A MASSIFICAÇÃO DO ENSINO EM UBERLÂNDIA: IMPRENSA COMO FONTE E OBJETO E INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA (1940-1960)

Vicente Batista de Moura Sobrinho[1]

Geraldo Inácio filho[2]

O mito foi sempre descrito como resultado de uma atividade inconsciente e um produto livre de imaginação. Mas aqui encontramos o mito feito de acordo com um plano. Os novos mitos políticos não crescem livremente; não são frutos bravios de uma imaginação exuberante. São coisas artificiais fabricados por artesãos hábeis e matreiros. Estava reservado ao século XX, à grande técnica, desenvolver uma nova técnica do mito. A partir de agora os mitos podem ser fabricados  no mesmo sentido e de acordo com os mesmos métodos utilizados no fabrico das outras armas – as metralhadoras e os aviões. O verdadeiro rearmamento começou com a origem e ascensão dos mitos políticos.

[Esnst Cassirer, O Mito do Estado]

 

1 – Introdução

           

Na busca de um melhor encaminhamento do processo de investigação no campo educacional, foi levantada e catalogada junto ao Arquivo Público Municipal de Uberlândia, MG, uma extensa quantidade de matéria jornalística acerca do processo de massificação do ensino, em forma de gêneros literários do jornalismo informativo e opinativo: artigos, editoriais, reportagens, notas, pronunciamentos de autoridades locais, veiculados nos periódicos Correio de Uberlândia [3] e O Estado de Goyaz., exemplares de 1940 a 1960.Tais matérias em confronto com outras reflexões a respeito da educação no seu sentido amplo e sobre o processo histórico da mesma, propiciaram pensar com um pouco mais de acuidade a história da massificação do ensino em Uberlândia[4]. A fala dos articulistas trazem à tona formas e determinações de projetos educacionais com raízes profundas no processo a que convencionou-se chamá-lo democrático. Nas abordagens acerca do processo de massificação do ensino, que será mostrado no decorrer deste artigo, é a aquela eterna busca do consenso entre o ensino voltado para a ilustração e o ensino voltado para a prática, visando mercado nas suas várias vertentes; ensino normal para o preparo de professores de formação básica, o ensino profissionalizante visando o comércio urbano/industrial, o ensino rural devotado às praticas agropecuárias, com a meta de fixar o homem no campo, e, assim, evitar o “inchaço” das zonas urbanas. O período histórico anterior aos anos de 1940, trazem alguns antecedentes que merecem ser mencionados. Com relação a educação de massas, essa ganha contornos mais acalorados a partir da reforma de Francisco Campos em 1931. Entretanto, ressalta-se o amarramento do processo histórico-educacional com a política implementada durante a ditadura Vargas (1937-1950), um regime de exceção do qual fez parte tanto Campos como Capanema, convivendo com a idéia de acirramento do populismo e, já nos anos de 1950, a ascensão do nacionalismo, com a entrada em cena de Juscelino Kubstchek de Oliveira (1955-1960). O Nacionalismo desenvolvimentista do período de Juscelino, deve ser entendido como a preparação do terreno para proporcionar uma aparência de “legalidade” ao regime militar que veio vingar em 1964.

Quanto ao processo de massificação do ensino, esse passa a ser uma necessidade incontestável, sobretudo a partir dos anos de 1940, em várias partes do mundo, principalmente no Brasil, no qual o desenvolvimento do interior daria respostas às necessidades previstas no projeto de uma nação forte e unida, em se tratando de fazer valer a política aplicada na educação. A complexidade de tal processo está não só na adequação do ensino, da instrução e da educação do povo em geral, mas o como fazer para que o povo se alimente desse ideal apregoado durante esse período: democracia, liberdade, patriotismo, são as palavras-chave que deram respaldo à chamada jornada de legalidade. Os poderes públicos da cidade de Uberlândia de certa forma, compartilharam desse processo, que será evidenciado no decorrer do trabalho, não só aderindo o ideal de nacionalismo, pois havia algo também relevante nesse jogo, havia a construção de uma mítica já implementada aqui desde a sua fundação. Era preciso zelar para que essa “vocação natural para o progresso”, não viesse a sucumbir diante de interesses que não fosse os de uma “Uberlândia grande”. Esse discurso que perpassa pelo processo de massificação do ensino relatado nos periódicos, reflete o discurso de desenvolvimento do interior do país.

 

2 –  A massificação do Ensino: aspectos estruturais na construção da mítica uberlandense

 

O projeto educacional proposto a partir dos anos de 1940, vêm permeado das diretrizes metodológicas imanentes do período em questão, e demonstra não ser apenas uma realidade local, brasileira, ou mundial, mas uma mistura de tudo isso. As iniciativas no campo educacional vêm embuída da idéia de propiciar alicerce sólido à solução da crise vivida pelo mundo capitalista numa sociedade de orientação liberal. Essa crise dentro do sistema capitalista, soa como redundante, pois as crises advindas das ações políticas, seja no campo econômico, seja no campo cultural, no campo educacional, ela aparece como que uma necessidade inerente ao processo histórico, ela é o “combustível” responsável pelo andamento do processo forjado nesse contexto, nas chamadas democracias “participativas”.

A maior parte dessas soluções têm sido tomadas visando resultados a curto prazo, soluções imediatístas dentro do processo democrático, “obedecendo” as regras impostas e necessárias ao seu andamento. No campo político, a ascensão dos Estados Totalitários, ou pelo menos tentativas nesse sentido, estiveram presentes em várias partes do mundo dos anos de 1940 aos anos de 1960, inclusive no Brasil. Levar a efeito a chamada doutrina liberal, aos moldes propostos no século XVIII, parece uma atitude de irresponsabilidade cívica e um “desrespeito para com as massas”. Daí advém atitudes por parte da sociedade política, em adotar uma forma paternalista de ação social, com o objetivo de responder aos anseios exigidos pelas condicionantes do processo histórico. A questão do êxodo rural vivido especialmente no Brasil, a partir dos anos de 1920, o desenvolvimento industrial, os acontecimentos do período de 1939 a 1945 – Segunda Guerra Mundial, os anseios por liberdade por parte da população, a rebelião das massas. São algumas das condicionantes do processo histórico que aceleraram a tomada de atitudes radicais nos seus vários aspectos, uma espécie de “choque dos princípios do lessez-faire”, tendo em vista a planificação regulamentada e a continuidade do “moderno”. Neste aspecto, Karl Mannheim sustenta que:

 

Nos Estados totalitários os fatores que propiciam mais flexibilidade estão lutando para encontrar a expressão. A ditadura na sua mania de regulamentação considera a planificação como uma espécie de camisa-de-força para o organismo político, não está em condições de suprimir a crítica e a pressão no sentido da auto-reforma. Seu sistema social é como uma caldeira em vias de explodir. As democracias ainda não encontraram uma fórmula de determinar quais os aspectos do processo social passíveis de controle pela regulamentação, e as ditaduras não podem ver que a interferência em tudo não é planificação. Esta só pode ter valor positivo baseando-se nas tendências criadoras da sociedade, isto é, controlando as forças vivas, sem suprimi-las [5].

