AS “NOVAS COMPETÊNCIAS” COMO DEFINIDORAS DOS PROJETOS DE EDUCAÇÃO E DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

 

                                                                                              André Silva Martins[1]

Marcelo Moraes e Silva [2]

Janaína Vital Rezende3

Marcelo Silva dos Santos3

Renata Aparecida Alves Landim3

 

 

O presente trabalho é resultado parcial do projeto de pesquisa intitulado “As orientações governamentais para o ensino da EF. O que existe de novo ?”, que vem sendo desenvolvido com objetivo de apreender o conteúdo do eixo pedagógico para o ensino da EF, sua articulação com o projeto educativo e as implicações para o processo de formação humana defendido pelo bloco no poder.

Analisar a perspectiva da Educação Física frente as novas competências significa buscar compreensão sobre o projeto político-pedagógico hegemônico da EF, procurando identificar as possibilidades de construção de alternativas viáveis que se alinhem numa perspectiva de contra-hegemonia.

O eixo da análise aqui apresentada parte do pressuposto de que a definição das novas competências, determinada por inúmeros ajustes sociais, políticos e econômicos decorrentes do novo estágio do mundo produtor de mercadorias, repercutem no campo da Educação e particularmente na Educação Física como disciplina constitutiva do currículo escolar, trazendo, de maneira específica, implicações para o processo de formação humana que se desenvolve no contexto escolar.

 

-DIMENSIONAMENTO DA CRISE: SITUANDO A PROBLEMÁTICA.

 

Vivemos um tempo de novos ajustes estruturais que, em maior medida, estabelecem dialeticamente no plano superestrutural, um conjunto de novas determinações fundamentais para construção desse novo estágio de organização social envolvendo o trabalho, bem como a própria vida. Dentro dessas novas exigências, destaca-se o processo de formação humana, particularmente aquele construído no espaço escolar.

Seguindo as orientações do historicismo gramsciano, podemos afirmar que as mudanças paradigmáticas do mundo contemporâneo globalizado e sua configuração específica na realidade brasileira, estão a exigir um cidadão/ trabalhador de novo tipo, portador de uma nova forma de pensar, de agir, de comunicar-se e detentor de certos valores éticos e morais articulados com as exigências de um novo código cultural hegemônico.

Inserida no contexto dessas novas demandas, a educação vem se efetivando como objeto de preocupação de amplos setores da vida social, explicitada nos discursos e ações de diversos sujeitos políticos coletivos, organizados no interior da sociedade civil e mesmo no aparato estatal das três esferas de poder. A “redescoberta” da educação vem produzindo ações concretas para este campo, materializadas em novas diretrizes curriculares, novas orientações didático-pedagógicas, novas definições jurídico-normativas, novos mecanismos de controle do “produto” do trabalho pedagógico, nos mecanismos de financiamento bem como na parceria entre o cidadão e o Estado para a grande e desafiadora tarefa que é educar.

Reconhecendo que este quadro é resultante, conforme indica Neves (1997), das relações de poder que definem as políticas de ajustamento à nova ordem, torna-se pertinente desvelar o significado político pedagógico das exigências educativas, em relação ao perfil de cidadão-trabalhador de novo tipo e, de modo especial, a função específica da EF neste contexto.

Compreendendo que esta elucidação serve como referência para compreensão e intervenção na realidade educacional, torna-se imprescindível a superação da aparente independência entre os fenômenos, a ruptura da pseudoconcreticidade em busca da concreticidade, conseguindo com isso, captar o movimento do real presente na essência desse projeto. O desnudamento desta realidade, como nos ensinou Kosik (1977), possibilitará não só organizar mecanismos de resistência pedagógica, como também definir perspectivas contra-hegemônicas para as mudanças no campo educacional.

 

- A CRISE COMO FONTE GERADORA DO NOVO PERFIL HUMANO: A ORIGEM DAS NOVAS COMPETÊNCIAS.

