FORMAÇÃO CONTINUADA:

APRENDIZAGENS DOCENTES SOB A ÓTICA DE PARTICIPANTES DO PROCAP

(PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DE  PROFESSORES DE MINAS GERAIS)

 

 

Heloisa R. Herneck - UFSCar[1]

Maria da Graça Nicoletti Mizukami[2]

 

               

Este trabalho apresenta os resultados parciais de uma pesquisa que tem por objetivo investigar como os professores submetidos a um Programa de Capacitação (PROCAP) avaliam suas experiências como participantes do Programa. O estudo busca analisar a contribuição deste para o desenvolvimento profissional das professoras, focalizando mais especificamente as aprendizagens que foram proporcionadas.

A literatura mostra que as evidências sobre resultados de programas de educação à distância são restritas, o que impossibilita afirmações confiáveis sobre os resultados de pesquisas sobre o uso dessa modalidade de ensino no processo de formação continuada do docente (SANTOS, 2000). Neste estudo, após dois anos decorridos da primeira fase do Programa, pode-se perguntar se terá sido este um tempo necessário para propiciar aprendizagens docentes.

Sabe-se que o impacto desses cursos a curto prazo é mais percebível do que a longo prazo, uma vez que os docentes tendem a incorporar os conteúdos e metodologias em suas práticas, enquanto estão em processo de formação. Entretanto, os estudos sobre a eficiência destes cursos, a médio e longo prazo, são ainda bastante complexos, uma vez que as mudanças efetuadas na rotina dos professores, só se validam se estiverem ligadas a um projeto de formação da escola, sendo significado com a participação do docente em sua realidade cotidiana (SANTOS, 2000).

Toda proposta de capacitação tem como objetivo proporcionar mudanças. Porém as pessoas - com suas crenças, valores, estilos de vida e comportamentos - podem se encontrar em estágios diferentes de seus processo de desenvolvimento profissional. Aqueles que elaboram e tentam modificar a educação por meio de propostas amplas, raramente sabem o que pensam as pessoas envolvidas no processo. É nesse sentido, isto é, buscando compreender a ótica das professoras[3] envolvidas, que procuraremos analisar as aprendizagens docentes.

Este estudo objetiva contribuir para a discussão sobre a adequação da metodologia do programa e sua relevância prática para os sujeitos que dela fazem parte.

 

 

SABERES/APRENDIZAGENS DOCENTES E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

 

Nas duas últimas décadas, os estudos sobre a formação docente têm ampliado o foco de análise da formação e atuação do professor. Tem-se voltado para questões do cotidiano do professor, valorizando os saberes que estes produzem em suas práticas pedagógicas. Ao mesmo tempo propostas de Capacitação têm sido elaboradas buscando instrumentalizar os professores, incorporando, aos conteúdos disciplinares, aspectos ligados à organização curricular, às metodologias de ensino e às concepções de aprendizagem, de avaliação e postura docente.

Esses cursos, geralmente, partem de um pressuposto de necessidades de aprendizagens comuns a todos os docentes. Uma das críticas que se faz a eles refere-se ao fato de serem propostas externas às escolas, nem sempre correspondendo às suas necessidades imediatas. Isso porque, por muito tempo, os docentes não foram considerados como pessoas que possuem e constróem saberes, mas apenas como executores de saberes construídos por outros. A forma como esses profissionais aprendem ou o que aprendem  de todo o conjunto de saberes que lhes são transmitidos não faz parte dos estudos no campo da formação docente. Os saberes produzidos por esse profissional, no contato com os alunos e com os colegas, a ação que fundamenta o seu trabalho e a constituição de sua aprendizagem foram sendo deixados de lado.

Assim, pacotes com conteúdos e procedimentos são elaborados e enviados como meio de melhor instrumentalizar o professor (TORRES, 1998). Nesse sentido,  é que se faz necessário voltar a análise para os aspectos referentes à aprendizagem do professor e considerar como os ‘saberes teóricos’ são transformados em ‘saberes práticos’ na hora de ensinar, e até onde esses professores conseguem utilizar, em suas salas de aulas, os saberes que lhes são transmitidos nos cursos de educação a distância. 

Estudos mostram que a prática dos professores é determinada, também, por dimensões pessoais, políticas, sociais, culturais e éticas, possuindo uma natureza subjetiva que configura diferentes formas de agir e de conduzir esse processo. Salientam que os professores parecem dificilmente incluir um conhecimento proposicional a menos que se apresente juntamente com um conhecimento procedimental, um saber-fazer, necessário para produzir nas aulas alguma mudança significativa na aprendizagem dos alunos (GARCIA, 1999).

Pesquisas ainda mostram que os saberes profissionais são personalizados e raramente,  formalizados, objetivados. São saberes construídos, incorporados, subjetivados, difíceis de dissociar da pessoa, de sua experiência e situação de trabalho.  Não formam um repertório de conhecimento unificado em torno de uma disciplina, de uma tecnologia ou de uma concepção de ensino, pois são variados, ecléticos e sincréticos. Os professores, dificilmente, têm uma teoria ou concepção unitária de sua prática, mas ao  contrário, utilizam muitas teorias, concepções e técnicas conforme a necessidade. A relação que os professores têm com os saberes é de utilização integrada no trabalho, em função de vários objetivos que procuram atingir simultaneamente. (TARDIF, 2000)

Os saberes profissionais dos professores portanto, como coloca TARDIF (2000), são situados, pois são construídos e utilizados em função de uma situação de trabalho particular e não  em função de seu potencial de transferência e de generalização. Eles são embutidos em uma necessidade profissional.

