1. PROFESSORES DE HISTÓRIA E SUAS MEMÓRIAS DA DITADURA.

“Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas.” ( Le GOFF) 

Marisa Noda *

 

Ao iniciar esta discussão faz-se necessário explicitar que a história oral é  entendida enquanto método de pesquisa, não somente, capaz de levantar fontes eficazes para o  entendimento do processo histórico no qual estão inseridos  os professores de história  que se formaram e/ou atuaram nos anos de 1968 a 1979, como também, pode ser utilizada para levantar dados para pesquisas diversas, como por exemplo, obter o perfil psicológico de determinada pessoa. Quando utilizada por historiadores, a fonte levantada, a memória, capacita a interpretação do período estudado de  forma clara e satisfatória.  

Ao trabalhar com fontes orais o historiador deixa  de lado uma série de costumes, pois utiliza-se de uma idéia  nascida dentro da perspectiva  da História Nova, onde não mais  busca-se apenas documentos escritos para construir a história, exatamente por considerá-la uma construção, uma representação do passado e presente. Assim procedendo, os historiadores franceses[1] ligados à gênese deste pensamento liberam   a história da objetividade, do discurso da verdade imutável, levando-a à aceitar outros tipos de fontes, e consequentemente enxergar as possibilidades da oralidade para a história - muito embora os historiadores da Escola dos Annales não utilizassem este tipo de fonte.

“O trabalho com depoimentos orais e histórias de vida concebe-se, muitas vezes, como uma alternativa às interpretações estruturalistas e como um contraponto a determinado tipo de discurso homogenezador, que não reconhece a pluralidade das diferentes versões sobre os acontecimentos. Nesse aspecto, o trabalho com fontes orais se constituiria numa reação às explicações globalizantes, apoiadas fundamentalmente em documentos escritos”.[2] 

É comum a crítica que a história oral é por demais subjetiva,   enquanto método para o estudo da história, ocasionando um desconforto à historiadores que acreditam  apenas nas fontes históricas objetivas enquanto indispensáveis para o conhecimento do passado. Considerando que a subjetividade faz parte da história, na medida em que a construção dos homens é subjetiva.

Reafirmando, as fontes orais recebe inumeráveis críticas, de historiadores que não a consideram confiável enquanto fonte capaz da reconstrução do passado. Um exemplo deste tipo de historiador é Arthur Marucick que  mesmo ao confirmar seu crédito à história oral, demostra uma certa desconfiança, como aponta o historiador Paul Thompson:

“Um texto histórico baseado exclusivamente em fontes não documentais, digamos a história de uma comunidade africana, pode ser mais superficial menos satisfatória do que outras, extraídos de documentos, mas é história do mesmo jeito”.[3]

Observa-se um certo desconfiança pela fonte oral, como se a mesma não tivesse possibilidade de ser o principal método de uma pesquisa, e sim apenas substituta que eventualmente auxiliaria quando da impossibilidade da personagem principal: o documento escrito. A este tipo de “preconceito” Paul Thompson responde:

“Os historiadores da geração mais antiga, que detém as cátedras e as chaves     do     cofre        ficam instintivamente apreensivos com o advento de um novo método. Isso implica que não dominam mais todas as técnicas de sua profissão. daí os comentários despropositados a respeito de jovenzinhos perambulando pelas ruas com um gravador na mão, e a preocupação com detalhes insignificantes para justificar seu ceticismo (...). Mas ao tempo abrandará a maioria desses sentimentos: o antigo será substituído e um número cada vez maior deseja conhecer pessoalmente a experiências social e intelectual da História Oral” [4]

O trabalho com historia oral permite voz aos vencidos. Lembrando que alguns  historiadores, como Edgar De Decca e Maria Odila Leite da  Silva Dias, mesmo sem utilizarem-se  deste método tem propiciado esta oportunidade com suas produções. Àqueles que raramente apareciam nos discursos históricos, a não ser de forma muito genérica. O entrevistado que narra seu cotidiano passado e presente  tem o domínio do que vai ser relembrado, no entanto, é o historiador quem detém a análise do que foi dito como alertam  Maria de Lourdes M. Janotti e Zita de Paula Rosa:

