos equipamentos, para que todos possam usufruir desses bens e serviços.

O Módulo III discute possibilidades de utilização dos recursos da tecnologia na sala de aula como função expressiva, complementando o processo ensino-aprendizagem. E também, serve como exercício intelectual da cidadania necessários em uma sociedade que a maioria das suas informações circulam via aparatos tecnológicos. O planejamento, a produção e a experimentação são atividades importantes nesse módulo para a construção e socialização dos conhecimentos via meios tecnológicos de forma contextualizada, sendo um dos pontos de partida para mudanças nas práticas pedagógicas e na formação continuada dos professores, levando em conta o diagnóstico da realidade local, as possibilidades, as dificuldades, as carências e os projetos integrando a linguagem audiovisual ao ensino, a aprendizagem, a expressão da cidadania.

Porém é necessário fazer algumas ressalvas quanto ao material impresso distribuído, pelo MEC, aos cursistas, aos tutores e aos coordenadores do curso. Observamos que este tem a mesma característica que circula no mercado editorial dos livros escolares, embora tenha sido elaborado para um destinatário concreto, para uma modalidade de ensino específica, buscando possibilidades de não cair nas práticas ritualizadas, atendendo aos pressupostos do curso no qual se está trabalhando. Segundo Litwin há alguns problemas também nesse tipo de material impresso, tais como:

a-                Pressupõem que o aluno possui um conhecimento prévio sobre o tema que é excessivo e pouco realista.

b-               Exige do estudante uma contribuição excessiva para garantir a coerência.

c-                Carecem de metas de conteúdos claras e de um plano correspondente para alcançá-las.

d-               Estão escritos de tal forma que resultam confusos sobre como unir umas idéias com outras, como diferenciar seu grau de importância e como articulá-las entre si.

e-                Dão ênfase à parte gráfica (ilustrações, cores, diagramação) e deixam um vazio no que concerne a conteúdos curriculares.

f-                 Tratam a informação com um nível de abstração muito maior que o do aluno real ao qual se dirigem.

g-                Incluem uma quantidade excessiva de conteúdos que excedem sua possibilidade de tratamento durante o ano escolar.

h-                Oferecem uma visão do conhecimento acabada e estática.

i-                  Apresentam algumas temáticas com muito mais riqueza, tratando outras de forma mais fraca (Litwin, 1997:105).

 

Nos módulos alguns desses problemas também estiveram presentes, principalmente quanto aos itens a, c, d, f e g. Inicialmente, quando se trata do conhecimento prévio do cursistas sobre a temática em estudo – as tecnologias na educação -,  que na sua grande maioria não tinha nenhuma leitura referente ao tema. Faltou, da parte do MEC, instituição destinada a distribuir todo o material, um plano eficaz para cumprir com os prazos de distribuição do material e assim amenizar muitas desistências. A demora na distribuição do material impresso fez com que muitos  cursistas não continuassem e não acreditassem em mais um programa do governo, ficando desestimulados.

 Pela falta do conhecimento prévio, nem sempre os cursistas conseguiam estabelecer as articulações entre os textos escritos e a sua realidade, o seu entorno, a nossa sociedade numa perspectiva mais ampla, daí os textos passaram a ser abstrato.

Segundo o MEC, cada módulo teria o prazo de um mês, período em que os cursistas iriam assistir aos filmes, ler o módulo, fazer as atividades e enviar ao seu tutor. Porém, nos três módulos, o calendário para assistir aos filmes chegava, os cursistas assistam aos vídeos, mas o material impresso não chegava. Isso dificultou, trouxe-nos transtornos, destruía a autonomia e flexibilidade do núcleo e da própria educação a distância. Sempre havia a reprise dos filmes, mas os custos do curso dobravam, porque aumentavam o número de ligações para os cursistas na tentativa de mantê-los informados e assegurar a sua permanência no curso.

Em relação aos vídeos, nas discussões realizadas nos momentos de capacitação e nos comentários diários entre tutores e cursistas houve consenso de que os vídeos veiculados durante os módulos nem sempre contribuíram para a compreensão do conteúdo. Identificamos repetição do texto impresso nos textos narrativos dos vídeos. Algumas imagens são apresentadas de forma monótona com pouca criatividade. Outros filmes não trabalhavam o som e a música que são fundamentais à construção de vídeos e, certamente, um atrativo para o professor trabalhar com seus alunos. Nem sempre  houve uma complementaridade entre os recursos – impresso e vídeo.