Inseridas nesta perspectiva, as pesquisas destacam a experiência pessoal e a prática profissional como importantes fontes de aprendizagem dos professores. A prática docente, enquanto  fonte de aprendizagem, gera, integra, revisa, rejeita e convalida diversos tipos de saberes (curriculares, profissionais, científicos, da experiência...). Assim, fica em evidência o potencial formativo presente nas práticas individuais e/ou coletivas para identificar problemas, construir soluções e definir projetos.

Ao longo das trajetórias profissionais o professor realiza sínteses pessoais que contemplam os diferentes tipos de conhecimento, inclusive o da prática. Tais sínteses pessoais, quando relatadas, oferecem indicadores de tentativas de objetivação de um conhecimento que é seu e que só foi possível construir a partir do exercício da docência  (MIZUKAMI, 1996).

A prática docente profissional é, pois, interpretada como contexto privilegiado de aprendizagem. Os cursos de formação portanto, só podem favorecer a aprendizagem dos professores em determinadas condições e dentro de determinados limites. Como coloca GARCIA (1997), o conhecimento dos professores em formação está associado a situações da prática, ainda que as relações entre pensamento e prática sejam pouco claras e conhecidas. Demonstrou-se que podem ocorrer contradições entre as teorias expostas e as teorias implícitas, e que a mudança no conhecimento dos professores em formação não conduz necessariamente a mudanças em sua prática.

GARCIA (1999) analisa as atividades de desenvolvimento profissional e conclui que aquelas que têm maior possibilidade de mudança nos professores ou que possuem mais probabilidade de serem colocadas em prática são as que incluem a variedade de atividades referidas: demonstração, prática, acompanhamento.

A maior parte da literatura no campo do desenvolvimento profissional procura definir o que muda em conseqüência da participação dos professores em atividades de formação. Entendendo que o desenvolvimento profissional dos professores está relacionado à melhoria de suas condições de trabalho, à possibilidade de maior autonomia em sua gestão de classe e maiores capacidades de ação individual e coletiva para a construção de novas possibilidades de ação quotidiana, autores como GARCIA (1999, 1997), SACRISTÁN (1995), TARDIF (1991), POPKEWITZ (1997) e outros vêm pesquisando e contribuindo para uma perspectiva crítica de formação.

Interpretar as aprendizagens docentes, numa perspectiva crítica, requer uma melhor compreensão da  profissionalização docente. Assim, a discussão que acreditamos melhor contribuir na compreensão de nossa questão é a definida por POPKEWITZ (1997) que está relacionada às implicações no modo como os indivíduos representam as regras, os padrões, os estilos de raciocínio, construindo possibilidades de ação quotidiana.

Segundo esse autor, a profissionalização se dá em três contextos: pedagógicos, formado pelas práticas cotidianas da classe, que definem as funções dos professores; contextos  profissionais que elaboram como grupo um modelo de comportamento profissional e produzem um saber técnico que legitima as práticas; e os contextos socioculturais que proporcionam os valores e os conteúdos considerados importantes.

Como coloca GARCIA (1999), é necessário considerar que os professores são sujeitos, cuja atividade profissional os levam a envolver-se em situações formais de aprendizagem. Assim como, devemos reconhecê-los como pessoas que aprendem, e a formação profissional deve explorar os modos como  aprendem novas formas de pensar o ensino, a aprendizagem dos conteúdos e as condições que facilitam a sua própria aprendizagem. 

É preciso reconhecer os estágios diferentes de cada pessoa aprender e se relacionar com o conhecimento. Assim, pôr em prática uma inovação supõe um processo complexo, que é superado quando a formação se adapta à realidade educativa da pessoa que aprende. Para que seja significativa e útil, a formação precisa ter um alto componente de adaptabilidade à realidade do professor. Quanto maior a sua capacidade de adaptação, mais facilmente ela poderá ser posta em prática em sala de aula ou na escola e ser incorporada às práticas profissionais habituais. 

Nesta perspectiva, a formação contínua de professores deve considerar as bases da profissionalização docente, não se limitando a cursos a nível dos conteúdos ou das destrezas. A mudança pedagógica e o aperfeiçoamento dos professores devem ser entendidos no quadro do desenvolvimento pessoal e profissional.

É necessário observar aqui o que dizem as teorias de aprendizagem dos adultos, pois, atualmente, fica difícil compreender uma atividade de formação que não tenha como fundamento a experiência quotidiana dos professores. Isso porque a literatura mostra que os docentes geram conhecimentos práticos a partir de sua experiência, os adultos aprendem em função de necessidades internas, tais como o gosto de aprender para conseguir resultados (GARCIA, 1999).

A teoria de Jarvis diz que qualquer experiência ocorre numa dada situação, mas nem todas as experiências resultam necessariamente em aprendizagens. Como resultados de não aprendizagens pelas pessoas adultas aponta três aspectos: a presunção, que é quando a pessoa pensa que já sabe o ensinado; a não consideração, quando não se tem em conta a possibilidade de respostas; e a recusa, que é a recusa da oportunidade de aprender (JARVIS  apud GARCIA, 1999: 56).

A explicação de Jarvis, demonstrando a diferença de aprendizagem dos adultos, fragiliza  a base na qual os cursos de formação continuada como o PROCAP se sustentam, ou seja, pacotes únicos com objetivos e aprendizagens, definidas a priori, desconsiderando questões individuais.