"Há décadas a historiografia vem-se ocupando do resgate da memória dos vencidos. Da perplexidade em relação aos testemunhos de marginalizados, a história oral tendeu a considerar utopicamente seu trabalho. Ao dar voz aos vencidos, acreditou estar abrindo mão de espaço do cientista para que outro falasse e, assim, redimisse o grupo. No entanto, o historiador continua a comandar o processo do conhecimento ao selecionar depoentes, recortar temas, reescrever falas e construir a explicação histórica a partir do que generosamente lhe foi oferecido”. [5]   

Outras questões causam inquietações nos historiadores  adeptos da história oral, ressaltando, embora  não sendo da mesma natureza, pois trabalham com fontes diferentes, há  tempos, historiadores que se utilizam   de documentação estritamente escrita  também manifestam suas preocupações   acerca do problema da ética na historiografia:

“Citações corretas de trechos, títulos, autores e locais de guarda de documentos ; atribuições dos créditos intelectuais a quem de direito; fidelidade às fontes - mesmo quando, miseravelmente, elas destroem as belas teses imaginadas pelos historiadores - ; transparências de conceitos e da metodologia utilizados; exposições das lacunas, dúvidas e incertezas da pesquisa não são meros procedimentos seguidos historiadores bem treinados em seu ofício. São, fundamentalmente, procedimentos éticos, que servem para regular as relações entre os próprios historiadores, entre estes e suas fontes e entre estes e seus leitores”.[6]

Nesse sentido,  a análise  das entrevistas, parte do pressuposto que estando os entrevistados todos vivos, torna-se necessário um cuidado dobrado com relação aos seus relatos. Ter a preocupação em pedir permissão para a divulgação dos conteúdos das entrevistas é primordial, assim como, de suas transcrições. A interpretação do falado também deve ser seguido de cautela, pois considerando a não   intenção de se criar verdades absolutas, e, ainda, lembrando, muitas vozes falam juntas neste momento:

 “(...) a necessidade de o historiador ser fiel não apenas às palavras dos informantes, mas ao sentido da entrevista, evitando, por exemplo, citar trechos onde apenas uma parte das opiniões é revelada, para não lhes alterar o sentido global; a necessidade de o historiador explicitar, para os informantes, os objetivos do trabalho e os possíveis usos que fará da entrevista; a necessidade de respeitar as solicitações dos entrevistados, como o resguardo da identidade(...); a necessidade de diferenciar a fala de cada um dos entrevistados, evitando diluí-los em um conjunto homogêneo, indiferenciado internamente; a necessidade de diferenciar claramente a voz do historiador das do entrevistado”[7] 

Muitos questionamentos sobre a objetividade histórica de utilização de memória como fonte são objetos de discussão, principalmente, por aqueles que vêem a história como  responsável pelo conhecimento do passado, e consequentemente,  devendo  estabelecer  verdades absolutas, para isto os métodos e fontes devem  ser objetivos e racionais.[8] Assim, a memória não poderia ser aceita enquanto fonte histórica. A subjetividade da memória a impediria de ser tida como documento verossímil, este tipo de pensamento Edgar De Decca levanta a seguinte crítica:

“O acontecimento histórico não poderia ser interpretado segundo as experiências da memória, pois esta representava o lugar por excelência do erro e da mitificação. O evento em seu aparecer deveria ser capaz de revelar a imanência da razão, para  que pudesse ser interpretado, e a memória estava definitivamente comprometida como fonte de entendimento histórico”.[9]

Nesse sentido, só a história pesquisada cientificamente, através de documentos escritos,  promoveria o discurso verdadeiro sobre o passado, pois suas fontes eram testadas e criticadas dentro de uma racionalidade científica, levando  à crença em um passado imutável, de verdades plenas, absolutas. Na proporção em que dá-se  à este conhecimento esta aura, corre-se o perigo com aqueles que costumam apropriar-se do passado  para exercer domínios  no presente, para os quais, a objetividade histórica é  como um instrumento para solidificar seus alicerces.

A historiografia  que entende o documento escrito, calcado na oficialidade, como o mais seguro para contar acontecimentos passados e presentes acaba por apoiar o entendimento histórico  daqueles que comandavam politicamente os Estados, defensores que a história seria feita   pelos detentores do poder.    O século XX veio promover a contestação dessa visão histórica, a história, e, consequentemente o passado, enquanto verdades absolutas foram questionados. A objetividade passa a ser discutível, com isso, outras fontes,  não objetivas, passam a fazer parte do cotidiano deste conhecimento.