 

Tendo como referência mais ampla a consolidação do processo de globalização do capital, as ações dos governos federais da última década - em menor ou maior ritmo - definiram-se no firme propósito de dar curso a um conjunto de ações que objetivaram o ajustamento passivo do país à nova ordem capitalista, reafirmando a posição político-econômica na nova divisão internacional do trabalho. Em linhas gerais, o padrão neoliberal de desenvolvimento em curso no país, implantado nos anos 90, pode ser sintetizado nos seguintes aspectos conforme indica Fiori(1997): centralização e fortalecimento do Poder Executivo; desregulamentação da economia; estabilização macro-econômica, envolvendo a desindexação da massa salarial; reforma do Estado, marcado sobretudo pelas privatizações, desregulamentações dos direitos sociais dos trabalhadores, e reestruturação da capacidade produtiva do país com a afirmação de um novo paradigma produtivo.

Nessa direção, as exigências da burguesia nacional, associada ao capital internacional, introduziram elementos capazes de contribuir, de maneira expressiva, para a modernização conservadora do Brasil, integrando-o à nova dinâmica e ao conjunto de novas exigências do sistema capitalista em seu mais novo estágio de desenvolvimento. De acordo com Fiori (1995), o esforço do bloco no poder é de construir condições políticas nas quais o controle social sobre o Estado e o conjunto de suas políticas e ações regulativas sejam reduzidas num novo redimensionamento, de tal forma que os históricos mecanismos de pressão popular e mesmo as possíveis alterações na correlação de forças, não representem alterações substanciais nos princípios, no ritmo e no conteúdo do padrão de desenvolvimento neoliberal em curso.

Neste contexto, a instituição escolar como espaço privilegiado de “conformação humana”, no sentido gramsciano, e as políticas educacionais como orientadoras da reorganização dos sistemas e das práticas educativas necessárias às novas exigências, vêm se efetivando como elementos indispensáveis a este processo de modernização conservadora do país, ao procurar construir uma nova base de consenso social que busque eliminar os aspectos culturais que são identificados como obstáculos a implantação da nova ordem.

Assim, as determinações básicas do estágio de desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais de produção, bem como o precário controle democrático e popular sobre o centro decisório das políticas públicas, produziram demandas para a escola, no sentido de torná-la responsável por desenvolver ‘novas competências’ que contenham a nova sociabilidade (cidadania) neoliberalizante, assim como a adaptação intelectual e comportamental às exigências do novo paradigma produtivo.

É importante destacar que a expansão do sistema educacional do Brasil, consequentemente a escolarização dos brasileiros, vem sendo historicamente influenciada pelo ritmo do desenvolvimento industrial, pelas exigências comportamentais e intelectuais exigidas pelo paradigma produtivo em vigência e, por outro lado, pela luta  dos trabalhadores por mais educação (Neves 1997). Desse modo, podemos afirmar que balanço histórico não foi favorável aos trabalhadores, pois alguns indicadores demonstram claramente o processo de ampla exploração e marginalização social em que vive o país: o elevado índice de analfabetismo e de analfabetismo funcional; a dualidade no sistema educacional (escola das massas e escola das elites); o ainda crescente processo de privatização da educação e o nível de escolarização das massas (quantidade de anos em média que o brasileiro permanece na escola).

O redimensionamento da educação brasileira nos anos 90 assume uma nova cara, sem mudar substancialmente o seu caráter terminal e, portanto, segregatório. O novo ingrediente da velha fórmula diz respeito às denúncias do empresariado industrial, sobre a baixa escolarização do trabalhador brasileiro, com objetivo de justificar a baixa produtividade do sistema industrial. A culpa recaiu sobre o trabalhador, que por não  possuir as novas competências necessárias para alavancar a produção em seu novo patamar e, muito menos deter os pressupostos da nova cidadania política num mundo onde os conflitos e interesses de classes deixaram de existir em nome de um bem comum, acabou comprometendo o desenvolvimento da nação (FIESP, 1990).

Com esta constatação fenomênica da realidade, o trabalhador passou a ser o grande o culpado pelo atraso do país, sendo responsável por aquilo que se convencionou chamar de “Custo-Brasil”. Nesta lógica, cabe ao trabalhador, e somente a ele, buscar a aquisição das novas competências para a sua nova inserção no mundo do trabalho.

Estas novas competências vão muito além da simples aquisição de habilidades mentais e comportamentais requeridas pelo mundo do trabalho, na verdade, a perspectiva teleológica das novas competências, a partir de sua materialidade, busca alterar a maneira de ser da classe trabalhadora, adequando-a a novos valores éticos e morais que em maior medida são necessárias a construção e manutenção da nova ordem capitalista.