                Estudos mostram que o ensino reflexivo quando considerado sob diferentes óticas teórico-metodológicas, passa a aglutinar as preocupações com a experiência pessoal e com a prática na formação e no desenvolvimento profissional. Considera que as crenças, os valores e as hipóteses que as professoras possuem sobre a aprendizagem dos alunos, a matéria que lecionam, o conteúdo encontram suas bases na prática dos professores na sala de aula. A reflexão ofereceria a oportunidade de tornar conscientes suas crenças e hipóteses subjacentes às práticas. (MIZUKAMI & outros, 1998:491)

                Isso mostra que a relação dos professores com os saberes é o de utilização integrada no trabalho, portanto, não são construídas e utilizadas em função de seu potencial de generalização, mas introduzidos dentro de uma necessidade profissional (GARCIA, 1999). Os limites dos cursos de formação para a aprendizagem docente são determinados pelas condições e disposições dos professores e, mudanças de conhecimento ocorridas, podem não significar necessariamente mudanças em suas práticas.

 

 

O CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO

 

O PROCAP é um programa de formação continuada e à distância, realizado em Minas Gerais, em 1998, destinado aos professores da rede pública que atuavam nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Os objetivos da capacitação foram: implantar um programa de formação continuada a partir da ação reflexiva sobre a Prática Pedagógica e a relação ensino-aprendizagem na sala de aula; aprofundar os domínios dos conteúdos básicos de Português e Matemática; ampliar a formação didático-pedagógica dos professores, possibilitando-lhes o desenvolvimento de seus saberes, habilidades e atitudes e como desdobramento oferecer as professoras, condições de fazer um acompanhamento personalizado de seus alunos que apresentam maiores dificuldades.

O PROCAP é parte integrante do Projeto de Qualidade da Educação Básica – PROQUALIDADE - gerenciado pela Secretaria do Estado da Educação de Minas Gerais (SEE/MG), por meio das Superintendências Regionais de Ensino (SRE), coordenadas pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

O Programa foi desenvolvido nas escolas em "módulos de ensino"[4], articulados em materiais impressos e videográficos[5] para desenvolvimento de determinados tópicos de conteúdos. A capacitação foi realizada por meio de atividades presenciais e não presenciais. Cada escola contava com uma "capacitadora"[6], cuja função era coordenar as atividades presenciais, orientar as não presenciais e avaliar a participação das professoras.

A capacitação nas escolas abrangeu uma carga horária de 180 horas, sendo 90 horas e 19 (dezenove) semanas de trabalho para cada fase. Cada encontro nas escolas (atividades presenciais), teve a duração de duas horas e trinta minutos, ocorrendo fora do horário de trabalho do professor. Nestes encontros assistia-se a vídeos, realizavam-se debates sobre o vídeo e o conteúdo do dia, além da discussão sobre os planos executados de acordo com as orientações contidas nos Guias de Estudos[7]. O professor deveria utilizar ainda, mais duas horas e trinta minutos sob forma de atividades não presenciais para estudos, elaboração de resumos e dos planos de prática docente, utilizando para isso os materiais e as orientações contidas nos guias de estudos do programa.

A implementação do programa, na prática docente, se depara com indivíduos com diferentes concepções de formação, crenças e valores. No entanto, por ser o PROCAP um programa de capacitação elaborado por agentes externos à escola, ele parte de um pressuposto de necessidades homogêneas de aprendizagens.

Nesse contexto, é importante destacar o princípio da individualização da aprendizagem, que  deve ser  elemento integrante de qualquer programa de formação de professores, pois a aprendizagem não é um processo homogêneo para todos os sujeitos. É necessário conhecer as características pessoais, cognitivas, contextuais, relacionais, etc. de cada professor ou grupo de professores, de modo a desenvolver as suas próprias capacidades e potencialidades. Assim, os programas de formação de professores devem responder às necessidades e expectativas dos professores como pessoas e como profissionais. (GARCIA, 1999: 29)

               

 

METODOLOGIA

 

            Por meio de um estudo analítico descritivo, utilizando como instrumento de coleta de dados questionários e entrevistas, realizados com professoras da rede pública do Ensino Fundamental da cidade de Pedro Leopoldo – MG, que participaram do Programa e continuam atuando, procura-se investigar como as professoras submetidas ao PROCAP significam suas experiências como participantes no Programa.

            A escolha do questionário como um dos instrumentos de coleta de dados justifica-se por ser ele uma fonte mais confiável quanto ao anonimato do participante, podendo assim sentirem mais livres para exprimir opiniões que temem ver reprovadas ou que poderiam deixá-los em dificuldade (SELLTIZ, 1974: 269), e por poder oferecer as informações necessárias à questão sob investigação. Por meio do questionário, procurou-se obter informações gerais sobre o PROCAP, assim como sobre a atuação, a participação e a significação que as professoras deram aos conteúdos e metodologias trabalhados no programa.

            Os resultados preliminares, para efeito deste estudo, contam com as análises de questionários, respondidos por trinta e nove professoras da rede pública da cidade de Pedro Leopoldo.

Foram elaboradas vinte e nove questões, sendo dezoito questões com respostas abertas, nas quais as professoras deveriam expressar opiniões, analisar materiais e avaliar as aprendizagens proporcionadas pelo programa, sete questões de múltipla escolha e duas questões para enumerar alternativas de acordo com o grau de importância para a participante.