“Por outro lado, a nova história começou a se interessar por virtualmente toda a atividade humana. “Tudo tem uma história”, como escreveu certa ocasião o cientista J.B.S Haldane; ou seja, tudo tem um passado que pode em princípio ser relacionado ao restante do passado.(...).O que era previamente considerado imutável é agora como uma “construção cultural”, sujeita a variações, tanto no tempo quanto no espaço”. [10]

A partir da aceitação que a história é uma construção da humanidade, e que as verdades históricas podem ser contestadas, abriu-se um leque de novas possibilidades na investigação do passado. Outras fontes que não as escritas surgem nos horizontes históricos, como por exemplo roupas, diários pessoais, cartas, etc. A história pode ser escrita através de incontáveis fontes, dentre elas, a memória, embora alguns autores ainda  resistam à sua utilização, por considerarem a história e a memória em lugares separados.  Maurice  Halbwachs   argumenta:

"(...) enquanto a memória é múltipla, a história é uma e podemos dizer que não há senão uma história, por outro, a memória trabalha com o vivido, o que ainda esta presente no grupo, enquanto a história trabalha e constrói uma representação de fatos distantes, ou mesmo onde ou quando se encerra a possibilidade de encontrar testemunhas daquela lembrança.”[11]

 

Continuando:

“A história, sem dúvida, é a compilação dos fatos que ocuparam o maior espaço na memória dos homens. Mas lidos em livros, ensinados e aprendidos nas escolas, os acontecimentos passados que ocuparam o maior espaço na memória dos homens.”[12].

Para Halbwachs os depoimentos como história de vida, onde a utilização da memória faz-se necessário, não são válidos para analisar determinada realidade histórica. O autor considera que sendo a memória formada por elementos exteriores, onde as estruturas sociais prevalecem sobre os elementos interiores, as lembranças seriam fruto do presente, determinada pelo hoje, e não herança arrecadada pelo indivíduo através de suas experiências.

Quanto à colocação acima, o historiador alemão Lutz Niethammer levanta a coerente questão:”(...) as condições de reconstrução podem ser construídas, se a memória interior está realmente vazia, ela não guarda também conteúdos inconsciente e involuntários?” À esta pergunta, o próprio responde: que a memória seria uma interação interior e exterior,   com  níveis   de   consciente   e inconsciente, onde a genética e o social, entre outros aspectos, interagem.

Desta forma utiliza-se  a idéia de memória em seu sentido social, onde outros componentes são importantes, como por exemplo, as experiências individuais de cada depoente, assim as lembranças, a formação passada pela família, o posicionamento frente a determinadas circunstâncias políticas. Entende-se a memória enquanto uma composição do social com individual, que a subjetividade da memória em muito enriquece o trabalho;  como salienta Alistair Thomson.[13]

Ao escolher-se a história de vida como técnica de uma pesquisa o historiador deve ter claramente compreendido que esta  é uma troca, é onde o depoente fala, e o ouvinte, no caso historiador, descobre o prazer de ouvir. É ilusório considerar o depoimento como uma via de mão única, onde só se busca informações, pois estas chegarão na medida do interesse daquele que ouve. Isto fica claro quando Maria Esther Fernandes nos chama a atenção sobre o relacionamento de reciprocidade, pois este leva à interrogações essenciais para o bom trabalho:

“O processo de produção de umahistória de vida” não é simples. Se o pesquisador a utiliza apenas como um meio de obter do outro as informações que ele é capaz de fornecer, ela nos oferecerá muito pouco, pois é a própria natureza da relação estabelecida com o informante que a torna vazia ou plena de sentido. É ela que determina o interesse, (ou ambigüidade) da pesquisa. Isto porque a pessoa interrogada, tal como o pesquisador, também se interroga, se revela ao outro e a si mesma.(...) A potencialidade da “história de vida” situa-se precisamente na força desta  interrogação que se estabelece entre dois indivíduos diferentes que se defrontam, revelando suas linguagens e as marcas de suas origens, num trabalho de questionamento e descoberta do outro”. [14]

Fica claro que o relacionamento entre entrevistador e entrevistado deve ser cordial, munido de respeito pela  pessoa que fala, e pelo o quê ele fala, pois estas são posições imprescindíveis, considerando que o depoente vai abrir sua casa e suas lembranças para alguém, que na maior parte das vezes não faz parte de seu cotidiano, portanto um corpo estranho ao mundo  ao qual está inserido aquele que conta.