 

Breves considerações

 

O ponto que consideramos de relevância para o curso foi a autonomia que as coordenações dos núcleos têm para organizar o seu trabalho. Acreditamos que é a flexibilidade que faz o curso acontecer.

A qualidade do material impresso e a organização do núcleo, o contato e o estímulo constante com os cursistas foram os responsáveis pela permanência destes.

A grande quantidade de cursista acarreta um alto custo às instituições responsáveis, isso faz com que os contatos via correio e via telefone sejam controlados, limitando a troca de informações.

O atraso do material didático para os tutores e os cursistas interferiu no processo de aprendizagem, deixando o núcleo sem alternativas. Esse atraso destrói a autonomia descrita anteriormente.

Os vídeos/filmes nem sempre cumpriam o seu papel de complementar, revisar, ampliar, propor reflexão e questionamentos em determinados momentos, nem sempre apresentavam “uma estrutura pedagógica coerente que ligue os objetivos de aprendizagem às mensagens, mais ou menos explícitas, que constituem o cerne e a substância do seu conteúdo” (Rocha-Trindade, 1998:167). Em alguns momentos não foram explicativos e orientadores. Vale lembrar que o vídeo/filme

na sala de aula não deverá ser ‘enrolação’, ‘tapa buraco’ nem mesmo deslumbramento do professor diante dessa nova forma de trabalhar. (...) a utilização da televisão e do vídeo nas aulas determina, indiretamente, modos diferenciados de apreender o mesmo universo, de organizar-se em sociedade, de pensar o mundo e nele viver, mesmo sabendo que ainda há as resistências daqueles que se opõem a esses novos meios de expressão, de comunicação e de aprendizagem nas salas de aula (Couto, 1999:66).

 

Um aspecto marcante foi a procura do curso por muitos professores de diferentes municípios do Estado da Bahia. Por mais que a televisão seja um dos meios de comunicação mais presentes nos nossos dias, muitos professores não ouviram e não viram as chamadas (a propaganda) do curso na Televisão de canal aberto, durante o mês de agosto de 2000. Recebemos muitas inscrições; pedimos que eles esperem uma nova chamada para inscrição do curso através do MEC/TV Escola.  As inscrições agora serão realizadas pelas Secretarias de Educação de cada Estado.

Finalmente, compreendemos que cada professor tem um modo próprio de aprender, um estilo cognitivo de processar as informações que recebeu durante o curso, quer seja pelo material impresso quer pelos filmes. Dessa forma, aprender para mudar a sua prática pedagógica é um processo complexo, porém “essa complexidade é superada quando a formação se adapta à realidade educativa da pessoa que aprende” (Imbernón, 2000:17).  Para que essa aprendizagem seja significativa e útil os cursos de formação continuada precisam adaptar-se à realidade de cada pessoa, para que seja colocado em prática, na sala de aula.

Quanto ao desenvolvimento profissional, item de referência para estudar a formação continuada dos professores nesse trabalho, pensamos que ainda é cedo para ter uma análise precisa em relação a formação continuada dos professores a partir do curso TV na Escola e os desafios de hoje. Ainda estamos nos defrontando com situações de incertezas, zonas nebulosas. Os estudos estão nos direcionando a enveredar em novos referenciais teóricos e metodológicos. Mas acreditamos que os cursos a distância possam auxiliar os professores na construção e interpretação de situações complexas que ora vêm surgindo na sala de aula.

 

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

 

BABIN, Pierre & KOULOUMDJIAM, Marie France. Os novos modos de compreender. A geração do audiovisual e o computador. São Paulo : Paulinas, 1989.

 

BELLONI, Maria Luiza. Educação a Distância.  Campinas, São Paulo : Autores Associados, 1999.

 

COUTO, Maria Elizabete Souza Couto. Kit’s na Escola – A televisão e o vídeo na sala de aula. Ilhéus : UFBA/UESC, 1999 (Dissertação de Mestrado).

 

FÉRRES, Joan. Televisão e Educação. trad. Beatriz Affonso Neves. Porto Alegre : Artes Médicas, 1996.

 

IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional. Formar-se para a mudança e a incerteza.  São Paulo : Cortez, 2000.

 

KENSKI, Vani Moreira. Memórias e Formação de Professores: Interfaces com as novas tecnologias de comunicação. In: CATANI, Denice Barbosa et al. Docência, Memória e Gênero. Estudos sobre formação. São Paulo : Escrituras Editora, 1997.