            Os questionários foram entregues pessoalmente a cada professora, e devolvidos num prazo mínimo de oito dias.

            Para efeito deste estudo serão analisadas sete questões sendo: três sobre os conteúdos trabalhados na capacitados, três sobre as contribuições do Programa na ótica das professoras e uma em que pedimos para analisar como elas viam a sala de aula, o ensino, a relação entre as colegas e a aprendizagem em relação ao seu trabalho, após sua participação no programa.

 

 

            ANÁLISE DOS DADOS E CONCLUSÕES PARCIAIS

 

            Como os docentes significam os conteúdos e as metodologias que lhes são ‘transmitidas’ por meio de cursos de capacitação, assim como compreendem as contribuições dos programas de formação continuada para a aprendizagem docente são temáticas ainda pouco exploradas no campo da educação continuada. Buscando aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre aquele que ensina, é que nos propusemos a buscar a relação, sob a ótica das participantes, da capacitação recebida nesse Programa com as práticas pedagógicas cotidianas das professoras.

Pela análise da relação da proposta do Programa com as aprendizagens docentes pode-se visualizar formas diferenciadas das pessoas se apropriarem de conhecimentos trabalhados, incorporando-os ou não à sua prática pedagógica.

Acreditamos que por meio da análise do desenvolvimento profissional das envolvidas na pesquisa, sob a ótica delas, poder-se-á conhecer mais sobre o processo de aprendizagem do adulto e entender um pouco mais sobre a apropriação e utilização dos conhecimentos revistos ou adquiridos em cursos de formação continuada como o PROCAP. Desta forma, espera-se contribuir para a formação docente, abrindo novos caminhos para a compreensão da construção da aprendizagem docente e sobre o desenvolvimento profissional.

Os dados aqui apresentados, resultados ainda preliminares, possibilitam visualizar a compreensão dos conteúdos veiculados nestes programas, mas não permitem identificar a incorporação destes conteúdos pelas professoras, nas práticas pedagógicas de sala de aula. Algumas contribuições do programa são apresentadas, entretanto, quando estes resultados são buscados na prática docente, há oscilações.

As análises realizadas apontam caminhos promissores sobre os significados que as professoras dão aos conteúdos e às metodologias trabalhadas nestes cursos e para a compreensão da aprendizagem do professor e seu processo de desenvolvimento profissional.

 

 

Importância e utilização dos conteúdos sob a ótica das professoras

 

 Diversos autores têm investigado sobre o ensino dos conteúdos curriculares do Ensino Fundamental na formação docente. A questão que se coloca consiste em saber se os conteúdos trabalhados nos cursos de formação continuada realmente são aprendidos pelos professores. Sabemos que não é possível ensinar, sem partir de uma idéia de como as aprendizagens se produzem (GARCIA 1999, ZABALA 1998, TARDIF 1991), pois aprender envolve características singulares de cada um dos aprendentes, com histórias construídas formas de perceber e reagir diante das experiências vividas na própria trajetória.

Em questionário aplicado às professoras, verificou-se que os conteúdos privilegiados pelo PROCAP foram importantes para 53,5% das professoras. Essas disseram que os conteúdos foram importantes porque “...fez recordar várias matérias...”; “...enriqueceram muito a prática...”; “...fizeram refletir e avaliar a prática...”;”... para aprimorar mais os conhecimentos adquiridos e obter novas experiências de trabalho...”; “...para pesquisa após o término do PROCAP...” As respostas negativas (15,5%) ficaram em menor quantidade, tendo como justificativas o fato de considerar que “...os conteúdos não fazem parte da realidade da escola pública em que  trabalho...”; “... fugiu da realidade...”. Houve ainda 20,5% de respostas em branco e 10,5% disseram que não sabiam responder.

            No que se refere aos materiais da capacitação (Guias de estudos e materiais de referência dos professores), as opiniões se dividiram, assim, 43,5% disseram que ainda os utilizam, e 43,5% afirmaram não tê-los utilizado mais. Finalmente, 7,6% das professoras disseram tê-los utilizado para outros fins, como estudar para concurso público ou para dar aulas de 5ª a 8ª série.

                Ao perguntarmos quais conteúdos eram considerados mais importantes, quais menos importantes e os que gostariam que tivesse sido trabalhado, percebemos que as respostas foram um pouco evasivas, prevalecendo, em maior quantidade, as questões em branco, como é possível observar no quadro abaixo:

 

Conteúdos mais importantes

Conteúdos menos importantes

Conteúdos que deveriam ter sido abordados

Português- produção de

textos, histórias...                 21%

Matemática e Português      15%

Todos                                   15%

Geometria                            10%

Realidade do Município      2,5%

Não lembro                          2,5%

Em branco                           34%

Geometria                         17.5%

Gráficos                            12,5%

Nenhum                              8%

Não lembro                         8%

Em branco                        54%

Ciências                         10%

História, Geografia              

sistema de numeração

e as quatro operações    10%

Outros (Religião, Artes,

alfabetização...)             26%

Em branco                     54%

                                            100%

                                         100%

                                     100%

Quadro 01: Os conteúdos na ótica das professoras participantes da pesquisa

 

Nota-se que há uma incidência, nas respostas das professoras, em se referir a disciplinas e não a conteúdos específicos. Quando fazem indicações de conteúdos, limitam-se a repetir os assuntos já abordados na capacitação, como é o caso do sistemas de numeração e as quatro operações. É importante ressaltar que o Programa privilegiou o trabalho com esses conteúdos, utilizando materiais didáticos como o material dourado, por exemplo. Parece que os conhecimentos que as professoras possuem sobre os conteúdos trabalhados, dois anos após ter realizado a capacitação, não se transformaram em uma compreensão aprofundada, chegando até mesmo a se esquecerem do que foi trabalhado.