 Outra preocupação quanto à utilização da história de vida como forma conhecer como professores que tiveram sua formação durante o regime militar, com todas as peculiaridades que já foram levantadas, atuaram pós este período em sala de aula, é também compreender que este professor não é algo solto, sem contatos. Que seu cotidiano conta muito para entender-se sua posição profissional. Para esclarecer melhor esta questão Selva Guimarães Fonseca faz a seguinte observação: 

 " Assumo a proposição de que a análise do modo de ensinar deve ser feita considerando fundamentalmente a pessoa - professor, o seu desenvolvimento pessoal e profissional ao longo do tempo. Assim, reconstruir trajetórias de vida significa recuperar os diferentes sentidos e significados que os sujeitos dão às suas experiências, e o modo como constroem e reconstroem suas identidades." [15]

A subjetividade do relato é explicita, cabendo ao historiador ficar atento; e a utilização de outras técnicas enriquece mais este fator, pois  podem dar conta do cotidiano do entrevistado,    o que é de importância indiscutível, na medida em que saber sobre como vive e onde vive o entrevistado, e contribuir para um melhor entendimento e análise das lembranças relatadas. 

Sobre a história oral, a memória e a história de vida, muito se tem questionado. As críticas feitas são parecidas, todas reforçam um mesmo ponto sobre o método, a fonte e a técnica de pesquisa, a subjetividade.  Criticas que  muito contribuíram para a viabilização do trabalho, na medida em que despertam um desafio desigual para  trabalhar com a subjetividade histórica.     

Assim, as reminiscências pessoais de alguns professores de história de Londrina, ajudaram a entender como os professores de história conduziram o discurso do governo militar e como isto influenciou em suas memórias da ditadura ,especialmente fora dos grandes centros urbanos. E, entrevistar parte destes professores,  percorrer  suas memórias, tornou-se tarefa difícil, importante e delicada. Porém, carregada de prazer, na medida em que expressões e reticências apareceram, e os silêncios disseram tanto quanto as palavras.

Ao analisar as entrevistas com esses professores[16], percebeu-se que o momento político pelo qual passava o Brasil foi significativo na vida de todos, pois de alguma forma sua formação  profissional foi marcada por fatos acorridos no período, o que resta conhecer é a intensidade da marca e de seus efeitos na posterior prática pedagógica desses professores.

Trabalhando com profissionais que fizeram sua graduação entre os anos citados acima, na cidade de Londrina, embora sendo o curso escolhido um curso de licenciatura plena ( Graduação em História), percebeu-se que a formação deste profissional, mesmo que em uma universidade pública[17] foi prejudicada por imposição de currículos e conteúdos, causando certa estranheza em determinados alunos:

“Eu acho que não tem cabimento você estudar História Econômica e na bibliografia não ter o Capital de Karl Marx ( Prof º Homero Amaral:1987)

 De ante mão,  as entrevistas, ofereceram material para tal debate, percebeu-se que a repressão, e  a censura, eram constantes  na vida dos então jovens estudantes e futuros  professores/historiadores,  como fica claro na fala do professor Homero Amaral :

 “(...)Quando nosso, grupo ganhou as eleições para o Centro Acadêmico Rocha Pombo, no outro dia veio uma carta, da Polícia Federal, para o rapaz que era presidente, para ele apontar aqueles alunos que estavam fazendo agitação social aqui, ele pegou a carta e rasgou na minha frente; me disse:_ Olha o que recebi que coisa mais estranha, violenta).”Homero Amaral: 1997).