Gramsci (1984), ao analisar o processo de industrialização dentro de uma nova racionalidade- a ciência como força produtiva- na sociedade americana, concluiu que o novo perfil de trabalhador exigido na fábrica, estabelecia necessariamente mudanças, que além de romper com o nexo psicofísico do trabalhador criativo, reduzindo sua intervenção na produção a ações meramente físico-maquinais, estabeleceu exigências também no comportamento social, na sua vida privada, envolvendo normas e condutas ligadas à sexualidade, baseadas numa moral proibicionista referente aos seus hábitos e costumes, buscando alterar substancialmente sua forma de ser e de estar no mundo.

Estas formulações referentes à implantação do taylorismo-fordismo enquanto paradigma produtivo, servi-nos como indicadores no atual contexto. A implantação de um novo paradigma e de novas exigências sociais, ao estabelecerem exigências superiores àquelas em curso, produzem novos mecanismos que, através do Estado ou dos aparelhos privados de hegemonia, alteram significativamente a forma de ser do trabalhador e a escola enquanto espaço de formação humana, locus privilegiado de conformação para a nova sociabilidade.

Define-se uma reformulação do Projeto Político-Pedagógico que pretende implantar “novas-velhas” diretrizes teórico-metodológicas para o conjunto da escola, capazes de promover o desenvolvimento de novas competências, que devem repercutir no trabalho pedagógico da Educação Física.

Um dos nexos desta reformulação pode ser encontrado no conceito de “necessidades básicas de aprendizagem” (Mello, 1995), formulado no interior da Conferência Mundial de Educação Para Todos, na Tailândia em 1990-- evento este responsável pelo pacto neoliberal na educação firmado entre os países da periferia capitalista e os organismos multilaterais. Na esteira do Banco Mundial e da UNESCO, a autora argumenta que o conceito de necessidades básicas de aprendizagem deve ocupar a centralidade na definição dos projetos pedagógicos por ser fortemente objetivo e articulador.

 

Objetivo, porque estabelece parâmetros de qualidade do ensino, evitando termos vagos e marcados ideologicamente, tais como “desenvolver o espírito crítico”, promover a autodeterminação dos povos” ou “incentivar a solidariedade internacional”. A ênfase desloca-se para os instrumentos e conteúdos que os indivíduos, homens e mulheres, precisam dominar para que consigam viver melhor, trabalhar e, principalmente, continuar aprendendo.

(...)

É articulador na medida em que focaliza o “núcleo” de todo o processo educativo, ou seja: o ensino-aprendizagem, sugerindo medidas concretas para aferir-lhe eficiência.  (Mello, 1995:40).

 

 

Nesta apologia às diretrizes do pacto neoconservador na educação, Guiomar Namo de Mello pretende negar o conteúdo ideológico da formulação através do discurso da neutralidade e do “consenso” social. “A neutralidade é impossível por que não existe conhecimento desinteressado” (Saviani, 1992:16), por sua vez o consenso é questionável numa sociedade onde os mecanismos de exploração e de superexploração do trabalho são cada vez mais evidenciados. Assim, as “marcas ideológicas” referidas anteriormente, ao mesmo tempo em que são combatidas, servem para explicitar uma outra ideologia.

Esta defesa evidencia o significado das políticas educacionais desenvolvidas, principalmente na esfera federal ao longo dos anos 90, onde a ênfase vem se mantendo centrada no ensino fundamental e mais recentemente na formação profissionalizante, visando a formação restritiva das futuras gerações de cidadãos/trabalhadores. A escolarização das futuras gerações proposta pelo bloco no poder,  resume-se a um nítido caráter de terminalidade, uma vez que submete-se à lógica instrumental. Com o objetivo centrado na EMPREGABILIDADE numa sociedade sem emprego, o novo princípio educativo, enquanto expressão do pensamento neoliberal para o campo da educação, vem se impondo como única alternativa viável para a configuração da organização da instituição escolar.

A nova cidadania e a nova capacitação técnico-científica da força de trabalho-- manifestações das novas competências-- devem garantir a aceitação, sem questionamentos, da subordinação do Brasil as exigências internacionais sejam elas nos planos econômicos ou políticos, bem como garantir com eficiência o papel destinado aos países da periferia capitalista na nova divisão internacional do trabalho.