                O silêncio das professoras, revelado nas respostas em branco ou nas omissões, tende a nos mostrar que os conteúdos trabalhados, parecem não ter sido significativos ou transformados em aprendizagem para as professoras. Ou seja, não é possível ensinar sem saber como as aprendizagens se produzem (GARCIA, 1999).

Neste sentido, os dados indicam que os conhecimentos teóricos, trabalhados na capacitação, tanto em forma de demonstrações em vídeos, como por meio de atividades indicadas nos referenciais curriculares e nos materiais de referência para o professor, não foram interiorizados pelas professoras. Isso possivelmente tenha ocorrido porque esses saberes não foram construídos, situados e utilizados em função de uma situação prática de trabalho. A memória retêm o que apresenta ser significativo e para que o conteúdo tenha significado para o professor, ele deve apresentar resultados consideráveis na aprendizagem dos alunos (GARCIA, 1999).    

Numa análise geral das questões respondidas pelas professoras, pode-se perceber, que quando a pergunta exige um aprofundamento maior, tendo que listar os nomes dos conteúdos, tarefa que exige buscar na memória o que foi capacitado, elas dizem não lembrar ou não  respondem. Quando elas podem ser mais imparciais nas respostas, não tendo que citar elementos que ‘comprovem’ o que foi realizado, aumenta o número de afirmativas e diminui o das respostas em branco.

            Resta-nos perguntar, tendo como base os resultados preliminares, se os dados acima, não serão fortes indicadores do pouco reflexo que o ensino dos conteúdos dissociados da prática do professor apresentam quanto à formação docente?

                É importante lembrar que a capacitação, além dos conteúdos de Português e Matemática, trabalhou também Reflexões sobre a Prática Pedagógica[8]. Entretanto, não se percebeu um trabalho numa perspectiva  multidimensional, ou seja, em que as dimensões do conteúdo e pedagógica, por exemplo, eram trabalhadas associadamente.  Tal procedimento, possivelmente, contribuiu para uma dicotomia entre os diferentes saberes trabalhados no curso de capacitação e a não incorporação pelos professores desses saberes de forma  integrada.

 

 

Contribuições na prática docente

 

A maior parte da investigação relativa ao desenvolvimento profissional docente tende a mostrar o que muda em decorrência da participação dos professores em atividade de desenvolvimento profissional (GARCIA, 1999). As críticas se referem ao caráter excessivamente teórico dos cursos que as professoras são levadas a participar. Geralmente as propostas apresentam um discurso de flexibilidade, mas no momento de adaptar os conteúdos aos participantes, ignoram o conhecimento prático dos professores.

Sabemos que a prática profissional dos professores é regida por normas coletivas, geralmente adotadas por outras pessoas, porém a prática deste profissional depende de decisões individuais e somente ele (o professor), pode selecionar o que aprender e o que ensinar. Portanto, para compreender o profissionalismo docente é preciso relacioná-lo com todos os contextos que definem a prática educativa, pois é através desta que se difundem e concretizam as múltiplas determinações provenientes dos contextos em que participa.

Para verificar se a participação das professoras no PROCAP se concretizou em mudanças em sua prática e contribuiu para a aprendizagem docente, fizemos três perguntas. Na primeira, perguntamos se o Procap trouxe contribuições para ela como professora, na segunda se ela sentiu mudanças em sua prática a partir da capacitação e na terceira buscamos essas mudanças no ensino às crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem.

Percebe-se uma incidência maior de respostas afirmativas, quando a pergunta diz respeito somente às contribuições do programa de maneira geral, sem delimitar em que aspectos (61,5% disseram que o programa contribuiu). Entretanto, quando essas contribuições são buscadas na prática há uma redução das afirmativas (49%). E quando investigamos o reflexo dessas contribuições no ensino às crianças diminuem ainda mais as respostas positivas (41%).

Levanta-se a hipótese que o decréscimo das respostas afirmativas, à medida em que se aprofunda na questão, deve-se ao fato das professoras conseguirem visualizar contribuições do programa, mas não explicitá-las quando falam sobre a prática em sala de aula. Podemos dizer que as contribuições não são propriamente de mudança da e na prática. São contribuições que os cursos de formação inicial provocam ao trabalhar conteúdos teóricos desvinculados dos práticos. Desta forma, as professoras não conseguem interligar teoria e prática, dissociando-as do trabalho na sala de aula.

Talvez a maior dificuldade das professoras em fazer esta interligação entre teoria e prática, esteja no fato de, no Programa, os conhecimentos serem apresentados como algo já dado, objetivo, funcional, indiscutível, opondo-se a uma concepção problematizadora, provisória, sujeita a interferências, como é o conhecimento construído em suas salas de aula.

Nos depoimentos referentes às contribuições (61,5%), percebemos várias expressões como: “... repensar a prática...”, “...ampliar conhecimentos...”, “...refletir se o que estava fazendo estava de acordo...”, “...melhoria na capacidade de consultas e busca de novas práticas...”, “...troca de experiências...”. Tais questões não indicam mudanças ocorridas no trabalho dentro da sala de aula. As expressões usadas são de caráter geral e se aplicam a qualquer situação. Percebe-se que há uma fragilidade das professoras em apontar os espaços de contribuições do programa.