Na fala da professora Iolanda Shults, a censura que marcava a época fica latente, o anseio com que a entrevistada enfatizou a repressão, colocando a falta de esclarecimentos acerca de alguns assuntos como  importante fator de sua formação, ao mesmo tempo relacionou as proibições que o período impunha às pessoas:

 Tinha alguns professores que colocavam medo, que contavam certos fatos que estariam acontecendo, mas era uma coisa assim, pelo menos para nós, era uma coisa meio longe, mas nós sentíamos que os professores não queriam falar do assunto..., e... outra coisa começou a aparecer nesta época, por exemplo, o que é proibido...esse livro é proibido, esse livro é perigoso(...)” ( Iolanda Shults: 1997)  

O professor  Claudionei destacou sua participação no movimento estudantil, salientando o constante alerta com relação à repressão política que se fazia na época:

" Na época em que fazíamos reuniões do DCE ( Diretório Central dos Estudantes) tinha gente do Serviço Nacional de Informação, o SNI, assistindo as reuniões se dizendo do MEC ( Ministério da Educação e Cultura), nós sabíamos que era mentira, mas nós fazíamos aquelas reuniões formais, depois de lá nós terminávamos as reuniões, eles iam embora, nos reunimos depois em um bar  nós  falávamos o que tinha que falar, traçavamos as estratégias de ação."( Profº Cludionei, 1997)

Na fala da professora Guiomar também percebeu-se claramente que durante os anos em que estava completando sua formação profissional, a repressão  por parte do governo era marcante, mesmo aqueles que não participavam ativamente na política estudantil, como é o caso desta professora, sentiam-se pressionados, com a forte marcação que a polícia da época  fazia sobre o movimento estudantil:

"Eles ( a polícia) abriram os quartos, reviravam tudo,  abriram todos os guardas roupas, olharam em baixo das camas, tiravam todos os livros, o que eles achavam que era de política estudantil, era subversivo, que eles não queriam,  eles recolhiam tudo, (...) quando chegaram no quarto da gente, que angústia, que nervosismo..."( Profª Guiomar, 1997)

Não somente o movimento estudantil era vigiado,  as aulas e os alunos passavam por freqüente vigilância,  como comentou a professora Guiomar:

"Quando eu fiz vestibular, comigo fez um rapaz  que era do DOPS, ele fez o vestibular, foi super mal, mas ele passou, no inicio ele ia todos os dias a aula, mas depois ele faltava, mas ele nunca ficou pra dependência, nunca ficou para exame,(...). Teve uma certa época em que ele entrava muito nos grupos da gente fazia muitos trabalhos com a gente, uma hora fazia com um outra hora fazia com outro os trabalhos."( Professora Guiomar, 1997)

Essas falas confirmam que a formação desde professores ficou comprometida, pois é visível que muitas discussões não puderam ser feitas, devido as características do governo da época, que não aceitavam idéias de democracia, participação política social, movimentos trabalhistas. Este tipo de ativismo era  considerado subversivo, portanto nocivo à sociedade brasileira.

A professora Iolanda destacou perfeitamente bem  que sua formação foi diferenciada com o governo militar, pois ela iniciou seu curso de história em 1963, antes do Golpe de 64, e terminou em 1966 já sob o governo ditatorial:

"Eu senti que houve uma mudança do primeiro ano para depois. O primeiro ano o pessoal era mais aberto mais questionador, porque não tinha o golpe ainda. Eu peguei antes, depois  eu  já senti uma diferença, o pessoal com medo, com medo e... aquele negócio assim... quem é do lado de lá, quem é do lado de cá, muito dessa separação, (...) esse daí é cabeça comprada, esse daí e perigoso, (...) mas o que dava mais medo no pessoal era o livro, o livro que era proibido."( Profª Iolanda, 1997)

Podemos destacar que quando se limita o que pode ou não pode ser lido pela sociedade, ou mesmo por alunos de um determinado curso, também se limita muito do conhecimento, pois não proporciona ao indivíduo conhecer variadas posições de um mesmo assunto. Levando-o a um conhecimento parcial, sem contradições, e mais especificamente no curso de história, ao estabelecer verdades absolutas, que serão muitas vezes reproduzidas em sala de aula como acontecimentos verdadeiros e imutáveis. 