 

Tal controle preconizado pelo autor pode ser notado a partir da esfera local, em especial a cidade de Uberlândia, e, principalmente como isso é trabalhado no campo educacional. Através da nota do jornal abaixo, percebe-se que a atuação política em relação ao ensino em Uberlândia, especialmente a extensão dele ao maior número possível da população local, já era motivo de preocupação nos anos de 1940. A partir dessa data, ganha especial interesse por parte dos políticos locais, a luta para colocar a região do Triângulo Mineiro de uma vez por todas no cenário sócio-econômico nacional, com a cidade de Uberlândia numa situação de liderança geopolítica nessa região. Essa liderança deveria estar alicerçada em bases firmes, não sendo o problema da educação uma mera situação secundária. Era preciso instruir o povo no sentido de proporcionar respaldo ao projeto de ação política, nos setores econômicos e sócio-cultural. Uberlândia necessitava entrar em sintonia com o moderno disseminado nos discursos da imprensa e em outros veículos no Brasil e no mundo, buscar uma saída do anonimato geopolítico, garantir a prosperidade e perpetuar a sua liderança no campo industrial e, principalmente no campo comercial na região, ganhar notoriedade, valendo-se de situação de zona de confluência favorável ao propósito dos políticos locais, torná-la como que uma espécie de “portal do cerrado.[6]  Com relação ao ensino,

 

A dedicada idéia de implementar o saber, mereceu sempre do administrador uberlandense, momentos de atenção. Entregue ao Professor Jerônymo Arantes a incumbência de manejar o mecanismo da instrução Pública, quer no perímetro urbano, quer no recesso da vida rural, bebendo na fonte do saber, Uberlândia apresenta a cifra confortante de 5000 alunos, ou sejam 23,8% da população total do município estimada em 21000 habitantes. E os templos do saber surgem na cidade, no campo, no trabalho patriótico da alfabetização [7].

 

A nota deve ser considerada significativa, pois ela expressa aproximações acerca do andamento da educação de massa na cidade de Uberlândia, pleiteando a condição de cidade mais progressista do interior de Minas Gerais. Nota-se, de passagem, que dentro do processo histórico educacional, preconiza-se a partir dos anos de 1940, o direcionamento da educação, vista sob um leque amplo. Sobretudo nesse período, o que estava em jogo como parâmetro de modernidade não era a educação exclusivamente voltada para a “elite”, o leque vai se abrindo para as massas, pois não importava mais aquele “verniz” tão em voga no final do século XIX, prolongando-se até os anos de 1920 no Brasil. A partir  de então a educação é levada em conta quanto a formação do homem completo, formação moral, intelectual, política e profissional, enquadrando-se no processo daquele momento histórico. Uberlândia Necessitaria embarcar nesse atalho para a modernidade.

3 – O Ensino de Massas em Uberlândia: considerações do discurso jornalístico acerca da célula política local

 

No destaque de uma matéria jornalística, Luiz da Rocha e Silva (1950), traz alguns elementos para refletir sobre como estava sendo conduzido o ensino em Uberlândia, uma educação voltado para população de um modo geral. A tônica dessa matéria evidencia esse carisma de região potencialmente forte em termos de organização e dedicação à causa do ensino, um exemplo a ser seguido por outras regiões do Brasil. A fala do articulista revela uma preocupação com essa extensão do ensino às massas, onde aparece, não só a meta construída até agora, de manter a dianteira na questão do ensino primário e secundário, como também zelar pela estrutura física das escolas e melhor ainda, a luta para fazer de Uberlândia uma cidade de alta cultura, evidenciando o clamor pela instalação de escolas profissionalizantes e escolas de nível superior. A matéria jornalística abaixo permite observar:  

 

Destaque do brilhante discurso do dr. Luiz da Rocha e Silva da UDN; ao governo de Uberlândia e proferido na convenção Municipal de 12 de agosto câmara. [INSTRUÇÃO PUBLICA CULTURA E ASSISTÊNCIA SOCIAL – Causa-me orgulho constatar a preocupação que tem o povo desta cidade pela instrução. A população escolar de Uberlândia é um índice expressivo do nível intelectual da cidade. A generalização do processo de alfabetização da infância e da instrução primária enche-nos de prazer. O ensino médio, por sua vez, é cuidado e vai ano a ano se estendendo ao maior número de jovens. Faltam-nos ainda Escolas Superiores, o que poderemos um dia alcançar. Quanto ao ensino técnico profissional já foi iniciada a construção do prédio que deverá abrigar a Escola Vocacional de Uberlândia. Se conseguirmos uma Escola de Agronomia e veterinária teremos dado um enorme passo a frente. INSTRUÇÃO PUBLICA – Quanto ao papel desempenhado pela municipalidade, no setor da instrução pública, compete-me fazer justiça às administrações passadas, tanto na cidade como na zona rural, dando apôio e assistência ao professorado, provendo-lhes dos recursos necessários à sua nobre missão [8].

 

A ação política municipal dos poderes legitimados em Uberlândia, deixa transparecer essa mistura de ideologia liberal, controle social, organização do espaço sócio/político/econômico, e mais ainda, preparar as massas para atuar em conivência com os seus projetos de natureza estrutural e suas filiações ideológicas. Essa “conivência” da população expressa no discurso jornalístico, parece contar com o aval do Estado, embora esse lhe pareça distante. A idéia corrente no discurso jornalístico pode ser sintetizada na seguinte passagem:

 

O Estado de nosso tempo é uma máquina formidável, que funciona prodigiosamente, de uma maravilhosa  eficiência e pela qualidade e precisão de seus meios. Colocada no meio da sociedade, basta tocar numa mola para que suas enormes alavancas  se ponham em ação e operem sobre qualquer parte do corpo oficial. O homem-massa vê no Estado um poder anônimo – vulgo -, crê que o Estado é coisa sua. Imaginemos que aconteça qualquer dificuldade, conflito ou problema  na vida pública de um país: o homem-massa tenderá a exigir que o Estado assuma imediatamente, que se encarregue diretamente de resolvê-lo com seus meios gigantescos e incomparáveis. Este é o maior perigo que ameaça a civilização: a estatização da vida, o intervencionismo do Estado; isto é, a anulação da espontaneidade histórica, que definitivamente sustenta, nutre e impulsiona os destinos humanos [9].

 

            O que estava em jogo entre os anos de 1940 e os anos de 1960, e´ a expressão sonora dos tempos. De um lado a classe abastada e com poder de decisão lutando para manter os privilégios, mesmo fazendo algum sacrifício. Do outro lado as chamadas classes emergentes, exigindo mais participação no processo sócio econômico, e as massas, que, dentro desse processo, ao nível do discurso, entram como simples coadjuvantes, quando o assunto é melhorar a distribuição de renda. Isso, a rigor aparece de forma explícita, sutil e capciosa. O interesse em participar do “progresso” advindos das ações políticas tanto municipal, como estadual e federal, apresentam suas pautas de ações como se fossem estendidas a todos, porém, as classes que possuem o poder econômico, elaboram seus projetos resguardando as cláusulas que lhes são favoráveis. A ação política educacional leva em conta, em se tratando das massas, liberar a conta-gotas, recursos para a melhoria das condições macro-estruturais do sistema educacional, em especial, o ensino profissionalizante. A Escola Vocacional de Uberlândia insere-se numa das faces do processo de massificação do ensino, porque além de preparar a mão-de-obra necessária ao setor produtivo, daria solução à massa de desocupados e sem profissão definida, mediante o oferecimento de cursos profissionalizantes. Nos anos de 1950 a 1960, a luta foi intensa no sentido de respaldar essa ação política “benéfica” para a população.  A reportagem a seguir fornece alguns detalhes dessa ação em prol da instalação da escola, visando a solução da situação urbana, expressando a preocupação com o crescimento acelerado de Uberlândia. A reportagem informa:

 

Acham-se adiantadas as obras da Escola Vocacional Industrial de Uberlândia que Govêrno Milton Campos está edificando para o município – visitando as obras em andamento da Escola Vocacional Industrial desta cidade, sob a direção do competente engenheiro Dr. Vinícius Vasconcelos, que nos forneceu elementos para esta reportagem, ficamos realmente impressionados com a grandiosidade do estabelecimento de ensino que será da maior utilidade para os moços da região do Brasil Central. A área coberta  para as construções é bem grande mesmo porque a escola vai ocupar mais de um quarteirão, tendo sido o terreno uma doação da Administração José Fonseca e Silva ao estado de Minas Gerais, para que Uberlândia ganhasse tão notável obra. O edifício principal ocupa a área de 1.780 metros quadrados. O edifício das oficinas, a extensão de 1.200 metros quadrados. A residência, o espaço de 160 metros quadrados. Portanto, o terreno ocupado pelas construções da escola será uma área total de 3.140 metros quadrados. O orçamento da Escola é de Cr$ 4. 480.000,00, distribuídos assim: custo dos edifícios Cr$ 2. 200.000,00 e o custo das maquinarias Cr$ 2.280.000,00 [10].

           

A reportagem revela, além dos detalhes estruturais da escola, os recursos envolvidos, ação do governo estadual e o seu comprometimento com a causa uberlandense. O governo de Milton campos aprece como principal colaborador na tarefa de tornar Uberlândia a grande “Meca” do desenvolvimento industrial, comercial e cultural do Triângulo Mineiro. O artigo abaixo nos dá dimensão da discussão acerca do processo de construção da Escola Vocacional de Uberlândia. Como complemento da reportagem, ele expressa com decisão essa vontade de solucionar os problemas da futura Uberlândia, como destacada cidade Industrial e comercial, pois a mesma dará sustentabilidade técnica à exigência de novos padrões de desenvolvimento batalhados no dia a dia da política municipal, em favor da manutenção de Hegemonia na região.  O artigo de Maria Teresa, uma articulista assídua do Correio de Uberlândia (1950), veio ilustrar um pouco esse processo:

 

Êste artigo serve de complemento a nossa reportagem sôbre a Escola Vocacional  Industrial de Uberlândia. A importância dos cursos industriais para o nosso país se percebe facilmente através de uma rápida leitura da lei orgânica do ensino industrial, quando da reorganização feita pelo ministro Gustavo Capanema na pasta da Educação e Saúde. Esta lei constitui para a nossa educação um documento da maior importância, porque o ensino industrial não dispunha antes de uma lei orgânica de caráter nacional. Também não havia conveniente definição das bases pedagógicas do problema, cuja configuração está se tornando cada vez mais acentuada em torno desta modalidade de ensino até então deixado para um plano inferior no Brasil. a lei orgânica, dec. Lei n.º 4.073 de 30 de janeiro de 1942, discriminou quatro (grupos) tipos de estabelecimentos de ensino industrial: as escolas industriais, as escolas técnicas, as escolas artesanais e as escolas de aprendizagem, dentro de perfeita articulação com outras modalidades de ensino, práticas educativas, estágios e excursões, culto cívico, orientação profissional, educação religiosa, etc. maior especificação tiveram as matérias e cursos das escolas industriais e técnicas, por serem de maior vulto e de categoria mais elevada. O decreto n.º 8673, de 3 de fevereiro de 1942, tornando mais minuciosa a organização das escolas industriais e técnicas traçou discriminada definição aos cursos de formação profissional propriamente dita, isto é, aos cursos industriais, aos cursos de mestria, aos cursos técnicos e aos cursos pedagógicos[11].

 

            Maria Teresa mostra no seu artigo a questão da legitimidade das ações políticas do governo estadual, revelando alguns artigos da regulamentação do ensino industrial. Essa regulamentação do ensino industrial nasceu em função do decreto 6.029 de julho de 1940. 

 

O decreto n.º 6.029 de julho de 1940 não seria modificado, ele daria lugar, no entanto já em 1942, a dois decretos quase simultâneos, um que criava o Serviço Nacional de Aprendizagem industrial (SENAI), conforme as aspirações da indústria e do Ministério do Trabalho; e outro que definia a Lei Orgânica do Ensino Industrial, oriundo das idéias e propósitos da área da educação [12].

 

O destaque dos autores veio como que ilustrar o artigo da professora Maria Teresa, mostrando que o corpo político uberlandense estava em sintonia com o moderno em voga naquele período (1940-1950). A ordem era preparar o grosso da população para integrar de corpo e alma no setor produtivo, solução de profilaxia das prováveis “doenças” advindas de uma sociedade de massas, da qual a autora perece estar bem enformada e com visão arguta, ela têm olhos para a totalidade social.

4 – Adequação Pedagógica e Política Municipal: as falas acerca do “micro processo” da massificação do ensino em Uberlândia

           

A fala de João Edson Mello, no artigo a seguir, ilustra com propriedade alguns detalhes do processo de massificação do ensino, o seu argumento traduz com eficiência a célula social, mostra em termos numéricos, como a ação política vem tocando a problemática do ensino, visando um melhor aparelhamento da população para tornar o povo da cidade de Uberlândia educado e instruído, contribuindo assim para o seu engrandecimento sócio-cultural e econômico. A definição abaixo ajudará a compreender as entranhas do referido processo, sendo que,

(...) na sociedade de massa não se atende à realização do homem;  ele só levado em conta em sua capacidade de desempenhar uma função. Na filosofia liberal do século XIX, que infunde no homem o desejo de participar e estar presente em todos os processos da vida social, é um componente determinante nesse sentido, já que para ele (José Ortega y Gasset) “a rigor, massa pode definir-se como um fato psicológico, sem necessidade de estarem os homens em aglomeração [13]

 

O tratamento da situação educacional, levando em conta a massificação do ensino, aparece na fala do articulista de forma a permitir uma percepção do que ocorre no seio da sociedade de massas. Sim, porque a forma como autor tratou a questão do ensino em Uberlândia, bem como atitude política em favor do mesmo, demonstra que os aspectos considerados no artigo, possuem um alcance que mexe com as estruturas sensíveis da sociedade uberlandense. São tomados como ponto de partida até os aspectos psicológicos, culturais, sociais e políticos, 

 

Nossa surpresa levou-nos a pedir, ao professor Jerônimo Arantes, chefe da Divisão do Serviço de Educação e Saúde do município, alguns dados sôbre as condições do departamento a seu cargo. Prestimoso como sempre, o ilustre educador logo nos atendeu e pudemos conhecer tudo quanto o poder público municipal vem fazendo em pról da instrução do povo uberlandense. Como o leitor vai ver, é uma obra verdadeiramente notável o que a municipalidade de Uberlândia vem realizando em tal sentido. Funcionaram neste ano, 56 unidades escolares, sendo grupos escolares, escolas isoladas suburbanas, 2 subvencionadas, 41 em bairros e fazendas e 4 em sedes distritais. Foram matriculados .....2.997 alunos, sendo 931 entre os quais 720 adultos, nos grupos urbanos, 315 nas escolas isoladas e 1.751 nas rurais. A freqüência foi de 1.124 para as zonas  urbana e suburbana e 1.777 promoções, a saber nas classes urbanas e suburbanas....880; conclusões de curso 134; zona rural, 763. O número de professores foi de 105; com a seguinte distribuição: na cidade, 44; na parte rural, 50; em escolas isoladas, 11. A municipalidade despendeu com a instrução a soma de Cr$ ....1.060.880,00, assim distribuída: professorado,...... Cr$ 720.000,00 adicionais, Cr$ 18.360,00; material escolar, ....Cr$ 183.820,00. Diante disso, compreende –se perfeitamente porque é tão elevado índice de alfabetização neste município. O poder público do município tem cuidado de modo tão particular dêsse assunto, que se pode afirmar, estar resolvido em Uberlândia, o problema da instrução primária. Sob êste aspecto como de resto em muitos outros, êste município constitui um exemplo a ser imitado pelo país [14].