No que se refere às não contribuições, aparecem críticas. Dizem que: “...o Procap foi assunto da época, hoje já está esquecido”, “...era muito bonito como as coisas eram colocadas, tinha tudo a disposição, mas na realidade as coisas são diferentes, salas cheias e professoras tendo que dobrar[9]

Os dados mostram que as professoras parecem ter abandonado o programa logo que terminou o processo de formação. Verifica-se que mesmo tendo o programa incluído várias modalidades de formação - demonstração, prática e acompanhamento - os mesmos não garantiram  mudanças na rotina de trabalho das professoras. Ainda que o programa tenha mostrado um ‘saber-fazer’, elas não conseguiram incluí-lo em seus repertórios pedagógicos, transferi-lo de uma situação de trabalho para outra, pois era uma realidade diferente da que existia em suas escolas (inadequação do número de alunos apresentadas nos vídeos, por exemplo).

Quanto ao ensino às crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, as professoras (41%) que afirmaram ter influenciado dizem:

 

“A partir do momento em que foi proporcionado novas metodologias e práticas.” (Prof. 10)

 

“Principalmente com os alunos que tem muita dificuldade e não consegue acompanhar a classe, o Procap nos orientou com boas sugestões para esse tipo de trabalho.” (Prof. 38).

 

As professoras afirmam ter havido mudanças, entretanto não pontuam quais mudanças concretamente.

Já o grupo (49%) das professoras que disseram que o programa não influenciou no trabalho com as crianças, justifica-se:

 

“Uma sala com 40 alunos é totalmente diferente de uma sala com seis ou oito alunos como vimos nos vídeos. A realidade é outra. Mesmo procurando ajudá-los é extremamente difícil, envolve uma variedade de fatores. Falar é muito fácil, quero ver colocar em prática numa sala superlotada, onde aparece N dificuldades (aprendizagem, comportamento, familiar...).” (Prof. 06)

 

“A proposta é muito bonita, mas fora da realidade”. (Prof. 23)

 

A crítica referente à quantidade de alunos refere-se aos vídeos que apresentavam aulas simuladas com a finalidade de mostrar, através de alunos atores, como trabalhar os conteúdos da capacitação. Eram turmas com uma média de oito a quinze alunos, gravados em espaços considerados pelas professoras como privilegiados, uma vez que os mesmos não apresentavam os conflitos de uma sala de aula, das escolas públicas que conhecem.

Percebe-se a importância da dimensão pessoal do conhecimento das professoras, à medida em que elas parecem não conseguir incluir em suas práticas os conteúdos e metodologias utilizados na capacitação. Isto porque o saber fazer apresentado pelo programa apresentava características diferentes das encontradas em suas salas de aula e difíceis de serem transpostos por elas.

 

 

A relação das professoras com o programa

 

            Para melhor apreender e compreender a relação estabelecida pelas professoras com um programa de formação continuada , que tinha entre os seus objetivos “ampliar a formação   didático-pedagógica  dos professores, possibilitando-lhes o desenvolvimento de seus saberes, habilidades e atitudes” (Guia de estudo geral, 1997), pedimos que analisassem a sala de aula e o trabalho com os alunos, a relação com os colegas, a sua forma de ver o ensino e a sua aprendizagem em relação ao seu trabalho, tendo como base a capacitação. As respostas foram agrupadas em quatro eixos:

A sala de aula e o trabalho com os alunos – com relação a esse tema as respostas se dividem em quatro grupos.

No primeiro grupo estão as professoras (25%) que afirmam ter havido mudanças após a capacitação. Elas justificam que o trabalho se tornou mais coeso, interativo, harmonioso, enriquecedor. Falam  de melhoria nas aulas e na participação dos alunos, permitindo o trabalho mais lúdico e atrativo.

No segundo grupo, estão as professoras (31%) que dizem não ter havido mudanças e pontuam questões relacionadas a não adequação do Programa à realidade de suas salas de aula e seus alunos e dizem que o PROCAP não acrescentou nada ao que faziam.

E no terceiro grupo, estão as professoras (18,5%) que avaliaram suas práticas a partir da capacitação. Para estas, o programa serviu para confirmar suas práticas de sala de aula, definindo-as como corretas, por se identificarem com a proposta do programa.

Há ainda um quarto grupo (25,5%), que preferiram se silenciar diante da questão e deixaram as respostas em branco. 

As respostas indicam opiniões e formas de apropriações diferenciadas da capacitação, com relação a sala de aula e o trabalho com os alunos. Enquanto um grupo adjetiva qualidades para indicar melhorias em sua prática, outro diz não ter nada de bom na capacitação, e outro ainda, se espelha nas ‘práticas’ do programa, além do grupo que nada diz. Esses dados mostram que as professoras se apropriam de forma diferenciada dos conhecimentos e que, os cursos de formação só podem contribuir dentro de determinadas condições e determinados limites.

 

A relação com as colegasnesta questão, 26% professoras dizem que, como já possuíam uma equipe, assim como o espaço para encontros coletivos em suas escolas, não perceberam mudanças. O trabalho em equipe, a troca de experiências e a colaboração comum sempre foram e continua sendo o forte do grupo. Outro grupo de professoras (18%) disseram ter havido mudanças a partir da capacitação. Segundo elas o trabalho em relação as colegas foi muito gratificante, permitindo maior entrosamento, interação e cooperação entre os pares. E 28%  pontuaram questões que não dizem muito sobre o programa como: normal, colaboração comum, trabalho em equipe. São respostas que não permitem identificar de que ou de quem falam. Há ainda o grupo de 28% das professoras que não responderam a questão.