O novo princípio educativo da nova direita, ao propagar as novas orientações para a Educação em geral, vem procurando, segundo Soárez (1996), apagar da memória coletiva algumas categorias e conceitos históricos que nos ajudaram a construir a resistência e uma nova perspectiva de organização e produção da existência. Neste projeto, falar em cidadania, é entender o cidadão-consumidor-mais-que-perfeito; a solidariedade, só a funcional; a ética, restringi-se às exigências do mercado; a participação, limita-se a contribuição singular atomizada, que visa contribuir com o Estado, juntamente com o empresariado, para a promoção do “bem comum” (sic!).

- AS EXIGÊNCIAS DOMINANTES PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA NO PROCESSO DE  (DE)FORMAÇÃO DO  CIDADÃO/TRABALHADOR DE NOVO TIPO.

 

 

As novas competências indicam claramente uma tentativa de afastamento do plano concreto das contradições em que se desenrolam a prática social, ignorando os conflitos e interesses históricos de classe, e tentando desta forma unir os diferentes,  introduzindo a ditadura o pensamento único.

As novas competências enquanto

 

 

exigências do processo produtivo remetem para a escola a responsabilidade de propiciar um sólido domínio dos códigos instrumentais da linguagem, da matemática e dos conteúdos específicos. Critica-se nesse sentido, a concepção de currículo que incluem uma grade diversificada de conteúdos pouco aprofundados e discute-se a necessidade de uma volta às disciplinas básicas (...), cujo o tratamento propicie mais do que o domínio de informações específicas, a formação de habilidades cognitivas tais como: compreensão, pensamento analítico e abstrato, flexibilidade de raciocínio para entender situações novas e solucionar problemas.(Neves, 1997:34- grifo nosso).

 

 

As implicações para a EF podem ser interpretadas sob dois planos. O primeiro afirma que a ênfase em habilidades cognitivas (compreensão, pensamento analítico e abstrato, flexibilidade de raciocínio para entender situações novas e solucionar problemas) corresponderiam ao desprestígio da EF no espaço escolar por não estar vinculada ao movimentar-se e às dimensões físico-corporais, não contribuindo, desse modo, neste novo processo formativo. O segundo, aponta para uma compreensão de  EF como componente periférico do currículo da escola, responsável por difundir e reafirmar através de seus meios, valores éticos e morais e padrões de comportamento dominantes. Ainda na escola, ou mesmo para além de seus muros, o esporte e as demais práticas corporais devem assumir um importante papel, tanto no fortalecimento de uma crescente esfera de consumo-- à moda fitness --, quanto na divulgação de hábitos e comportamentos saudáveis e indispensáveis no plano econômico e social para a formação do cidadão/trabalhador de novo tipo. Assim, o consumo das manifestações corporais, principalmente o esporte, tende a ser defendido como prática essencial ao novo homem, resultando em inúmeras iniciativas governamentais e não-governamentais para sua massificação.

Resguardadas as devidas proporções e especicificidades, acreditamos que tal perspectiva se efetive no mesmo plano daquilo que Gramsci (1984) denominou de “iniciativas puritanas e humanitárias dos industriais” ao analisar as ações de Ford e seus associados, quando da implantação do controle científico da produção nas primeira décadas deste século. Para o autor,

 

 as iniciativas “puritanas” só têm o objetivo de conservar, fora do trabalho, um determinado equilíbrio psicofísico que impeça o colapso fisiológico do trabalhador, premido pelo novo método de produção (...).  É de seu interesse ter um quanto de trabalhadores estável, um conjunto permanentemente afinado, porque também o complexo humano (o trabalhador coletivo) de um empresa é uma máquina que não deve ser desmontada com freqüência e ter suas peças renovadas constantemente sem perdas ingentes.(1976:397-grifos nossos).

 

Desta maneira, o espaço reservado à EF frente as exigências de produção de novas competências, deverá corresponder não aquelas competências diretamente envolvidas e exigidas pelo reordenamento do mundo do trabalho, mas sim àquelas exigências necessárias que garantam uma determinada estrutura social e um determinado tipo de Estado (sociedade política + sociedade civil), base para todo e qualquer processo de regulação coletiva necessário à manutenção dos mecanismos de acumulação privada da riqueza socialmente produzida.