 

Os números divulgados no texto evidenciam que ação política educacional, tanto no aspecto da instrução urbana, como a instrução da massa rural, eram preocupações fundamentais dos órgãos públicos. Nessa tarefa  a argumentação do autor procura esclarecer que ação política em função das massas era para valer. O comprometimento com a causa uberlandense, constituí-se num dever cívico de cada um. Os alunos que estavam se formando deveriam empunhar esta bandeira. Uberlândia aparece na fala do autor como um exemplo a ser seguido pelo pais inteiro. Nessa preocupação com educação das massas, o discurso político é apresentado de forma sutil nos projetos de natureza educacional voltados para o todo, contando com uma certa passividade das mesmas na execução deles. Ortega y Gasset ilustra esse fato da seguinte forma:

 

A massa faz sucumbir tudo o que é diferente, egrégio, individual, qualificado e especial. Quem não for “todo mundo”, quem não pensar como todo mundo, correrá o risco de ser eliminado. E é caro que “todo mundo” não é “todo mundo”. “Todo mundo” era normalmente, a unidade complexa de massa e minorias discrepantes, especiais. Agora todo mundo é apenas massa. Este é o fato formidável do nosso tempo, descrito sem ocultar a brutalidade de sua aparência [15].

           

A abordagem acerca da educação de massas assume contornos que fogem à esfera do local. Mesmo explorando as especificidades, é possível vislumbrar a sua ligação com o processo que vinha se desenvolvendo no plano mundial a partir do século XIX. O caso de Uberlândia, embora seja singular, mantém suas amarras com as condicionantes históricas ao nível mundial, demonstradas até aqui. Portanto, o singular fica situado, dentro dessa totalidade social, no campo das aparências. O artigo da professora Maria Teresa mostra mais alguns detalhes da ação política municipal na educação em Uberlândia, ressaltando a questão da competência para administrar o ensino. Segundo ela, naquele período havia um certo descaso para com a causa do ensino. Diz a autora:

 

Visitamos em cumprimento ao nosso programa de estabelecer contato com os educandários da cidade, O GRUPO MUNICIPAL AUGUSTO CESAR, dirigido pela Srta. Nilza Guimarães Cunha e que data de 1937. Funciona à noite no Grupo Escolar Bueno Brandão. Com uma matrícula de 509 estudantes, maiores de 12 anos, tem uma freqüência média de 300 rapazes e meninas. Somente uma servente e nenhum porteiro. Apenas 9 professoras esforçadas lecionando em 5 salas. Claro é que as salas não são em número suficiente. Dá-se então o caso de funcionarem duas classes diferentes na mesma sala, obrigando as mestras a uma ginástica de conciliação: enquanto uma dá aula em voz alta a outra usa de exercícios escritos para obter o silêncio necessário a preleção da companheira. São assim mais de 100 alunos a estudarem com duas professoras matérias diversas, pios, em média as classes tem 60 alunos, o que é anti-pedagógico mas contra o que não se pode reclamar, agora oficialmente. Reclamamos nós, os defensores da infância  de Uberlândia, contra esta falta grave  que vem recaindo na administração. Não é possível que o prefeito municipal, Sr. Tubal Vilela da Silva, que tanto prometeu a Uberlândia, deixe em estado de abandono oficial um punhado de rapazes e de meninas que estudam a noite com sacrifício, porque trabalham de dia.[16]

 

Dentre os fatores enumerados pela professora, com relação as escolas observadas, destaca-se: as salas de aula lotadas, o que é antipedagógico, segundo ela, carência de professores e serviçais, para dar suporte mínimo a um ensino decente, falta de material pedagógico, defeitos da infra-estrutura das escolas, como a  falta de água por exemplo. De posse desses dados, cabe-nos a seguinte observação tomada de empréstimo:

 

Existe a necessidade de um tipo de educação política no qual se possam ensinar matérias históricas, legais e econômicas, requeridas para uma orientação crítica, a técnica objetiva da dominação das massas e a formação e controle da opinião pública. Esta educação deveria também levar em conta o fato de que existem esferas em que interesses estão inevitavelmente ligados à percepção [17].

 

A passagem da obra Ideologia e Utopia (1982), guarda uma certa afinidade com a postura da autora do artigo, quando no seu discurso aparece a pressuposição daquilo que é comum na política educacional, visando o interesse das massas: a transparência nas ações de caráter estrutural, alegada no texto jornalístico. Essa transparência necessária a toda e qualquer ação política, requer habilidades especiais no trato com a coisa pública em articular as necessidades imanentes do povo e o uso sutil e capcioso destas variáveis em favor da colheita de dividendos políticos partidários. A presença dessa modalidade de discurso, envolvendo as ações políticas no campo da educação foram comuns na imprensa local. O editorial  de 1951 enaltece a figura do educador e Secretário da Educação em Uberlândia o Sr. Jerônimo Arantes pela sua atuação no setor:

 

Na nossa edição de 11 do fluente, foi inserida a estatística, em resumo, do movimento das escolas municipais em 1951, trabalho êsse organizado pelo sr. chefe do departamento de educação da prefeitura e publicado oficialmente  sob sua responsabilidade. Por ele se verifica que no município existem cinqüenta e cinco unidades escolares, quatro das quais são grupos, cujo o número de cadeiras não foi declinado. Nesses estabelecimentos estão lotadas cento e dez professoras, que constituem hoje o pessoal docente da municipalidade. Foram matriculados no exercício 3.356 alunos, dos quais 1. 807 na zona urbana e 1.549 na zona rural. Obtiveram freqüência legal nas escolas urbanas 2.001 crianças e nas escolas rurais 1.268, num total de 3. 269. São esses algarismos bastante animadores para o município do interior de um país que ainda se queixa do analfabetismo na proporção de 60% dos seus habitantes . se só as escolas municipais concorrem com 3.269 para dos que recebem efetivamente  a instrução, concluintes que os estabelecimentos estaduais e particulares elevarão de muito a soma, talvez de forma a baixar sensivelmente a percentagem alarmante acusada nas estatísticas oficiais. È justo que se ponha em relevo a solicitude com que o govêrno municipal vem tratando do ensino[18].

 

            O referido texto trata do ensino devotado às massas, abordando a questão da “vontade política” por parte do Sr. Jerônimo Arantes, em solucionar da melhor maneira possível, o ensino na região, difundi-lo na zona rural para que os homens do campo fixem na terra, produzam alimentos para atendê-los e também abasteçam as cidades com os seus produtos. A educação estendida ao setor rural, constitui-se numa alternativa de propiciar suporte técnico para homem do campo, evitando assim êxodo rural e o “inchaço urbano”, uma preocupação de natureza política e ideológica, que perpassou o discurso da imprensa e outras fontes de informação nos  anos de 1940 aos anos de 1960. 