A professora Iolanda demostrou esta parcialidade muito claramente:

"Nenhum professor tinha nos ensinado, ou nos alertado, que o livro... há várias versões da história, eu nem... (...) nunca ninguém tinham me falado que a história pode ter várias versões, porque livro não se tinha, davam texto pronto com a idéia que o professor tinha na cabeça, ele chegava com uma verdade absoluta e te passava aquilo. ( Profª Iolanda, 1997)

Indiscutível  que os militares, no poder com o Golpe de 1964, tentavam criar uma memória oficial  sobre o seu governar, e a história foi utilizada para tal fim, até mesmo em denominar o golpe de "Revolução de 1964", e comemorá-la a cada 31 de março. Sabe-se que o termo revolução está imbuído, ideologicamente, do significado de participação popular, assim a população via-se como parte do processo e tendia a identificar-se com o governo revolucionário, não havendo desobediências, tornando o ato de comandar menos problemático.

Michael Pollak(1989) alerta sobre a importância do domínio da memória., pois na medida em que se fundamenta uma memória  para determinada sociedade, reforça-se o sentimento de pertencer a este grupo, isso significa, em última instância, propor uma identidade comum, com ideais a serem alcançados por todos, pois todos tem a mesma origem e tem objetivos iguais.

O trabalho de formar uma memória comum, oficial, sobre a ditadura militar brasileira é perceptível na propaganda governamental, vinculada por cartazes, televisões, rádios, jornais, etc., onde cria-se um país homogêneo , sem diferenças, todos com os mesmos projetos; uma coletividade inteiramente voltada para a grandeza e progresso da nação, e caminhando para a democracia.  E mesmo após os anos de ditadura, alguns de seus defensores tentam legitimar  a memória que se pretendeu  para aquele momento:

“O relato de Carlos Alberto B. Ustra[18] aproxima-se das memórias de Armando Falcão[19], quando assume a defesa incondicional da revolução de 64. Ambos não abandonam a causa a que aderiram a partir de 64.  continuando a defender, no presente, os projetos constitutivos da revolução de 64. Ustra, mesmo com todas as acusações que a imprensa divulga sobre a sua pessoa, não abandonou a certeza de que contribuiu para extirpar o comunismo e restabelecer a democracia”. [20]

Com  a anistia em 1979, que proporcionou a volta ao Brasil de seus exilados políticos e também a saída do cárcere de vários cidadãos, até então  considerados nocivos à sociedade,   a liberdade de expressão e a abertura política nos anos subsequentes, as denúncias contra o governo ditatorial se acumularam, tanto a imprensa como as editoras trataram de vincular estas notícias, deflagrando séria propaganda acerca das atrocidades cometidas pelo militares. As acusações que algumas pessoas já haviam feito em outros países, sobre a realidade brasileira, passaram a fazer parte das manchetes de jornais e revistas no país.

A sociedade de maneira geral, passa a condenar e exigir explicações dos militares. Os livros didáticos, passam a explicar os acontecimentos de 1964 como um golpe sofrido pela democracia brasileira e não um revolução feita para preservá-la. Sindicatos são ressuscitados, associações de bairros começam a emergir buscando seu espaço. Enfim, as críticas contra a ditadura começam a aparecer, de forma clara e objetiva, todas os seus atos  são cobrados, não só os cometidos nos porões da ditadura, como também as negociatas econômicas envolvendo altos escalões governamentais.

Músicas, filmes, peças teatrais, novelas de televisão, até então proibidas pela censura passam a concentrar um grande número de leitores. As pessoas passaram a ver o país e a ditadura com outros olhos, era como se estivessem conhecendo seu país nos anos oitenta. Essa visão fica clara nas palavras do depoimento  do professor :

“Interessante que quando a censura caiu... nossa... gente eu li...Do Gabeira eu li três livros pra gente saber como era a versão deles. Li daquele Alfred Syrkis , ele é vereador pelo Partido Verde do Rio de Janeiro, também foi... não sei se do mesmo grupo do Marighella ... ou uma coisa assim. Aí vi tudo que era publicação, aquele Brasil Nunca Mais eu comprei, depois comprei os do Gabeira para eu me inteirar . Do Zenuir Ventura, 1968 o ano que não terminou. Então você vê a sede que a gente tinha de ver um período que eu vivi e não conheci direito. Olha que coisa terrível que era, você não ter informação, eu não sabia das coisas que eu vi no livro do Gabeira ... a gente fazia idéia, mas tinha muita coisas que a gente não sabia que estava acontecendo como eu vou dizer para você: professor de história conhecendo a Historia do Brasil num período que ele viveu que foi testemunhas disso, mas não sabia por causa da censura”. ( Profº Homero Amaral, 1997). 