 

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL. No. 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

 

LÉVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência. trad. Carlos Irineu da Costa.  Rio de Janeiro : Ed. 34, 1993.

 

LITWIN, Edith (org). Tecnologia educacional, Política, histórias e propostas. Trad. Ernani Rosa. Porto Alegre : Artes Médicas, 1997.

 

_______(0rg). Educação a distância: temas para o debate de uma nova agenda educativa. Porto Alegre : ArTmed, 2001.

 

MARCONDES FILHO, Ciro. Sociedade tecnológica. São Paulo : Scipione, 1994.

 

MORAN, José Manuel. Como ver televisão. São Paulo : Ed. Paulinas, 1991.

 

PENTEADO, Heloísa Dupas. Pedagogia da Comunicação: Rompendo o paradigma tecnicista. In: IX ENDIPE.  Águas de Lindóia : São Paulo, 1998.

 

PRETTO, Nelson Luca. Uma escola sem/com futuro. Educação e Multimídia. S.P: Papirus, 1996.

 

ROCHA-TRINDADE, Maria Beatriz. Imagens e Aprendizagens na Sociologia e na Antropologia. In: FELDMAN-BIANCO, Bela & LEITE, Miriam L. Moreira (orgs.). Desafios da imagem. São Paulo : Papirus, 1998.

 

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. TV na Escola e os desafios de hoje: projeto de Curso de extensão para Professores do Ensino Fundamental da Rede Pública UniRede e SEED/MEC.  Brasília : Editora da Universidade de Brasília, 2000. (Módulos I, II, III e Guia do Curso).

 

 

 



[1] Professora da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC – Bahia, Doutoranda em Educação UFSCar - São Paulo.

[2] Professora da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC – Bahia, Mestre em Educação.

[3] Universidade que foi criada a 6 de janeiro de 2000.  Não teria campus, nem estrutura física, mas estaria em todas as universidades públicas que se consorciassem. O lema era: "No ano 2000 nasce uma nova universidade no Brasil". A sua logomarca seria UniRede.

[4] Classificação básica das transmissões de televisão onde o critério é a gratuidade do sinal televisivo. A TV aberta fornece o seu sinal sem que o telespectador tenha que pagar diretamente por ele. As TVs UHF/VHF são abertas.

[5] A partir desse momento vamos chamar os professores de cursistas.

[6] Esses eram estudantes dos cursos de Pedagogia, Filosofia e História. 

Para Litwin (2001) Tutor é aquele que orienta e reorienta os processos de aprendizagem; favorece o intercâmbio entre estudantes (cursistas/professores) numa perspectiva integradora, atendendo às situações e aos problemas particulares de cada um; promove a realização de atividades e apóia sua resolução e não apenas mostra a resposta correta; oferece novas fontes de informação e favorece sua compreensão; aproveita a oportunidade presente para sugerir pistas para o aprofundamento do tema e promove processos de reconstrução, começando pelas contradições, intervindo no processo de aprendizagem.  Deverá atuar em contextos que requerem uma análise fluída, rica e flexível de cada situação, a partir da perspectiva dos tempos, das oportunidades e dos riscos que imprimem as condições institucionais da educação a distância. Sua formação teórica, disciplinar e pedagógica (saberes) deve ser atualizada sempre. O tutor é um docente, nunca deixou de ser.

 

[7] Nos históricos escolares dos tutores não tinham nenhuma disciplina relacionada com a Educação e Tecnologia. Passou a ser nossa responsabilidade trabalhar a formação dos tutores para que pudessem formar outros.

[8] No curso TV na Escola e os desafios de hoje o correio convencional e o telefone (linha 0800) foram as formas de comunicação mais eficazes. O fax e o correio eletrônico também estiveram presentes, porém numa menor escala.

[9] Todos os professores participantes do curso estão no exercício da docência: professor, diretor, coordenador.

[10] Grifo da autora.

[11] Litwin (2001) citando Jerome Bruner caracteriza os processos de montagem de andaimes como aqueles em que os docentes proporcionam uma ‘consciência vicária’ aos alunos, visando ampliar e estender suas possibilidades. O docente (tutor) oferece apoio que permite ao estudante (cursista) avançar intelectualmente além do que poderia fazer ficando sozinho. Os alunos assumem papéis de seres ativos durante o processo de aprendizagem. Não há só transmissão do conhecimento, mas uma construção conjunta entre seus pares.

[12] Esses resumos dos módulos foram elaborados pelas autoras a partir da leitura dos módulos.