 

5 – A Massificação do Ensino, a Ação Política Mineira, e a Ação Política Municipal Uberlandense: interfaces do discurso

 

A saída de Uberlândia do esquecimento, como sustenta o discurso jornalístico, parecia depender muito mais do seu corpo político local do que da subvenção estadual, a chamadas verbas de representação que Estado repassa para os municípios. O clamor a partir dos anos de 1940 era para que o Estado de Minas desse mais atenção a região do Triângulo Mineiro, e é claro, Uberlândia aparece na dianteira do processo já naquele período. Ela seria o ponto chave para desenvolvimento da região, estigma que à acompanhava praticamente desde a sua emancipação política, e que a imprensa local não se fez de rogada ao bater intensivamente nessa tecla. A educação esteve presente na maior parte das reivindicações dos políticos uberlandenses, demarcando momentos históricos, mostrando que o progresso material e humano da região estaria acima de qualquer suspeita, capital material e humano não faltava para sustentar e perpetuar o desenvolvimento do interior. A educação, entendida no seu sentido amplo, instrução destinada ao ensino profissionalizante, instalação de escolas primárias, secundárias, construção de novos prédios para abrigar a possível leva de estudantes que para aqui migrariam juntamente com seus familiares à procura de oportunidades materiais e de vida, este são alguns dos elementos presentes no discurso e que dariam suporte sólido ao desenvolvimento da região, mostrando que o processo de massificação do ensino, vivido durante o período referido esteve e continua intimamente ligado às ações políticas municipais e ação política mineira. Quanto a ação política mineira,

 

(...) o que dava à educação naqueles tempos de relevância política que ela já não mantém era crença, por quase todos compartilhada, em seu poder de moldar a sociedade a partir da formação das mentes e da abertura de novos espaços de mobilidade social e participação. Havia os que preferiam a educação humanística sobre a técnica; os que defendiam o ensino universal contra os que preferiam escolas distintas para cada setor  da sociedade; os que se preocupavam com os conteúdos éticos e ideológico do ensino contra os que favoreciam o ensino agnóstico e leigo. Havia os defensores da escola pública e os guardiães da escola privada; os que punham ênfase na formação das elites e os que davam prioridade à educação popular. Todos concordavam, contudo, que optar por esta ou aquela forma de controle ou orientação pedagógica significaria  levar a sociedade para rumos totalmente distintos, de salvação ou tragédia nacional [19].

 

Nas observações dadas acima, é possível perceber o que ocorria na esfera política voltada para a educação de massa. Essa movimentação política era característica daquele período histórico, atingindo entre outros lugares, o Brasil como todo. Minas entrava como integrante desse movimento e o interior não fugia à regra. O editorial publicado pelo Correio de Uberlândia (1958), permite verificar algumas facetas do processo,

 

Parece incrível mas é verdade. É mais fácil o mundo acabar que o Estado de Minas fazer alguma coisa em Uberlândia ou em qualquer parte do Triângulo Mineiro. E a imprensa regional anda pendurada de queixas contra nossos “vizinhos” mineiros cuja a função única é tomar-nos o dinheiro aos montes, dinheiro que, naturalmente, gastam e esbanjam das maneiras mais escusas em escândalos e negociatas, pelo egoísmo e protecionismo no aconchego de sua linda e boêmia capital. GRUPO ESCOLAR FECHADO – Segundo veio ao nosso conhecimento, o grupo escolar “Cel. Carneiro” desta cidade, situado na Av. Floriano Peixoto, foi fechado porque as suas instalações, estão ameaçando desabar e matar as 900 crianças que nele estudam. São meninos e meninas pobres que precisam educar-se e não podem pagar colégios. [20] 

 

O texto ilustra de forma marcante os acontecimentos na esfera política municipal uberlandense. É possível perceber por exemplo, as formas de pressão exercida pela imprensa local, considerando o Estado de Minas Gerais como um “vizinho”, devido ao descaso para com o problema do ensino, em especial o Grupo Escolar Cel. Carneiro, em condições precárias de atendimento ao alunado local, cerca de 900 crianças estariam ameaçadas de perder o ano letivo, ou mesmo se persistissem em freqüentar aulas naquele estabelecimento, suas vidas estariam correndo risco. Faltavam recursos, que Minas deveria repassar aos municípios, e ao que parece, essas verbas não eram repassadas a contento, mesmo para as situações de emergência. Uberlândia, através de seu corpo político e sua pretensão de ser uma espécie de “Eldorado” da região do Triângulo Mineiro, não poderia conviver com esse estado de coisas. Noutro destaque da imprensa, um editorial de 1959, o que entra na pauta discussão é problemática do ensino municipal  uberlandense. Os meios de comunicação de massa são utilizados na divulgação de projetos visando a melhoria do ensino primário. Porém, segundo o editorial, soa como uma espécie de sancionalismo, com parcos efeitos práticos. A realidade do ensino é bem outra, carência de professores, falta de prédios adequados, de material pedagógico, uma situação calamitosa. A escola pública anda à beira do sucateamento, necessitando de urgente regulamentação. Mesmo com todo este descalabro vivido pelo ensino público principalmente, o editorial enxerga uma luz no “fim do túnel “.Diz o editorial:

 

[...] O que se espera de Ladeira é que consiga do estado mais grupos escolares e reforma os já existentes – precisamos de mais espaço escolar infantil [...]

Não temos tido contato com o prefeito. Mas estamos cientes de suas atividades em prol do ensino. Porque isso de ouvir voz em sua própria radio é cousa  que não nos atrai como pôvo e nem impressiona como imprensa. Aí está ele tentando resolver o problema  do ensino primário. Que este anda muito precário, necessitando de amparo oficial, todos nós sabemos. Estamos no momento de começar as aulas. As escolas particulares estão repletas de alunos, porque as públicas não conseguem instruir tantas crianças por falta de prédio, de professor, de material [21]. 

           

            Esse conflito entre o público e o privado, mostrado sutilmente no editorial, aparece em outras reflexões acerca do ensino em Minas Gerais, a ação política governamental, enfim, iniciativas que viessem de encontro à meta de organizar o ensino no Estado, havia uma preocupação em não isolar a educação da vida comunitária, fazendo com que seu aspecto público não significasse necessariamente, sua vinculação e dependência em relação a uma burocracia complexa e distante. (SCHWARTZMAN, BOMENY, COSTA, 1984, p.53). Eixo da discussão marca os rumo de uma política educacional direcionada às massas, da qual o Estado e iniciativa privada se enfrentam. São os frutos da tentativa de resolver crises inerentes ao sistema educacional que, na maioria das vezes visavam soluções no médio e curto prazos.

 

6 – A História da Massificação do Ensino em Uberlândia: uma abordagem teórico-metodológica

 

Essa massificação do ensino, para ser melhor compreendida, não é um projeto pronto e acabado, longe disso, ela está ainda em construção. Na Velha República enquanto idéia, mais à frente, a partir dos anos de 1940, como práxis. A definição abaixo ajuda clarear o conceito ao informar que:

O fenômeno da massificação provocou reação de filósofos e sociólogos que movidos por seu desprezo pelo Homem-massa, elaboram uma teoria da sociedade regida por elites superiores. Sustenta-se que as teorias da massificação são um dos mais conspícuos fenômenos de influência do pensamento político e social (ideológico) sobre as ciências sociais [22].