Analisando a relação da capacitação e o trabalho entre os pares, percebemos três grupos. No  primeiro (26%) estão as professoras que apresentam respostas que demonstram atitudes defensivas em relação ao já existente em suas escolas, não percebendo portanto mudanças com a capacitação. No segundo grupo estão as que se mostram indiferentes, ou não respondendo, ou utilizando respostas evasivas (56%). E no terceiro (18%) grupo estão as que dizem ter mudado muito o trabalho entre os pares a partir da capacitação. 

A hipótese que podemos levantar, a partir da respostas das professoras, é de que o curso de capacitação não interfere nas relações já estabelecidas. Ele apenas viabiliza e reforça práticas já existentes no cotidiano escolar podendo se beneficiar de espaços de trocas já conquistados.

 

A forma de ver o ensino e o aluno38% das professoras pontuam reflexões a nível de respeito ao desenvolvimento individual dos alunos, à aprendizagem como um processo contínuo e à relação professor x aluno; 26% dizem que a forma como vêem o aluno e o ensino continuam do mesmo jeito, ou porque confirmaram práticas já existentes ou porque a proposta não era adequada à realidade de suas classes; 8% disseram que não saberiam dizer e 28% deixaram em branco a questão.

As respostas das professoras são indicadoras de que para parte do grupo, houve  mudança a partir da capacitação. Os dados porém oferecem elementos que nos permitem visualizar essas mudanças mais a nível de atitudes, uma vez que elas pontuam reflexões a nível de respeito a aprendizagem do aluno, a relação professor X aluno e, ainda, confirmam práticas já existentes. Parece que o programa as fez repensar a forma como trabalhavam, incorporando elementos do discurso veiculado no curso, sem significar necessariamente mudanças em suas práticas. A partir dos dados coletados, a hipótese que se levanta, é que as mudanças a nível de atitude, são fruto de conhecimentos teóricos adquiridos durante o curso.

Percebe-se que as professoras se apropriaram de alguns  saberes, o que não dá para delimitar é em que campo estes saberes são mais visíveis. Houve aprendizagem sob o olhar no aluno, criando novas possibilidades de ação quotidiana. É nesse sentido que como coloca SACRISTAN, os cursos de formação contínua dos professores deve considerar as bases da profissionalidade docente, não se limitando a cursos a nível de conteúdos e destrezas, mas procurar entender o quadro de desenvolvimento profissional dos professores em seu processo de formação.

 

A sua aprendizagem em relação ao seu trabalhoanalisando as próprias aprendizagens em relação ao programa, 21% das professoras dizem que sempre procuraram buscar soluções para os problemas de acordo com a realidade que trabalham e que a cada dia crescem mais, independente de terem ou não participado do programa. Já 33% das professoras disseram que aprenderam muito, que é preciso estar sempre atualizando, que o material é muito bom e que a visão de aprendizagem mudou. 10% disseram que o programa não interferiu em suas formação e 36% deixaram a questão em branco.

Os dados acima nos indicam que as professoras parecem não conseguirem explicitar as contribuições do programa em relação as próprias aprendizagens, uma vez que 36% não responderam a questão, 21% disseram que o crescimento é um contínuo, independente de ter participado do curso e 10% diz que o programa não contribuiu.

As respostas das professoras indicam ainda uma preocupação muito maior em defender a própria prática ou a própria formação que analisar realmente as possíveis mudanças. Os dados indicam, que a relação das professoras com o programa é conflituosa. Para muitas professoras parece haver uma rejeição ao que se propôs na capacitação, confirmando os três aspectos resultantes em não aprendizagens, colocado por Jarvis (JARVIS apud GARCIA 1999:56), em seus estudos sobre experiência adulta: a presunção, a não consideração e a recusa.

A partir dos resultados obtidos, nos perguntamos se não estarão as professoras visualizando mudanças em suas aprendizagens, pelo fato de não conseguirem visualizá-las por meio de resultados na aprendizagem dos alunos na sala de aula. Uma hipótese que se levanta, é a de que essa recusa às aprendizagens das professoras esteja no fato da seleção e organização dos conteúdos não ter sido realizada a partir das práticas cotidianas de suas salas de aula, o que POPKEWITZ (1997) chama de contextos pedagógicos.

Apesar dos objetivos do programa versarem sobre práticas reflexivas, sobre desenvolvimento de habilidades e saberes docentes, o professor parece ter se percebido como um técnico, um executor de propostas geridas por outros e, ainda, em uma realidade que elas consideraram diferente da que atuavam. Parece não ter havido uma adequada correlação entre os saberes geridos no programa e as aprendizagens das professoras.

 

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Cada pessoa aprende de um jeito, reage de forma diferenciada diante as informações. Assim, como coloca IMBERNON (2000),  aprender para pôr em prática uma inovação supõe um processo complexo, e essa complexidade é superada quando a formação se adapta à realidade educativa da pessoa que aprende, e quanto maior a sua capacidade de adaptação, mais facilmente ela será posta em prática em sala de aula ou na escola  e será incorporada às práticas profissionais habituais.