 

 

- ADESÃO OU ENFRENTAMENTO AO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO HEGEMÔNICO.

 

 

A escola enquanto espaço de conformação ético-político e científico- tecnológico e de maneira específica, a Educação Física como uma das disciplinas constitutivas do currículo escolar, devem responder às novas exigências do mundo de hoje, não pelo processo de adesão passiva à “nova ordem”, mas sim, pela ótica do conflito, explicitando as contradições e a dimensão político-pedagógica de caráter restrito à empregabilidade.

A escola como espaço de disputa pela hegemonia, como definiu Gramsci (1968), e particularmente a EF enquanto espaço concreto para intervenção, não podem ser incluídas de maneira passiva e subordinada a um projeto, que tem como objetivo mais geral, redefinir as bases necessárias para a superação da crise do mundo capitalista decorrente de mudanças econômicas, políticas e sociais, na formação humana.

No campo da EF a construção do projeto político-pedagógico contra-hegemônico, deverá centrar-se na radicalidade teórico-metodológica-- tanto do método quanto da teoria pedagógica-- possibilitando a constatação, interpretação, explicação e intervenção na e da realidade em busca de sua transformação. Desta forma, a EF deve assumir, de maneira clara e inequívoca, a responsabilidade de organizar a reflexão pedagógica dos alunos sobre o acervo de

 

 

“...formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal (...), que podem ser identificadas como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas”. (Coletivo de Autores, 1991:39)

 

 

Nesta perspectiva, a reflexão pedagógica não se limitará a apreensão de códigos culturais dominantes necessários a construção das novas competências, pelo contrário, deverá  valorizar a transmissão-apreensão ativa dos conhecimentos produzidos historicamente, referenciados numa objetividade científica-- que não significa a “neutralidade” como defendem os apologetas da nova ordem muito menos uma ideologia cientificista— que incorpora criticamente a rejeição da razão instrumental.

O projeto político-pedagógico da Educação Física, e de forma mais geral da Educação, deve-- ao contrário do que deseja o projeto hegemônico—redefinir o eixo da interpretação e explicação da realidade, explicitando as possibilidades de ampliação e reconstrução dos bens culturais e científicos acumulados ao longo da história numa perspectiva de emancipação coletiva da humanidade. Dessa forma, se é possível admitir as novas competências como norteadoras da educação escolar, é necessário e urgente desmistificar as versões apresentadas quanto ao seu caráter pretensamente neutro, desvelando a sua verdadeira essência e, sobretudo, construindo conteúdos e ancoragens históricas que, balizados por um projeto político-pedagógico comprometido com o interesse da ampla maioria da população, busquem o reconhecimento das condições objetivas da produção da existência humana, identificando as possibilidades de transformação e tendo como horizonte a superação dos processos e mecanismos de dominação e exploração do homem pelo homem.

 

 

 

 

- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO ( FIESP). Livre para crescer: Uma proposta para o Brasil moderno. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1990.

 

FIORI, José Luís. A governabilidade democrática na nova ordem econômica. In: Novos estudos do CEBRAP. nº 43, nov. 1995. p. 157-172

 

FIORI, José Luís. Os moedeiros falsos. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

 

GRAMSCI, Antonio. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

 

GRAMSCI, Antonio. Maquiavel, a política e o estado moderno. 5ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198

 

KOSIK, Karel. A dialética do concreto. 5ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976

 

MELLO, Guiomar Namo de. Cidadania e competitividade. Desafios educacionais do terceiro milênio. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 1995.

 

NEVES, Lúcia Maria Wanderley. Brasil ano 2000: uma nova divisão de trabalho na educação. Rio de Janeiro: Papéis e Cópias, 1997.

 

SAVIANI, Demerval. Pedagogia histórico - crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1991.

 

SOARES, Carmem Lúcia et al. Metodologia do ensino da educação física. São Paulo: Cortez, 1992.

 

SUÁREZ, Daniel. O princípio educativo da nova direita: neoliberalismo, ética e escola pública. In: GENTILI, Pablo (org). Pedagogia da exclusão: crítica ao neoliberalismo em educação. Rio de Janeiro: Vozes, 1995. 



[1]  Mestre em Educação. Professor FACED/ UFJF.

[2]  Licenciado em Educação Física UFJF

3 Graduandos em Educação Física UFJF