A massificação do ensino como objeto de investigação na imprensa, certifica-se de que o papel de socialização da informação, tem sido a sua marca registrada ao longo da história. O discurso veiculado nos jornais investigados acerca da educação direcionada às massas, possui , sem sombra de dúvida, aproximações com este esboço histórico do ensino, porque o seu modo de condução, traz sérias implicações políticas, econômicas, socioculturais e ideológicas. Os tempos conturbados dos anos de 1930, influenciaram, e continuam influenciando na elaboração dos projetos educacionais. Minas, como parte integrante da política desenvolvida a partir dos anos de 1930, teve como principal expoente nesta empreitada o Sr. Francisco Campos, no setor político e educacional. Para ilustrar:

 

É no livro O Estado Nacional que Francisco Campos elabora com minúcia de detalhes os fundamentos políticos e ideológicos que justificam a criação de um Estado totalitário que deveria substituir o Estado liberal-democrático, uma experiência, para o autor, em franco processo de decadência e desintegração. O pressuposto que acompanha essa justificação é o da falência da experiência liberal democrática, o que resultaria na afirmação de que o totalitarismo seria como que um imperativo dos tempos modernos [23].

 

As ações políticas no âmbito da educação de massas, molda as diretrizes metodológicas do ensino em conchavo com este estado de coisas. No bojo do processo de massificação do ensino tem-se o exemplo da “escola nova”, como herdeira da postura liberal clássica, coexistindo além do pragmatismo, o desejo de assegurar privilégios dentro da ordem sócio-econômica dada, isto é, a separação entre o que deve ser considerado ensino de “elite” e ensino de “massa”. Neste sentido, o movimento da “escola nova”, assume a configuração didático-pedagógica com a clara proposição de definir o que deve ser ensinado ao grupo ou frações de classe ditos “privilegiados” e a outra parcela da população, a maioria da população brasileira. A educação do período de gestão de Campos sofria as influências das idéias vinculadas à escola nova:

 

O movimento da Escola Nova sem se constituir em projeto totalmente definido estrutura-se ao redor de alguns grandes temas e de alguns nomes destacados. A escola pública, universal e gratuita ficaria com sua grande bandeira. A educação deveria ser proporcionada para todos, e todos deveriam receber o mesmo tipo de educação. Ela criaria, assim, uma igualdade básica de oportunidades a partir da qual favoreceriam as diferenças baseadas nas qualidades pessoais de cada um. Caberia ao setor público, e não a grupos particulares, realizar esta tarefa; pela complexidade e tamanho, como também, pelo fato de que não seria o caso de entregá-la ao faccionismo dos setores privados. Este ensino seria naturalmente, leigo. Sua grande função era, em última análise formar o cidadão livre e consciente que pudesse incorporar-se, sem tutela de corporações de ofícios ou organizações sectárias de qualquer tipo, ao grande Estado Nacional em que o Brasil estava se formando [24].

 

Tal movimento traz importantes implicações na história da educação brasileira e em relação ao processo de massificação do ensino, conservando a natureza dos pressupostos acima referidos.

O movimento da “Escola Nova” não aboliu a escola convencional, muito ao contrário. Ela está aí e constitui o padrão dominante nas amplas redes oficiais. A “escola nova” é que constitui exceção, organizando-se a título de escolas experimentais ou como núcleos raros, muito bem equipados e destinados a reduzidos grupos de elite. O movimento da “escola nova” não constitui-se em sistema público de ensino e influenciou apenas superficialmente os procedimentos adotados nas escolas oficiais [25].

 

Nas reflexões de Saviani pode-se apreender a preocupação com as diretrizes dos princípios que nortearam o movimento da “escola Nova”. As críticas deste movimento são bem vindas, na medida em que a intenção aí presente é proporcionar um ensino adequado à realidade daquele momento histórico, propiciar respaldo não só a ordem capitalista de produção, mas perpetuá-la, mantendo as “massas” sob controle. Exatamente assim fazia Adam Smiht quando recomendava instrução para o povo afim  de evitar sua completa deterioração no sistema de divisão do trabalho, mas, como comentou Marx, prudentemente e em doses homeopáticas [26].

Esse pensamento, nos leva ponderar sobre a base em que os articulistas presentes nos jornais pretendiam levar a diante, o que eles consideravam de importância fundamental para fazer valer os seus projetos políticos, decorrentes da necessidade dos propósitos daquele momento histórico. A trajetória das propostas pedagógicas contidas nos artigos, da extensão do ensino à maioria da população, coloca a cidade de Uberlândia no bojo de um processo mais abrangente, ou seja, às propostas de erradicação do analfabetismo no país, o que não era uma exclusividade do Brasil, tratava-se de movimento de ordem mundial. Esse processo, em Uberlândia, tendo como referência o discurso jornalístico, embarca na locomotiva do desenvolvimento do sistema capitalista e sua lógica universal.  A massificação do ensino propriamente dita, só  veio adquirir relevo considerável, do ponto de vista nacional, a partir do regime militar de 64, segundo alguns autores [27]. No período (1940-1960), o Brasil vivia o processo de industrialização, inserindo-se na ordem econômica  mundial. Octávio Ianni, na obra, Estado e Planejamento Econômico no Brasil (1971) permite entender esta dinâmica advinda do capitalismo, ou seja, a sua estruturação de forma sutil e sem fronteiras. O Brasil não foge à regras, segundo Ianni, a economia atingiu uma fase determinada do seu desenvolvimento, a industrialização deixou de ser induzida, principalmente pelo seu estrangulamento do setor externo. E, por outro lado, manifesta-se as exigências estabelecidas pela própria reprodução capitalista, em âmbito mundial [28].

Com base no modo de estruturação da economia brasileira, nestes vinte anos analisados, ficou patente que a educação entra como uma forma de garantir esta reprodução do sistema capitalista, sendo  ela a parte que irá dar-lhe respaldo, a base para sustentação e acolhimento do processo. Um olhar atento através das fontes jornalísticas permitiu-nos apreender parcela desse processo na fala de seus articuladores, bem como perceber a proposta de melhor administrar a massificação do ensino em Uberlândia, ou seja, fica visível a forma de propiciar a educação ao “povo” sem comprometer esta reprodução capitalista[29].Cabe ainda esclarecer, que, a ações políticas educacionais tomadas em Uberlândia, não foram gestadas aqui. São frutos de outras ações implementadas no âmbito da política educacional. Elas vieram influenciar de forma marcante as metas de extensão do ensino à população uberlandense, onde os setores político, o cultural, aliado ao desejo fazer da região um polo de atração para trabalhadores e empreendedores industriais e comerciais. O projeto educacional para o povo de Uberlândia, entre outros caminhos possíveis de interpretação, possui elos estreitos com esse objetivo, mantê-la na vanguarda, enquanto líder do desenvolvimento sócio-econômico do Triângulo Mineiro. A passagem da obra Tempos de Capanema, informa parte dessa dimensão assumida pelo processo histórico da educação das massas.

 

O imperativo do século consistiria no aniquilamento da neutralidade do estado que o liberalismo interessava conservar. O Estado moderno seria essencialmente um Estado de ideais, ao contrário do estado liberal que, por princípio, ....recusa-se a adotar qualquer ideal. Somente um Estado portador de uma ideologia específica e precisa desenvolveria a grande missão pedagógica e técnica em torno de um eixo ideológico definido, o que garantiria uma eficácia ímpar no esforço de condução das massas [30].