Ë perceptível, diante deste testemunho, que a formação da memória histórica sobre  período em questão foi construída posterior ao fato, ou seja, esta memória foi criada a partir de uma leitura feita sobre a ditadura e da necessidade de como professor de história fazer parte da resistência ao regime e não propriamente de um vivido contra a repressão.

É compreensível que buscava-se uma outra reconstrução da história do Brasil recente, agora contado por aqueles que eram contra o poder nos anos de repressão política, dentro de um discurso histórico muito diferente do anterior. As novas publicações traziam uma outra versão para os fatos ocorridos nas duas décadas anteriores. Torna-se visível que uma outra concepção do governo militar tenta-se formar a partir da crítica do mesmo.  Da mesma forma começa a ser delineado uma identidade para o professor de História, de crítico do sistema e formador desta nova memória pós  abertura política.

E, como a censura era uma característica do governo militar, responsável pela proibição de divulgação de certas idéias,  a partir do momento que esta não mais se faz presente,  tudo o que se publica torna-se verdade incontestável, e a partir disso temos a formação de um outro discurso histórico.  Desta forma o período da  revolução de 64, passa a ser denominado de golpe militar, pela nova historiografia.  No entanto pode-se perceber nas falas dos professores que demonstram a assimilação dos ideais da ditadura :

"Eu não queria falar bem da Revolução de 64, acha que eu vou lá falar, se eu estou sabendo que está errado. Como que eu vou na frente de meu aluno falar isso?" ( Profª Iolanda )

Muitos professores vão valorizar sua participação naquele  momento. O que importa é saber que mesmo fazendo a crítica ao período, alguns professores utilizavam-se de expressões que demostram estarem muito mais conectados com o discurso dos militares  sobre a repressão do que com o discurso de seus opositores. Isto pode ser explicado da seguinte forma:

“O processo de recordar é uma das principais formas de nos identificarmos quando narramos uma história. A narrar uma história, identificamos o que pensamos que éramos no passado, quem pensamos que somos no presente e o que gostaríamos  de ser. As história que relembramos não são representações exatas de nosso passado, mas trazem aspectos desse passado e os moldam para que se ajustem às nossas identidades e aspirações atuais. Assim, podemos dizer que nossa identidade molda nossas reminiscências, quem acreditamos que somos no momento e o que queremos ser afetam o que julgamos ter sido. Reminiscências são passados importantes que compomos para dar um sentido mais satisfatório à nossa vida, à medida que o tempo passa, e  para que exista maior consonância entre identidades passadas e presentes.”[21]

Como afirma Alistair Thomson diante de tal situação cabe ao historiador sensibilidade para trabalhar com tal material, pondo sempre à frente o bem estar do depoente. A sensibilidade cabe também ao analisar o material, pois concepções não assumidas podem aflorar, ressaltando com isso, o conceito de que o passado é mutável,  a história pode ser reconstruída constantemente, e a memória ao ocultar ou compor pode  oferecer interpretações do passado muito mais significativos que as palavras gravadas dos depoentes.

 

 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

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QUEIROZ, M. L. Pereira de. proposição de um projeto de Pesquisa. In: Variações sobre a técnica do gravador no registro da informação. São Paulo: CERU e FFLH/USP, 1983.

THOMSON, Alistair. "Recompondo a Memória: Questões sobre a relação entre a História Oral e as memórias." In: Revista Do Programa de Estudos Pós -Graduados em História e do Departamento de História - PUC - SP: ética e História Oral. São Paulo: Educ, nº 15, 1997. p.p. 51- 84.

THOMPSON, Paul. A voz do passado: História Oral. São Paulo: Paz e Terra, 1992.