Isso mostra que os cursos de formação docente parecem ter maior possibilidade de favorecer a aprendizagem dos professores em determinadas condições e dentro de determinados limites. Os professores possuem concepções, crenças e teorias sobre o trabalho docente, e essas não se modificam simplesmente na participação em  atividades de formação, ainda que haja diversidade de materiais e meios, como foi o caso PROCAP, que incluiu, na capacitação leituras, resumos, demonstrações em vídeos, debates e aulas práticas.

A hipótese que se levanta é a de que a assimilação e utilização dos conteúdos, conceitos e idéias implícitas nos programas mostram-se pouco significativos para um grupo expressivo de professoras, dois anos após a realização da capacitação.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BOGDAN, Robert e BIKLEN, Sari. Investigação Qualitativa em Educação. Tradução de Maria J. Alvarez, Sara B. dos Santos e Telmo M. Baptista. Porto Editora, LDA – 1994. Portugal.

CANDAU, Vera Maria Ferrão. Formação Continuada de Professores: Tendências Atuais. In: Formação de Professores: Tendências Atuais: São Carlos: UFSCar, 1996.

COSTA, Marisa C. Vorraber. Trabalho Docente e profissionalismo. Porto Alegre: sulina, 1995.

GARCIA, Carlos Marcelo. Formação de Professores – Para uma Mudança Educativa. Porto Editora, LDA – 1999. Portugal.

_____________________. Pesquisa sobre formação de professores – O conhecimento sobre o aprender e ensinar. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. XX Reunião Anual da ANPED, Caxambu, 1997.

IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. São Paulo, Cortez, 2000.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicolleti. Docência, Trajetórias pessoais e Desenvolvimento Profissional. In: Formação de Professores: Tendências Atuais. São Carlos: EDUFSCar, 1996, p. 59 – 91.

MIZUKAMI, M. G. N., REALI, AM. M. T., REYS, C., LIMA, E. F., MARTUCCI, E. M., ABIB, M. L. V. S., MELLO, R. R. & TANCREDI, R. M. S. P. A reflexão sobre a ação pedagógica como estratégia de modificação da escola pública elementar numa perspectiva de formação continuada no local de trabalho.  Anais do 1X ENDIPE. Anais II. Águas de Lindóia – SP. 1998, p. 490 – 509.

POPKEWITZ, Thomas S. Profissionalização e Formação de Professores: algumas notas sobre a sua história, ideologia e potencial. In: NÓVOA, Antônio (org.). Os Professores e a sua Formação. Lisboa: Nova Enciclopédia, 1992. P. 35 – 50.

SACRISTAN, J. Gimeno. Consciência e ação sobre a prática como libertação profissional dos professores. In: NÓVOA, Antônio (coord). Profissão Professor. Porto Editora, 1995.

SANTOS, Lucíola L. C. Paixão. A Implementação de Políticas Públicas do Banco Mundial para a Formação Docente. In: Cadernos de Pesquisa. Fundação Carlos Chagas, Editora Autores Associados, São Paulo. N. 111, dez. 2000.

SELLTIZ, C. et al. Métodos de Pesquisa nas relações sociais. São Paulo: UDUSP, 1974 (Nova edição da EDUSP em 3 volumes, 1987).

TARDIF, M. et al. Os professores face ao saber: esboço de uma problemática do saber docente. Teoria & Educação, Porto Alegre, RS, n. 4, p. 215 –233, 1991.

TARDIF, M. e RAYMOND, Danielle. Saberes, tempo e aprendizagens do trabalho no magistério. Educação & Sociedade. Vol. 21, n. 73, Campinas, dez. 2000.

TORRES, Rosa Maria. Tendências Da Formação Docente Nos Anos 90. II Seminário Internacional – Novas Políticas Educacionais: Críticas e perspectivas. PUC – SP, 1998 – p. 173 – 191.

ZABALA, Antoni. A função social do ensino e a concepção sobre os processos de aprendizagem: instrumentos e análise. In: A prática Educativa. Como ensinar. Porto Alegre, ARTMED, 1998, p. 27 – 52.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Mestranda no Programa de pós-graduação em Educação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

[2] Profª. Dr.ª  do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar

[3] Optamos pelo uso da palavra professora/as no feminino, toda vez que nos referimos às participantes da pesquisa, pelo fato de todas pertencerem ao sexo feminino.

[4] Módulos de ensino era o tempo destinado ao estudo de cada tópico de conteúdo, sendo 2:30h. para as atividades presenciais e 2:30h. para as atividades não presenciais.

[5] Se constituiu em 30 vídeos com a duração de 15 a 20 minuto cada um e serviam para introduzir os conteúdos de cada Módulo de Ensino.  

[6] Professora escolhida entre seus pares para coordenar o programa junto as professoras. Em alguns casos a capacitadora foi a diretora ou a supervisora pedagógica da escola.

[7] Manuais com instruções sobre a execução dos módulos. Eram três Guias de Estudos: um de Português, um de Matemática e um de Reflexões sobre a Prática Pedagógica. Eles traziam as questões a serem discutidas em cada vídeo, as sugestões de leituras, de elaborados dos resumos, de esquemas e do Plano de Prática Docente.

[8] Reflexões sobre a Prática Pedagógica constituiu-se nos cinco primeiros módulos de cada fase. Discutia-se questões relacionadas ao redimensionamento da ação pedagógica em uma perspectiva de construção da escola crítica, criativa e de qualidade.

[9] Trata-se da dupla jornada de trabalho do professor, tendo que trabalhar às vezes, em duas ou mais escolas.