 

O presente trabalho foi uma tentativa de análise e interpretação do processo de desenvolvimento da massificação do ensino em Uberlândia, tendo como parâmetro especificamente os textos Jornalísticos de referência a Uberlândia. O discurso expresso nas falas dos articulistas não constitui-se numa exclusividade deste espaço geopolítico, amarando-se com outras questões mais complexas, que merecem análises mais aprofundadas. O editorial abaixo demonstra um pouco da dimensão dos desafios que virão pela frente:

 

Foi no dia 31 de agosto de 1888 que a lei 4.643 elevou a categoria de município as freguesias de Santa Maria e São Pedro de Uberabinha, que mais tarde viriam a transformar-se no hoje pujante município de Uberlândia, uma das maiores cidades do Brasil Central, núcleo populacional que cresce em espantosa ascensão. Fundada por um mestre-escola, Felisberto Alves Carrejo, Uberlândia conquistou, um a um, postos e posições de destaque. Hoje para a cidade asfaltada e feericamente iluminada a gasneon, com seus arranha-céus apontando para o azul infinito de seu  céu opalino, o impossível em matéria de progresso é palavra desconhecida. Uberlândia cidade-dínamo que se fez mercê do trabalho, do arrojo e do serviço de seus filhos com seus 90.000 mil habitantes, seus 15.000 prédios e 30.000 eleitores é mais que uma cidade. Já é uma pequena metrópole, jóia rara encravada no almofadão precioso do território mineiro. 72 anos passaram sem sentir para o uberlandense que olha, lá da “cidade velha”, lá da parte baixa da cidade, em direção à ciclópica “Brodway” em miniatura que é a nossa maravilhosa e festiva avenida Afonso Pena. É o colosso TV policrômico e erguendo seus 16 andares para o céu. É  o Uberlândia Clube que faz admirar-se o mais traquejado viajante que nos visita. É o ritmo acelerado das construções que não pára e o trabalho incessante e maravilhoso dos filhos desta grande terra. Por tudo isso, pelo mui que Uberlândia representa no altar dos nossos corações é que nos orgulhamos da data de amanhã, paralelo 72 na vida de nossa terra...[31]

 

Essa passagem ilustra com propriedade o intercâmbio imprensa/construção ideológica ao estimular,  formar, e informar a opinião pública a respeito das condições favoráveis ao progresso da cidade de Uberlândia. Entretanto, há que salientar que essas falas não constitui-se numa mera retórica, ela vem carregada de materialidade. Em outras oportunidades nos textos do mesmo jornal esse componente ideológico é constantemente reafirmado. O contexto histórico no qual é assentada a pedra fundamental da “Cidade-Jardim”, demonstra que o corpo político possuía perfil um ideológico definido, isto é, cuidar para que o desenvolvimento dela fosse feito em etapas, mas em etapas progressivas. Qualquer recuo no sentido de barrar o processo de liderança na região deveria ser imediatamente combatido. O móvel da ação política daqueles que detiveram o poder durante o período de 1940 a 1960, não deve ser visto desvinculado dessa ação política, em que a educação das massas, a formação do povo nos vários campos; cultual, político-partidário, intelectual e profissionalizante, funcionaria como trampolim para progresso acelerado. As feições assumidas pelo ensino trazem essa conotação de compartilhamento ideológico. Esse compartilhamento ideológico não deve ser entendido como escolha pessoal e de grupos  isolados, trata-se de um interesse uno, caraterístico de uma “cidade”, cuja “vocação natural para metrópole líder”, é incontestável, segundo o discurso jornalístico. Nesse sentido toda e qualquer ação política seja no setor econômico, sócio-cultural, seja no campo educacional, as afinidades com esse projeto deveria estar em sintonia com o “ideário do moderno”.

 

7 – Considerações Finais

            A tônica do discurso jornalístico mostra que a  cidade de Uberlândia emerge como espaço fértil para as idéias a respeito de projetos educativos, tendo em vista a modernidade e o desenvolvimento da região, a partir de 1940. Os seus antecedentes porém, mostraram que na visão do corpo político aqui sediado, o pressuposto de modernidade foi sendo montado desde a sua pedra fundamental. Nas falas foram reveladas o desejo e a determinação de torná-la uma cidade de projeção nacional indiscutível, tanto na esfera sócio-econômica quanto no setor educacional.

O que se discutiu, o que se debateu, permitiu esse grau de compreensão em torno da construção de uma mítica peculiar, específica, singular. Todo esse turbilhão de propostas de regulamentação social, tendo como ponto de partida a educação das massas, se encontram ligados aos elementos fundamentais inerentes ao desenvolvimento econômico, sociocultural e educacional em voga a partir dos anos de 1940: primeiro, a situação geográfica de Uberlândia, privilegiada em termos da topografia do terreno, favorável ao desenvolvimento, tanto de natureza agropecuária quanto industrial e comercial; segundo, a sua proximidade dos grandes centros potencialmente consumidores – São Paulo, Rio de Janeiro e o Cento-Oeste; terceiro, a vontade política por parte de seu corpo administrativo, unido desde a sua fundação em favor de Uberlândia líder de um espaço geoeconômico na região do Triângulo Mineiro.

A discussão acerca da massificação do ensino em Uberlândia, apontado no decorrer deste trabalho, amarram-se com questões que fogem à esfera do meramente local. Embora apresentem suas especificidades demonstradas nesta reflexão, o que está em jogo são questões de ordem complexas do ponto vista metodológico, quando o assunto é esboçar uma educação que viesse de encontro às reais necessidades do município. A educação tratada no discurso jornalístico é a educação formal, legitimada, regulamentada, tendo como uma espécie de capa protetora o Estado. Este fez-se presente na maioria dos discursos dos articulistas ora como colaborador no processo, ora sofrendo críticas severas por parte dos dirigentes políticos locais e por pessoas comprometidas com a causa uberlandense. Dado o teor da proposta para a “Cidade Jardim”, de torná-la uma região de polo industrial e comercial, uma condição nascida da exigência dos seus fundadores, mostra bem a feição que iria tomar sobretudo a partir dos anos 40.



[1] Bacharel e Licenciado em História e mestarndo no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da  Universidade Federal de Uberlândia, MG e bolsista da CAPES.

[2] Doutor em Educação pela UNICAMP, professor na FACED e no Programa de Mestrado em Educação da Universidade Federal de Uberlândia, MG.

[3] O Correio de Uberlândia era considerado como um dos jornais de maior prestígio no interior do Estado de Minas Gerais, em 1959, de acordo com a seguinte nota: “(...) Dentro de breves dias o leitor uberlandense terá a oportunidade de receber, pela manhã, o jornal de maior tiragem da cidade. Estamos ultimando os estudos neste sentido, afim de que Uberlândia possa ser a primeira cidade, do interior do Estado, a ter jornal com entrega a domicílio. CORREIO DE UBERLANDIA, tendo pois a primazia de ser o primeiro a funcionar com entrega domiciliar própria”. Nota: Correio de Uberlândia primeiro Jornal do interior com entrega à domicílio”. Correio de Uberlândia, ano XXII, n.º  6984, de 17 de fevereiro de 1959, p. 01.