* Mestranda do Programa Associado de Mestrado em História Social Universidade Estadual de Maringá e Universidade Estadual de Londrina   

[1] Como esclarece José Carlos Reis: "(...) combinando afirmações de Furet e do próprio Le Roy Ladurie: a história sob a influência das ciências sociais é uma "nouvelle histoirie", que, após uma longa fase intra-uterina, começou nos anos 20, com Febvre e Bloch, na Universidade de Strasburg.Esta "nouvelle histoire"é praticada pela "école des Annales", que, a partir de Febvre, Bloch e Baudel, reúne professores e pesquisadores que atuam em  Paris, Rennes, Toulouse, Aix-en-Provence e colaboradores da revista, formando um grupo policêntrico, heterogêneo e mais ou menos permanente". ( Reis:1996:p. 112)

[2] JANOTTI, Maria de Lourdes Monaco. ROSA, Zita de Paula. "História oral: uma utopia?" In: Revista Brasileira de História: Memória, História, Historiografia Dossiê Ensino de História. São Paulo: ANPUH/Marco Zero, VOL.13, nº 25/26,set 93/ago. 94. p.8.

 

[3] THOMPSON, Paul. A voz do passado: História Oral. São Paulo: Paz e Terra, 1992. p.102

 

[4] Id. ibid  p. 103

 

[5] JANOTTI, Maria de Lourdes Monaco. ROSA, Zita de Paula. "História oral: uma utopia?" In: Revista Brasileira de História: Memória, História, Historiografia Dossiê Ensino de História. São Paulo: ANPUH/Marco Zero, VOL.13, nº 25/26,set 93/ago. 94. p.12.

 

 

[6] AMADO, Janaína.  "A culpa nossa de cada dia: ética e História Oral." In:  Revista do Programa de estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História PUC- SP: Ética e História Oral.  São Paulo: Educ, nº 15,1997.p. 146.

 

[7] AMADO, Janaína.  "A culpa nossa de cada dia: ética e História Oral." In:  Revista do Programa de estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História PUC- SP: Ética e História Oral.  São Paulo: Educ, nº 15,1997.p. 149.

 

[8] Esta concepção histórica vem do século XVIII com os iluministas, que naquele momento lutavam  para implantarem uma história racional, que não estivesse ligada às escrituras sagradas.

 

[9] DECCA. Edgar. "As desavenças da História com a Memória." In: Cultura Histórica em Debate.  org. SILVA. Zélia Lopes da. São Paulo: Ed. UNESP,1995.p.p. 67

 

[10] BURKE, Peter.  A Escrita da História: Novas perspectivas. São Paulo: Ed. UNESP, 1992. p. 11

 

[11] MONTENEGRO, Antonio Torres. História Oral e Memória: a cultura popular revisitada. São Paulo: Contexto,1994. . 17

 

[12] Op cit Id. Ibid. p 33

 

[13] THOMSON, Alistair. "Recompondo a Memória: Questões sobre a relação entre a História Oral e as memórias." In: Revista Do Programa de Estudos Pós -Graduados em História e do Departamento de História - PUC - SP: ética e História Oral. São Paulo: Educ, nº 15, 1997. p.p. 51- 84

 

 

[14] FERNANDES, Maria Esther. "A "história de vida" como instrumento de captação social". In: Revista História. São Paulo:  Ed. Unesp, Vol. 12,1993. p. 221

 

[15]  FONSECA, Selva Guimarães. Ser professor no Brasil. Campinas: Papirus,1997.p. 15

 

[16] Foram realizadas 5 entrevistas, com histórias de vida, nos meses de outubro e novembro de 1997.

[17] Não salienta-se que as instituições educacionais públicas proporcionassem, necessariamente, uma formação mais concisa aos seus graduados, mas considera-se sensivelmente o fato, como já foi citado acima, de que cursos de qualidade duvidosa eram oferecidos com mais freqüência por entidades particulares.

[18] Comandante do DOI/ CODI/II de São Paulo de 1970 a 1973, apontado com torturador .

[19] Ministro da justiça no governo Geisel, criador da Lei Falcão, que limitava a propaganda política nos meios de comunicação.

[20] CARDOSO, Lucineide Costa. "Construindo a Memória de 64."  In: Revista Brasileira de História: Brasil: 1954-1964. São Paulo: ANPUH/ Marco Zero, VOL 14,nº 27,1994. p.187

 

[21] THOMSON, Alistair. "Recompondo a Memória: Questões sobre a relação entre a História Oral e as memórias." In: Revista Do Programa de Estudos Pós -Graduados em História e do Departamento de História - PUC - SP: ética e História Oral. São Paulo: Educ, nº 15, 1997. p. 57