[4] Dentre as obras de caráter específico sobre a educação e a preocupação com o processo histórico e da  massificação do ensino e a imprensa, chamamos especialmente a atenção para: WIRTH, John D. O Fiel da Balança: Minas Gerais na federação brasileira (1889-1937). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. A obra fornece detalhes acerca de aspectos referentes à economia, a política e a sociedade mineira. A massificação do ensino despertou interesse de estudiosos de História da Educação. Dentre os estudiosos chamamos atenção:  André PETITAT. Produção da Escola  - Produção da Sociedade: análise sócio histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994, 268; Michel LOBROT. Para que Serve a Escola ? Lisboa: Terremar, 1992, 170 p. Na obra de Lobrot chamamos a tenção paro um capítulo intitulado: “Pedogia das Massas” (pp.89-119), onde há uma visão crítica do processo do ensino voltado para as massas, especialmente a crítica  da tese neomarxista. Maria Helena Câmara BASTOS &, Luciano Mendes FARIA FILHO (Org.). A Escola Elementar no Século XIX – O método monitorial /mútuo. Passo Fundo: EDIUPF, 1999, 280p; José Marques de  MELO.  A Opinião no Jornalismo Brasileiro: 2  ed., Petrópolis,  Vozes, 1994, p. 208. Nesta obra o autor dá uma panorâmica do que é o Jornalismo, além de informações que permitem identificar os gêneros literários presentes no jornalismo informativo e opinativo. CATANI, Denice Barbara & BASTOS, Maria Helena Câmara (Org.). Educação em Revista – A Imprensa Periódica e a História da Educação. São Paulo: Escrituras, 1997.

[5] Cf., MANNHEIM, Karl. O Homem e a sociedade: estudos sobre a estrutura social moderna. Rio de Janeiro: Zahar,. 1962, p. 24. (Biblioteca de Ciências Sociais).

[6] Esse anonimato geopolítico, reflete um discurso de postura dentro da conjuntura sócio-econômica desenvolvida no Brasil e disseminada com mais intensidade a partir dos anos de 1940. Cabe esclarecer no entanto, que tal anonimato é reclamado pelos políticos ligados aos partido de orientação liberal (ARENA, UDN, PSD), no decorrer dos anos de 1940 a 1960. A utilização da expressão anonimato geopolítico, vincula-se ao fato de que em situações de reivindicações de melhorias para a cidade, tais como: mais escolas, mais hospitais, mais atenção do governo de Minas Gerais para com a região do Triângulo Mineiro e, em especial Uberlândia, por ser a mais dinâmica nesse período, maior retorno das verbas do Estado de Minas Gerias destinada aos municípios. Uberlândia, por intermédio do discurso da imprensa, procura informar não só as pontencialidades do seu povo, mas também vangloriar-se de sua localização geográfica. A sua situação geoeconômica aparece como um dos fatores determinantes de um progresso contínuo e em sintonia com o moderno. O anonimato geopolítico está intimamente vinculado ao fator arrecadação de impostos, considerada elevada já a partir de 1940, o que legitima as suas reivindicações acerca do retorno de verbas de representação por parte do Estado de Minas Gerais, “o estado vizinho”, como sustentava o discurso como forma de pressionar e conseguir atenção dos governadores. Uberlândia com a sua “vocação natural” para progresso,  não poderia continuar à mercê de políticos oportunistas, por ser considerada o “Portal do Cerrado”.

[7] Nota: “Instrução”. Correio de Uberlândia, ano II, n.º 503, de 20 de janeiro, de 1940, p.04. Nota: “Instrução”.

[8] Palestra: “Magnífico Programa de Govêrno Municipal como Único Objetivo, os Reais Interesses da População ”.Correio de Uberlândia, ano XII, n.º 2.971, de 20 de agosto, de 1950, pp.01-04.

[9]Cf.,  ORTEGA Y GASSE,  José. A Rebelião das Massas.  São Paulo: Martins fontes, 1987:  pp.131-132.

[10] Reportagem: “A Escola Vocacional Industrial de Uberlândia” Correio de Uberlândia, ano XII, n.º 3.004, de 7 de outubro, de 1950, p. 01. Reportagem: “A Escola Vocacional Industrial de Uberlândia”

[11] Maria TERESA.: “Da Importância dos Cursos Industriais para o Brasil” Autora: Correio de Uberlândia, ano XII, n.º 3.004, de 7 de outubro, de 1950, p. 04.

[12] Cf., SCHTZWARMAN, Simon et alii. Tempos de Capanema. São Paulo:. EDUSP, 1984, p. 238. Este livro foi escrito por três autores (as) Simon SCHWARTZMAN, Helena Maria Bousqet BOMENY e Vanda Maria Ribeiro COSTA.. (Coleção Estudos Brasileiros; Vol. 81). 388 p. A obra traz como apêndice uma série de cartas de autoria de Gustavo Capanema, correspondências que procuram revelar a dedicação de Capanema à “causa política e educacional” da Nação brasileira.

[13] Cf., A sociedade de Massas, DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, Rio de Janeiro: FGV, 1986: p. 727.

[14] João Edson MELLO. “A Instrução Primária em Uberlândia”. Correio de Uberlândia, ano XII, n.º 3.053, de 14 de dezembro, de 1950, p. 04.

[15] Ibidem, Ortega y Gasset, 1987: p. 41.  

[16] “Maria TERESA Escolas Municipais”. Correio de Uberlândia, ano XIV, n.º 3.192, de 7 de julho de 1951, p. 04.

[17]Cf., MANNHEIM, Karl. Ideologia e Utopia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p.207.

[18] Editorial: “Instrução Municipal”. Correio de Uberlândia, ano XIV, n.º 3.192, de 15 de dezembro de 1951, p. 02.

[19] Ibidem, SCHWARTZMAN et alii, 1984:  p. 51.

[20]Editorial: “900 Crianças Uberlandenses estão sem Grupo Escolar”. Correio de Uberlândia, ano XXI, n.º 5.638, de 25 de fevereiro de 1958, pp. 01 e 06.

[21]Editorial: “Ensino: Prefeito quer reorganizar o ensino em Uberlândia”.Correio de Uberlândia, ano II, n.º6.984, de 17 de fevereiro de 1959, p. 01.

[22] Ibidem, DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, 1986:  p. 728.

[23] Ibidem, SCHWARTZMAN et alii. 1984, p. 53).

[24] Ibidem, SCHWARTZMAN et alii. 1984, pp. 53-54.

[25] Cf., SAVIANI, Dermeval. A Filosofia da Educação e o Problema da Inovação em Educação. In: GARCIA, Walter E.  (org.). Inovação Educacional no Brasil – Problemas e Perspectivas. .São Paulo: Cortez, 1980, pp. 22-23.

[26] BRAVERMAN, Harry. Trabalho e Capital Monopolista. A Degradação do Trabalho no Século XX. 3 ed., Rio de Janeiro: Guanabara.  1987: p. 44.

[27]Cf., GERMANO, José Willington.). Estado Militar e Educação no Brasil. São Paulo: Cortez, 1995. A obra trata de política educacional no período militar. 

[28]IANNI, Estado e Planejamento Econômico no Brasil (1930-1970). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971 p.145.

[29] Os autores fazem referência  à questão do capitalismo e sua estruturação em âmbito mundial, bem como a inserção do Brasil no processo. Cf., FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil, 4 ed.,  São Paulo: Nacional, 1971; FERNANDES, Florestan. A Revolução Burguesa no Brasil – ensaio de interpretação sociológica, 3 ed., Rio de Janeiro, Guanabara, 1987.

[30] Ibidem, SCHWARTZMAN et alii. 1984, p. 62.

[31] Editorial: “Uberlândia: 72 anos de trabalho e progresso”. Correio de Uberlândia, ano XXIIII, n.º 9.09, de 30 de agosto de 1960, p. 01.